Neste tempo da modernidade/pós-modernidade, na terra que muitos experimentam como «astro errante» [MORIN, Edgar, A terra, astro errante título que deu à crónica que escreveu para o Jornal Le Monde, de dia 14 de fevereiro 1990.], a tarefa educativa, a missão de iniciar à vida na fé, assumida pelos pais, comunidade, catequistas e outros educados, tem vindo a complexificar-se devido a fatores antropológicos, espirituais, culturais, sociológicos, políticos, tecnológicos… Embora, inconscientemente a profundidade do humano aguarde a BOA NOTÍCIA «Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias, para te iluminar, fortalecer, libertar (EG 164), torna-se cada vez mais exigente fazer ecoar a Palavra. Uma Palavra que, hoje, terá de ser testemunhada e proclamada de forma visível, audível, compreensível, significativa e transformadora, de tal maneira, que suscite, nos que a acolhem, o desejo de ENCONTRO com Jesus Cristo e a vontade de criar vínculo com a comunidade cristã.
Por estes e outros motivos, não surpreende que no último vídeo de 2021 da Rede Mundial de Oração, o Papa Francisco convide a rezar pelos catequistas, recordando que estes terão de ser testemunhas mansas, corajosas e criativas que se alimentam da Palavra de Deus. Testemunhas audazes, capazes de utilizarem uma linguagem nova e de abrirem caminhos… Testemunhas para quem «SER catequista significa que a pessoa ‘é catequista’ e não que ‘trabalha como catequista’. É todo um modo de SER [diz o Papa] e fazem falta bons catequistas». Testemunhas de quem se pode dizer: ao ver-te viver é impossível não reconhecer que Deus existe, não descobrir que Deus é amor!
Evangelizadores cujo «modo de Ser» dá origem a um «modo de acompanhar» e não, apenas, de ensinar. Um jeito de caminhar com, de atender ao percurso de fé/vida e ao “ecolugares” da existência de cada um. Não basta fazer catequese para o grupo sem atender à capacidade e disponibilidade de acolhimento da Boa Notícia de cada SER. Se contemplarmos Jesus, descobrimos a sua forma de ver, escutar e tocar a situação de vida “da pessoa” de acordo com a sua realidade, tais como o cego de nascença, Zaqueu, a sogra de Pedro, a samaritana… Olhava olhos nos olhos, escutava, tocava, dirigia uma palavra de vida, de salvação e suscitava a fé...
Catequistas cujo «modo de Ser» dá origem a uma «pedagogia». Uma pedagogia da encarnação que suscita o desejo não só de se encontrar com Jesus Cristo, como também de assumir, em todas as dimensões da vida, a proposta do Evangelho. Uma “pedagogia do viver em e com Cristo” que ilumina e salva os dias. Uma pedagogia que, na sua didática, cria condições para que a vida humana descubra a verdade, a bondade e a beleza de um Deus amor que vem ao seu encontro, a habita, lhe dá sentido e a salva…
Catequistas cujo o modo de SER e missão se enraíza na comunidade, numa Igreja sinodal. Catequistas educadores, capazes de «serem fermento de vida comunitária e de sinodalidade, ajudando a comunidade a assumir-se, ativamente, como matriz da vida cristã» [Cf. Papa Francisco, Homilia proferida na abertura do sínodo a 10 de outubro de 2021].
Catequistas cujo SER «está convencido, por experiência própria, de que não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não o conhecer; não é a mesma coisa poder escutá-l’O ou ignorar a sua Palavra; não é a mesma coisa poder contemplá-l’O, adorá-l’O, descansar n’Ele ou não o poder fazer. [Catequista] missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio do compromisso missionário» [Papa Francisco, Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho, 266] .
E porque o catequista assume a sua missão sob a ação do Espírito e com a comunidade, respondendo ao apelo do Papa Francisco “rezemos pelos catequistas, chamados a anunciar a Palavra de Deus, para que a testemunhem com coragem, com criatividade, com a força do Espírito Santo, com alegria e com muita paz”.