Dados e Informações:
Um estudo realizado em 2014 pela Rede EUKidsOnline com a participação de 25 000 jovens oriundos de 25 países europeus revela que 38% dos jovens entre os 9 e 12 anos utilizam pelo menos uma rede social. No caso de Portugal, 39% dos jovens entre os 9 e os 12 anos e 78% dos jovens entre os 13 e os 16 anos são utilizadores de, pelo menos, uma rede social.
Um estudo mais recente realizado em 2015, inquérito Net Children Go Mobile, em que participaram jovens dos 11 aos 12 anos revela que em portugal, 60% dos jovens tinham perfil numa rede social, 53% deles mais especificamente no facebook apesar da interdição a menores de 13 anos.
Um estudo coordenado pela Dra. Ivone Patrão em 2014 mostra que quase três quartos da população portuguesa até aos 25 anos (73,3%) apresentam sinais de dependência da Internet. Destes 13% exibem níveis severos de dependência que podem implicar mal-estar físico, isolamento, comportamentos violentos e obrigar a tratamento.
Quando se expõe informação pessoal, nossa, dos nossos familiares, amigos ou conhecidos, as medidas de segurança em relação a essa pessoa ficam definitivamente comprometidas. Basta pensar que é impossível cancelar a sua replicação ou eliminar as cópias realizadas.
Um estudo internacional da Jobvite, empresa norte-americana que atua no mercado de soluções para recrutamento, apontou que 92% dos profissionais que atuam na área de recursos humanos pretendem utilizar as redes sociais para contratação.
Helena, Moura, psiquiatra: «Os adolescentes passam por fases de experimentação, procuram novas sensações e têm menos medo de correr riscos porque a parte do cérebro responsável por travar o comportamento de risco, ainda não completou o seu desenvolvimento. Para eles, é muito importante também sentir que pertencem a um grupo e sentem necessidade de impressionar os amigos. Por tudo isto, os adolescentes são mais vulneráveis às dependências».
Segundo o próprio Facebook, mais de 8% das contas criadas na rede social não são de pessoas reais. Isso significa que quase um décimo dos quase 1 bilião de utilizadores não existe.
Um estudo recente revela que, em média, só pode contar com quatro dos seus amigos no Facebook. O estudo é da universidade de Oxford, que tenta desvendar se as pessoas que têm muitos amigos no Facebook também têm muitos amigos na vida real
Segundo Dunbar, professor de psicologia evolutiva em Oxford, há muito pouca correlação entre ter amigos nas redes sociais e ser capaz de falar regularmente ou contar com eles. Cada vez mais nos relacionamos com “amigos” que não são amigos. O estudo foi realizado com pessoas que tinham em média cerca de 150 amigos na rede social e revela que, em média, só 14 seriam capazes de exprimir simpatia caso algo corresse mal, indicaram os inquiridos.
Perfis de Risco
Embora a dependência da Internet ainda não seja formalmente aceite como uma doença, vários autores referem o Uso Problemático da Internet ou UPI como um possível termo para designar os comportamentos relacionados com a Internet que causam prejuízo psicossocial significativo (Shapira et al, 2000). UPI é caracterizado por:
- Preocupação inadequada com o uso da Internet, experimentada como irresistível, por períodos de tempo mais longos do que o pretendido;
- Sofrimento significativo ou prejuízo resultante do uso da Internet;
- Ausência de outra patologia psiquiátrica que possa explicar o uso excessivo da internet.
Yong (1998) definiu alguns sintomas e problemas associados ao UPI, incluindo a perda de controle, abstinência e dependência, isolamento social, insucesso escolar(...). Além disso, o autor defende que em algumas situações, o excesso de tempo on-line pode levar a problemas físicos, como dores nas costas, cansaço visual e síndrome do túnel cárpico (Young, 1998).
Na tabela seguinte, encontram-se descritos alguns traços que parecem estar relacionados com uma maior probabilidade de desenvolver UPI:
*Sem controlo parental; **Contabilizando o número de horas na escola, em espaços públicos e em casa; *** Pelo menos 1 ano de retenção escolar.
BIBLIOGRAFIA:
Shapira, N. A., Keck, P. E., McElroy, S. L., Goldsmith, T. D., & Khosla, U. M. (2000). Psychiatric features of individuals with problematic Internet use. Journal of Affective Disorders, 57, 267-272.
Young, K. S. (1998). Internet addiction: The emergence of a new clinical disorder. Cyberpsychology and Behavior, 1, 237-244.
Debate Prós e Contras
Professor/a
Exemplos:
- Os telemóveis não devem permanecer ligados (não em silêncio) durante as aulas.
- Para resolver os problemas com a utilização dos telemóveis na escola, o melhor é a sua proibição total no espaço escolar.
- O telemóvel em contexto escolar exige regras de utilização definidas por todos (inclusive os alunos) no início do ano e válidas para todas as aulas.
Serão organizados vários grupos que assumirão o papel de:
- 1 Mediador/Apresentador
- 1 Grupo de pais/encarregados de educação
- 1 Grupo de Jovens
- 1 Grupo de especialistas em educação
- 1 Grupo de psicólogos
Jovens
Dados:
- Em 2014, a UNESCO aconselhou a utilização dos telemóveis nas escolas, mas países como França, Brasil, Inglaterra e Portugal, entre outros, são contra a sua utilização;
- Estatuto do Aluno, artigo 10º, alínea q): Não transportar quaisquer materiais, equipamentos tecnológicos, instrumentos ou engenhos passíveis de, objetivamente, perturbarem o normal funcionamento das atividades letivas, ou poderem causar danos físicos ou psicológicos aos alunos ou a qualquer outro membro da comunidade educativa;
- Estatuto do Aluno, artigo 10º, alínea r): Não utilizar quaisquer equipamentos tecnológicos, designadamente telemóveis, equipamentos, programas ou aplicações informáticas, nos locais onde decorram aulas ou outras atividades formativas ou reuniões de órgãos ou estruturas da escola em que participe, exceto quando a utilização de qualquer dos meios acima referidos esteja diretamente relacionada com as atividades a desenvolver e seja expressamente autorizada pelo professor ou pelo responsável pela direção ou supervisão dos trabalhos ou atividades em curso;
- «É escusado alimentar a esperança que ainda é possível controlar a avalanche tecnológica que entra pela sala adentro. Hoje é o telemóvel, mas amanhã serão os óculos da Google ou mesmo os telemóveis relógios. A sua proibição, além de contraproducente, causará focos de tensão e fará aumentar as ocorrências». Alexandre Henriques, professor e responsável do Blog Comregras;
- «A proibição total do uso do telemóvel não faz sentido. O telemóvel é um instrumento banal nos nossos dias. Como em tudo são precisas regras de utilização, definidas no início do ano e válidas para todas as aulas: durante os períodos letivos devem estar desligados. Poderão ser usados durante os intervalos». Daniel Sampaio, psiquiatra;
- «Numa sala de aula, existem alunos motivados e tranquilos, ao lado de outros sem controlo emocional e sem gosto pelas aulas; isso é que deve obrigar a um cumprimento de regras para todos, organizado a partir de um regulamento da escola e das salas de aula, independente das normas ministeriais». Daniel Sampaio, Jornal Público.
- A Educação para os média, referida na Carta Europeia, passa por uma atenção a estes usos e pela capacitação para usos mais conscientes e que tenham em conta os direitos dos outros.
- «A utilização de telemóveis no espaço escolar tem de ser alvo de um debate amplo entre professores e alunos, com a participação das famílias e cada escola poderá elaborar ‹um código de Conduta›». Margarida Gaspar Matos, psicóloga e investigadora na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa.
- «As escolas não devem ignorar os telemóveis e o que representam na cultura dos mais novos e nos seus direitos de expressão e privacidade. Sem dúvida que nas escolas, como ambientes de trabalho coletivo, devem existir regras quanto à sua utilização e os estudantes devem também participar na definição dessas regras». Cristina Ponte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.