MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.
Como a Formação Integrada funciona na prática?
Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Desta forma, buscamos combinar conteúdos e atividades que promovam:
- Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
- Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).
Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:
Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Ao longo dos três semestres da Formação Integrada esperamos que os alunos possam:
- Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
- Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
- Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
- Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.
Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os alunos possam:
- Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
- Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
- Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
- Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.
SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS
SOBRE ESSE RELATÓRIO
Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade.
- A cada turma do Mestrado, desenvolvemos de quarto a seis projetos por semestre.
- Cada projeto é composto por uma equipe de alunos(as) que define seu próprio desafio, identidade e processo de trabalho (stakeholders chave a serem procurados, conteúdos a serem investigados, formato da entrega final, recursos necessários etc).
- O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.
1-INTRODUÇÃO
1.1-Objetivo: Através da analise do Projeto de Revitalização Ambiental de microbacias urbanas, em uma metrópole Amazônica, considerando os desafios e barreiras de comunicação, elaborar um relatório sobre a experiência do uso de metodologias de comunicação que estabeleçam um diálogo proativo e produtivo em programas de interesse público e privado.
1.2- Para quem: Entidades públicas, empresas e terceiro setor, envolvidas em projetos cujos objetivos são comuns ao público e privado, com a participação de múltiplos stakeholders.
1.3-Como: Sensibilizar pessoas com poder decisório sobre a importância de incentivar novos modelos relacionais com capacidade de ultrapassar as barreiras dos conflitos da comunicação, promover diálogos convergentes e produzir relatórios satisfatórios sobretudo em programas de interesse público e privado.
PERGUNTA DO KICK-OFF
“A partir da sua experiência, quais são as características e elementos para um bom planejamento e realizações das reuniões devem estar presente para potencializar o diálogo?”
2-ENUNCIADO
“Antes usados para lazer, navegação e pesca, quase todos os 150 igarapés de Manaus estão totalmente poluídos. Especialistas dizem que pode levar até 30 anos para recuperá-los; alguns já são considerados mortos”. Fonte: ONG Mata Viva.
“Os igarapés são importantes para a drenagem natural durante a estação chuvosa, dizem especialistas. Caso a questão não seja tratada de forma adequada, os pesquisadores alertam que os problemas de inundação só vão piorar com o tempo, sobretudo com o aquecimento global e as condições climáticas extremas dele decorrentes". Fonte: ONG Mata Viva.
Manaus é o maior agregado urbano da Amazônia brasileira com aproximadamente 2,3 milhões de habitantes. Ocupa uma extensa área de 11.401,092 Km2, cerca de oito vezes maior que a cidade de São Paulo (1.521 Km2), sendo a segunda maior capital nacional em área territorial (atrás apenas de Porto Velho). Com uma baixa densidade demográfica (158,06 hab/Km2), sua área urbana ocupa menos de 5% de todo o seu território (inferior a 500 Km2). É também a 7ª cidade mais populosa do Brasil e o 6ª maior PIB nacional. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
Entretanto, Manaus convive com graves problemas sociais, econômicos e ambientais: elevado nível de desemprego, concentração de renda, crescimento desordenado, déficit habitacional, invasões e degradação de áreas ambientais urbanas. Segundo o MAPBIOMAS (Destaques do Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil entre 1985 e 2021), Manaus foi a capital brasileira com maior crescimento em área de favelas entre 1985 e 2021, totalizando cerca de 10 mil campos de futebol em 2021.
A contaminação dos igarapés de Manaus é um problema que afeta todos: governos, empresas, pessoas, negócios, turismo, investimentos, empresários, trabalhadores, estudantes... A Prefeitura gasta, anualmente, mais de R$ 10 milhões em ações emergenciais de retirada de resíduos sólidos dos igarapés. São ações que sequer evitam a contaminação das águas ou mantém a superfície e leitos dos igarapés limpos. O problema afeta todos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n° 12.305/2010) e o Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei n° 14.026/2020) responsabilizam empresas e o Poder Público. Os graves efeitos das mudanças climáticas desafiam toda a humanidade. Não obstante, ainda que os objetivos sejam comuns e nas mesas de negociação sejam afastados temas difíceis, tais como a responsabilização pelos custos, os avanços nos diálogos sobre o projeto têm sido deveras lentos e diminutos.
PROJETO DE REFERÊNCIA
Avaliar a metodologia 6 (seis) chapéus como ferramenta de comunicação construtiva, objetiva, ágil, eficaz, transparente e proativa no Programa Anjo da Floresta, coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus, cujos objetivos são comuns às empresas, organizações da sociedade civil, Poder Público e sociedade em geral. Desta forma, acreditamos ser possível minimizar os riscos do programa e conceber ações e projetos integrados, potencializando os resultados, reduzindo e compartilhando os custos.
3-INVESTIGAÇÃO E ESCUTA
3.1- Questões e inquietações iniciais
Iniciamos o processo de investigação no evento de lançamento, o kick-off, conversando com alguns convidados, todos envolvidos com envolvimento no projeto objeto de estudo ou ampla experiência na gestão de iniciativas complexas com múltiplos stakeholders: Antônio Stroski - Secretaria do Meio Ambiente de Manaus Suelen Ramos – Representante da Associação de Catadores Rodrigo Brito – Diretoria de Sustentabilidade do Grupo Coca-Cola Hélinah Cardoso – Project Manager (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH).
4- FONTES DE INVESTIGAÇÃO
4.1 - Stakeholders
Antônio Stroski - Secretaria Municipa de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus
Suelen Ramos – Representante das Associações de Catadores
Rodrigo Brito – Diretoria de Sustentabilidade do Grupo Coca-Cola
Hélinah Cardoso – Project Manager (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH)
4.2- Referencial Teórico
Os Seis Chapéus do Pensamento é um método desenvolvida pelo psicólogo Edward de Bono em seu livro Six Thinking Hats (1985). O método consiste em uma dinâmica de grupo que permite que os participantes alternem entre vários processos de pensamento estruturados e orientados a um único objetivo.
A técnica dos Seis Chapéus do Pensamento pode ser útil para: (a) desenvolver habilidades de liderança; (b) incentivar o pensamento crítico; (c) aprimorar a gestão de projetos; (d) aumentar a produtividade; (e) abordar um problema a partir de diferentes pontos de vista; (f) facilitar a comunicação de um grupo; e (g) tirar os participantes da zona de conforto.
4.3- Referências bibliográficas
DE BONO, Edward. Six Thinkings Hat's. Back Bay Books, 1999.
CARVALHO, Vanessa. World Café: a metodologia para gerar conversas relevantes, 2020. Disponível em: <https://ynner.com.br/blog/world-cafe>. Acesso em: 02 de dezembro de 2022.
Scharmer, Otto. Teoria U. Disponível em https://hazeshift.com.br/teoria-u/ . Acesso em 04 de dezembro de 2022.
5-FORMAS DE COLETA DE DADOS
Os dados foram coletados a partir de entrevistas com stakeholders que estão participando diretamente na concepção do Programa Anjo da Floresta, em especial o Secretário Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus - SEMMAS, Antonio Ademir Stroski, que também coordena o projeto. Também foram coletados dados nos documentos dos projetos associados ao programa, disponibilizados pela SEMMAS, e relatórios de sustentabilidade de empresas tais como Coca-Cola (https://www.cocacolabrasil.com.br/content/dam/journey/br/pt/pdf/relatorio-sustentabilidade-coca-cola-brasil-2020.pdf), AmBev (https://ri.ambev.com.br/relatorios-publicacoes/relatorios-anuais-e-sustentabilidade/), Águas de Manaus (https://ri.aegea.com.br/esg/relatorio-anual/) e Marquise (https://www.marquiseambiental.com.br/). A técnica dos Seis Chapéus do Pensamento foi aplicada em uma reunião específica com o Secretário Stroski.
6-PRINCIPAIS APRENDIZADOS E INSIGHTS
6.1 - Reflexôes em Grupo
O trabalho da nossa equipe, da disciplina Formação Integrada II, partiu de uma realidade imposta: a existência de um grupo de trabalho (GT) de iniciativa da Prefeitura de Manaus, com a participação de empresas e do terceiro setor, que buscam encontrar uma solução negociada para diminuir ou mesmo eliminar a presença de resíduos sólidos (lixo) nos igarapés da cidade de Manaus. O GT foi inicialmente constituído pela Prefeitura Municipal de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade - SEMMAS, que o coordena, pela empresa Coca-Cola, através da sua Diretoria de Sustentabilidade, e por representantes das Associações de Catadores. No decorrer das discussões das ações e projetos associados ao Programa, novos stakeholders estão sendo integrados ao GT. Contudo, simultaneamente, o próprio GT identificou uma situação que estabelecia um novo problema: a dificuldade de diálogo para as organizações não governamentais (ONG's) quando estas, sem estrutura organizacional adequada, tornam-se debilitadas institucionalmente frente à magnitude da estrutura do Estado e das grandes empresas.
Estas duas situações demonstram claramente que há uma convergência na situação-problema, que vai além do objeto material para a solução das dificuldades. Restou claro que, tão importante quanto o problema técnico, é a construção de um ambiente relacional colaborativo e que independa dos problemas especificos. Fora detectado pelo GT que a gestão relacional que emergia dos diálogos e a sua qualidade eram fatores decisivos para que suas partes interessadas se sentissem representadas na busca e, em sequência, no encontro e na implementação de quaisquer soluções pactuadas. Selecionada a situação-problema dos resíduos sólidos depositados de forma irregular nos igarapés de Manaus, foi constatado por relato que, mesmo estando todos os stakeholders envolvidos com o firme propósito de solucionar a questão, as reuniões realizadas até então, em número de 8 (oito), não sinalizavam uma convergência para a solução.
Em diálogo interno de toda a turma, por meio do uso da ferramenta “world café”, constituímos nossa equipe de PR e pactuamos a ideia de buscar o entendimento sobre “o que dificulta e o que facilita uma solução” quando estão envolvidas, simultaneamente, o poder público, o setor privado e o terceiro setor. A ferramenta “world café” é um processo criativo baseado em diálogos entre indivíduos, numa elaboração coletiva e colaborativa para responder questões de grande relevância (CARVALHO, 2022).Em diálogo interno da nossa equipe, após explorar alguns possíveis entraves, concluímos que a melhor forma de entendimento seria estruturar no kick-off do PR uma pergunta que possibilitasse aos participantes demonstrar o seu ponto de vista frente à pergunta proposta ao problema relacional.
Iniciamos a nossa jornada usando a 'Teoria U', que constitui o aprendizado de algo novo, atuando através do futuro que emerge versus as vivências do passado. A jornada, com início, meio e fim, completa o "formato de um U" e reflete conexões de experiências que divagam no passado (downloading) e estabelecem aprendizados ligados às possibilidades do futuro. Inicialmente, na primeira ponta da letra U observa-se o interior e o exterior. Cumprida esta fase, construir pontes para descer em direção à curva do U, onde se deverá retrair e refletir, deixando emergir o saber interior e estabelecer as percepções. Ao subir a curva do U, ocorrerá a cristalização de uma nova intenção para que se concretize a ação, participação e os testes (TEORIA U, 2022). Durante a nossa jornada encontramos alguns problemas:
Problema 1: O primeiro problema percebido pela equipe foi construir a nossa pergunta para o grupo de trabalho (GT). Um momento onde cada um de nós, participantes da equipe, aportamos mais sobre nossas vivências e experiências anteriores, uma sobreposição ao que estava realmente emergindo. Não conseguimos encontrar facilmente a pergunta que nortearia o PR e ficou nítido que não havíamos pactuado o nosso propósito final. A conversa dizia mais sobre as nossas experiencias e vivencias pessoais ao contrário de permitir, por meio do diálogo, a construção de uma inteligência coletiva. Seguimos a teoria U na busca de encontrarmos na descida, por meio da observação, algo que estava emergindo da nossa equipe para que refletisse de fato um saber comum. A nossa pergunta foi então definida:
“A partir da sua experiencia, quais são as características e elementos para um bom planejamento e realizações das reuniões devem estar presente para potencializar o diálogo?”
Problema 2: Mas o que estamos mesmo buscando? Qual o produto que iríamos entregar? Antes e depois do kick-off, surgiram algumas possibilidades. A primeira foi construir uma nova ferramenta que fosse uma diretriz para melhorar o ambiente de diálogo colaborativo. A ferramenta desenharia um roteiro com o objetivo de materializar uma linha do tempo, articulando outras ferramentas especificas já conhecidas, para gerar valor relacional entre os participantes no grupo de trabalho (GT). Ainda sobre o produto final, percebemos logo após o kick-off, que a falta de tempo seria um fator decisivo na escolha do produto. Então, abandonamos a ideia da ferramenta e partimos para a criação de um segundo produto que seria a confecção de uma cartilha. A cartilha seria um conjunto de recomendações, oriundas das escutas realizadas durante o kick-off.
Problema 3: Será que fomos claros com a nossa pergunta? As escutas realizadas no kick-off, realizado no dia 21/09/2022, 19:30h às 21:30h (horário de Brasília), nos fez perceber que teríamos pouco material recolhido, pois a nossa pergunta não se mostrou eficaz e nem mesmo as nossas participações neste evento se mostraram suficientes para esclarecer aos convidados o nosso objetivo. A impossibilidade de construirmos uma nova agenda entre o grupo de trabalho e a nossa equipe sepultava definitivamente a ideia da cartilha.
Problema 4: Estávamos convictos que a situação-problema encontrada era muito rica como case, mas não tínhamos conseguido avançar no formato do produto final. Qual seria realmente este produto? Ficou claro que patinávamos na subida do U. Emergir sem um produto final ao que seria factível. Foi quando a professora Carolina (sobrenome) nos ofereceu uma solução: aplicar a técnica dos Seis Chapéus do Pensamento e relatar sobre a sua aplicabilidade em reuniões com múltiplos stakeholders que compartilham objetivos comuns. A sugestão foi prontamente aceita por toda a equipe do PR. Finalmente, após retrair, refletir, podíamos emergir na curva ascendente do U para a conclusão do trabalho.
Presencing: retrair e refletir
"A dificuldade de evolução de projetos que envolvem interesses comuns públicos e privados é algo que sempre me intrigou. Mas outrora sempre avaliei o problema exclusivamente pelo ponto de vista técnico. Os estudos de Formação Integrada, em ambos os semestres, estão me ajudando sobremaneira a ampliar minha percepção da influência dos aspectos relacionais e da comunicação no avanço e sucesso de ações e projetos. A propósito, o sucesso das relações público-privadas é fundamental para os avanços da sustentabilidade. Em um outro aspecto, participei da reunião experimental em que aplicamos a técnica dos Seis Chapéus. Atuei, em diversos momentos, como mediador (chapéu do controle), mas como partícipe do Programa Anjo da Floresta acabei também emitindo opiniões. Entendo que a técnica é excelente e torna as reuniões mais objetivas e produtivas. Imagino também que funcionará melhor com um mediador independente nas reuniões, mas que conheça as temáticas propostas. Há uma dúvida de como compatibilizar o tempo e as discussões em reuniões em que participam muitos stakeholders. Talvez propondo um recorte de tempo versus assuntos abordados. Enfim, irei propor a aplicação em reuniões futuras." Alessandro Silva
"Partindo da lógica do terceiro incluído que os opostos não são eliminados e sim coexistem, utilizamos das diferentes experiências individuais para percorrermos todo o caminho do nosso trabalho. Nosso ponto de partida foram princípios complexos, dos diferentes níveis de realidade e da transdisciplinaridade. Nosso processo de escuta foi estruturado com uma metodologia elaborada para organizar os diálogos, dar voz a todos e oportunidade coletiva de avançar em decisões complexas. Trabalhar no PR foi uma jornada de grande aprendizado com meus colegas. O Alessandro é o que conecta pessoas, promove diálogos, é super empático e alto astral. O João é o cara da organização, anota tudo, alinha reuniões, ama design e tem um coração enorme. Nosso amigo Roberto é um poeta maravilhoso, escreve como ninguém e agrega pessoas. Amei conhecer todos os 3 e espero poder continuar aprendendo e compartilhando com eles. Vi e Carol, mais uma vez gratidão pela oportunidade de ter aprendido muito com vocês e por ter nos ensinado que sentir o caminho é mais importante que chegar com pressa no resultado do processo." Camila de Andrade
“A experiência em cada uma das etapas do processo de desenvolvimento do projeto de referência foi enriquecedora. Refletir sobre o importante do Projeto de Revitalização Ambiental de Microbacias Urbanas de Manaus e a complexidade do modelo relacional nele apresentado, possibilitou explorar diversos conceitos da disciplina e vivência os desafios de ultrapassar as barreiras dos conflitos da comunicação. A construção do produto foi tortuosa, mas extremamente rica. O grupo fez um mergulho profundo no problema, emergindo ideias e alternativas no caminho da teoria do U. Por fim, com uma importante sugestão dos professores, tivemos a grata surpresa de apreender e aplicar a metodologia do “06 chapéus do pensamento” que amplia a visão e estabelece um diálogo estruturado dos envolvidos. Certamente, é uma metodologia que levo para os desafios da vida pessoal e profissional.” João Santos
“Há sempre em espaço de aprendizado para um ouvido atento. Este trabalho nos permitiu aprender a importância da escuta e sua complexidade. Vivenciar o desafio da escuta em espaço de interação coletiva, onde as vozes se multiplicam, é uma realidade cotidiana e desafiadora. A ferramenta dos 6 chapéus foi de grande valia, pois organiza e estrutura a nossa escuta. Permite que todos os participantes aportem seus conhecimentos, dúvidas e sentimentos, ampliando a participação, ajudando a emergir o saber coletivo. Com certeza irei usar a ferramenta. A equipe funcionou com grande coesão, liberdade e muita colaboração. Sofremos juntos com os obstáculos causados pela exiguidade do tempo, mas tivemos reflexões bastantes intensas sobre a construção do saber coletivo e sobre os elementos que facilitam e dificultam uma solução em conjunto. Agradeço a todos o convívio este ano, e envio abaixo um fragmento das nossas lembranças e do nosso aprendizado." Roberto Muniz
DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO FINAL : AGIR EM UM INSTANTE
Chapéu Vermelho (Sentimentos)
- Importância do comprometimento e compromisso dos atores.
- A existência de uma ansiedade e angustia (necessidade da solução).
- Crescimento da consciência da responsabilidade socioambiental (Empresas).
Chapéu Amarelo (Benefícios)
- Qualidade da Agua.
- Ganhos reais para todos os envolvidos (público, privado e sociedade civil).
- Imagem positiva na mídia.
- Ampliar o conhecimento sobre a reciclagem."
Chapéu Preto (Críticas)
- Autocritica.
- Poder público é lento.
- Necessidade de resgatar a credibilidade.
- Dificuldade que as iniciativas das empresas sejam efetivas e não apenas “marketing”.
Chapéu Branco (Fatos)
- Engajamento pessoal (Antonio Strokis).
- Importância de contar com assessorias especialistas.
- Relevância do entendimento / acolhimento interno.
Chapéu Verde (Ideias)
- Novos projetos em linha com o atual projeto.
- Escutar pessoas para ter ideias mais criativas.
- Fundamental a continuidade da política pública.
- Uso de tecnologia para aumentar os resultados.
Chapéu Azul (Controle)
- Facilitador: Alessandro Moreira.
- Principais contribuições: interligar os assuntos do projeto entre os “chapéus”, permitindo entendimento e fluidez do processo de reflexão.
PRODUTO FINAL
Prova de conceito de reunião com a dinâmica do “Six Thinking Hats”: participação de um dos atores do projeto para avaliar os benefícios da metodologia. A experiência pode ser usada em outros projetos e iniciativas com múltiplos stakeholders e com dificuldade de chegar em resultados concretos.
Vídeo: registro para uso interno podendo ser usado como referência educacional.
Limitação do estudo: em decorrência da dificuldade de realizar a dinâmica com os principais atores do projeto, optou-se pela realização individual, sendo uma oportunidade de melhora o exercício com a participação do grupo envolvido no projeto.
REFLEXÕES
“Gostei! Para fazer uma análise do que esta sendo feito de uma forma organizada e metodologica. Enriquecimento das ideias, contribuido de forma positiva para continuidade do projeto”. Antonio Ademir Stroski
"Há um pouco de todos do mundo em mim. E de mim, um pouco, em todos do mundo e justo, dentro daqueles que não sabem realmente quem somos. E os que pensam que sabem o que são, saibam: que todos eles por inteiro se perderam. Não por eu saber onde estamos e muito menos aonde iremos. Mas por vivenciar que em qualquer lugar que estejamos, haverá algo que não somos nós, sou eu e você diluídos uns aos outros, um terceiro. E mesmo quando, ao construirmos juntos o que nos abraça, não nos vermos. Ou no calor da luta, encontrarmos o ato da expulsa. E quando mesmo, não houver mais caminho que nos caiba, pois o respeito no coração já em nós não pulsa. Saiba que a conexão ainda existe. Pois estaremos, em algum lugar, DISTINTAMENTE JUNTOS, experienciando um ressentimento ou a repulsa." Roberto Muniz