O Vídeo do Papa para este Outubro Missionário começa assim: “Jesus pede a todos nós, e a ti também, que sejamos Discípulos Missionários. Estás preparado?”
A resposta poderia ser com outra pergunta: O que significa isso?
A Rede Mundial de Oração pelo Papa dá algumas pistas:
- Estar disponíveis para o chamamento do Senhor;
- Viver em união com Cristo nas coisas do dia-a-dia;
- Dar testemunho, com a nossa vida, de que conhecemos Jesus;
- Ter consciência de que a Igreja cresce por atração e testemunho.
A pergunta seguinte é: Como é que cada um/a de nós pode fazer isso?
Os documentos e as vivências da Igreja de Moçambique, que nos chegam a partir da Paróquia de Santa Cecília de Ocua, a paróquia 552 extraterritorial da Arquidiocese de Braga na nossa Diocese-irmã de Pemba, que corresponde territorialmente à província de Cabo Delgado, em Moçambique, dá algumas pistas:
- Desde a Primeira Assembleia Nacional da Pastoral, que decorreu em 1977, num momento em que o país era joeirado por uma guerra civil, que a Igreja de Moçambique passou a ser uma Igreja Ministerial, de comunidades eclesiais de base em que, não havendo sacerdotes diocesanos nem missionários que assumissem todas as paróquias/comunidades, os leigos trabalham de forma perfeitamente autónoma, assumindo os vários ministérios nas comunidades: a animação e coordenação da comunidade (conselho pastoral, conselho económico, animador zonal, animador da comunidade, animador do canto); a celebração da Palavra (animador da Palavra, grupos de oração); a evangelização (catecumenado, catequese, preparação dos sacramentos, animador dos jovens); o serviço da caridade com os mais pobres e doentes (animador da caridade, comissão da mulher e da criança); a distribuição da Eucaristia (Ministros Extraordinários da Comunhão).
- As comunidades “sentam-se” para decidir quem são os responsáveis por cada um dos ministérios (assim como também se sentam para discernir caso algum elemento da comunidade não tenha um comportamento idóneo), para eleger os que estão aptos ao Batismo, pois a comunidade é responsável por todos/as e pelo bom exemplo que cada um/a dos seus elementos dá.
- As celebrações são de festa, com muita música e dança porque, à semelhança dos primeiros cristãos, o perfume do Evangelho difunde-se através das pessoas, “suscitando aquela alegria que só o Espírito nos pode dar” .
- Esta alegria de celebrar a fé é cultural, mas também transversal a crianças, jovens, adultos e velhos. Todos participam com entusiasmo e com papéis bem definidos na comunidade, mesmo no meio de todas as dificuldades que a vida traz.
É verdade que esta alegria de celebrar é, em parte, cultural (atenção: não estou a dizer que as pessoas são felizes – alegria é cultural; felicidade é humana), mas também é a alegria de uma Igreja jovem, que tem a esperança da juventude num futuro melhor, e que tem a força do amor que vem da comunidade.
Os Atos dos Apóstolos, livro que os discípulos missionários têm sempre à mão, também nos dá algumas pistas: “É o livro que mostra como o perfume do Evangelho se difundiu à passagem deles, suscitando aquela alegria que só o Espírito nos pode dar. O livro dos Atos dos Apóstolos ensina-nos a viver as provações unindo-nos a Cristo, para maturar a «convicção de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos», e a certeza de que «a pessoa que se oferece e entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda (cf. Jo 15, 5)» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 279)” .
Sabemos que a nossa Igreja, na Europa, é mais antiga mas também menos motivada para as mudanças. Não seria de aproveitar a ousadia da nossa Juventude (e até as Jornadas Mundiais da Juventude, em 2023, aqui entre nós) para cultivar a criatividade e o espírito crítico, o amor e a corresponsabilidade da comunidade, que nos faz ir mais longe? Uma igreja genuinamente ministerial, organizada em comunidades mais pequenas, não será também isto o caminho da sinodalidade?