A varíola Monkeypox (MPX) é uma doença viral relatada no mundo desde 1958 e recebe esse nome por ter sido inicialmente descrita em macacos. Apesar do nome da doença, os primatas não humanos não devem sofrer qualquer tipo de retaliação, eles não são reservatórios para o vírus e o surto atual não tem relação com eles.
No dia 7 de maio de 2022 a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) reportou o primeiro caso de varíola causada pelo vírus Monkeypox do atual surto. De lá para cá, vários casos foram reportados em diversos países do mundo, incluindo o Brasil. No cenário mundial, até 29 de julho de 2022, foram notificados 23.454 casos distribuídos em 77 países com 21.775 casos confirmados.
Quais são os sintomas da doença?
Os sintomas normalmente são: febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, fraqueza, ínguas e na sequência desses sintomas, podem surgir as lesões de pele. A erupção cutânea (exantema) geralmente começa dentro de um a três dias após o início da febre, podem começar como manchas ou ser levemente elevadas, evoluem como bolhas, preenchidas com líquido claro ou amarelado e depois crostas que secam e caem.
Na maioria dos casos, os sintomas da Monkeypox duram entre duas e quatro semanas desaparecem sozinhos, mas em raras situações, podem provocar complicações médicas e até mesmo a morte.
Crianças menores de 8 anos, gestantes e pessoas com problemas de imunidade estão em maior rico para as formas mais graves da doença.
- A) Vesícula precoce 3mm de diâmetro
- B) Pústula pequena 2mm de diâmetro
- C) Pústula umbelicada 3-4mm de diâmetro
- D) Lesão ulcerada 5mm de diâmetro
- E) Crosta de uma lesão madura
- F) Crosta parcialmente removida
Como a doença é transmitida?
As pessoas podem transmitir a doença enquanto apresentam sintomas, até que as lesões de pele cicatrizem (geralmente entre 4 e 6 semanas). Essa doença pode ser contraída pelo contato físico próximo com alguém que tenha sintomas. As lesões de pele, os fluídos corporais (tais como pus ou sangue de lesões cutâneas) e as crostas são particularmente infecciosos.
Lesões ou feridas na boca também podem transmitir a doença, o que significa que o vírus pode se propagar pela saliva. Atualmente não se sabe se a varíola dos macacos é transmitida por vias de transmissão sexual (sêmen ou fluidos vaginais, por exemplo), mas o contato direto da pele com a pele com lesões durante a atividade sexual pode propagar o vírus.
O contato muito próximo com gotículas respiratórias de uma pessoa infectada também pode ser um meio de transmissão, no entanto, a possibilidade de transmissão por vias aéreas, pela tosse, espirros ou fala ainda precisa ser mais bem estudada.
Roupas pessoais, roupas de cama, toalhas ou objetos como utensílios/pratos contaminados com o vírus por uma pessoa infectada também podem infectar outras pessoas.
O vírus também pode ser transmitido da mãe para o feto a partir da placenta.
A transmissão de animais para as pessoas não têm sido uma forma importante de transmissão no surto atual, porém pessoas com diagnóstico de Monkeypox e que tenham animais domésticos mamíferos, devem evitar o contato com esses animais durante o período de transmissão.
Como posso me proteger e proteger os outros da doença?
É possível reduzir o risco de infecção pela MPX ao limitar o contato com pessoas que estão sob suspeita ou que confirmaram o diagnóstico da doença.
Higienizar as mãos com frequência é uma medida capaz de reduzir o risco de infecção por várias doenças, incluindo a MPX.
Pessoas com condições de risco aumentado para as formas mais severas de MPX, como gestantes e imunossuprimidos, devem consultar um especialista e avaliar a inclusão de medidas adicionais de proteção.
O que devo fazer se suspeitar que estou com a doença?
Se a pessoa apresenta sintomas ou teve contato próximo com alguém infectado com Monkeypox, deverá contactar com um profissional de saúde para aconselhamento, avaliação e assistência médica.
O diagnóstico é feito por testes específicos em laboratórios especializados e através de solicitação médica.
O que devo fazer se receber o diagnóstico de Monkeypox?
O caso confirmado de MPX deverá se manter em isolamento até que a erupção cutânea esteja totalmente resolvida, ou seja, até que todas as crostas tenham caído e uma nova camada de pele intacta tenha se formado. Durante esse período de recuperação é importante:
- Não sair de casa, exceto quando necessário para emergências ou cuidados médicos de acompanhamento;
- Contato com amigos, familiares somente em emergências;
- Não praticar atividade sexual que envolva contato íntimo;
- Não compartilhar itens potencialmente contaminados, como roupas de cama, roupas, toalhas, panos de prato, copos ou talheres;
- Limpar e desinfetar rotineiramente superfícies e itens comumente tocados, como balcões ou interruptores de luz, usando desinfetante acordo com as instruções do fabricante;
- Usar máscaras cirúrgicas bem ajustado quando estiver em contato próximo com outras pessoas em casa;
- Higiene das mãos (ou seja, lavagem das mãos com água e sabão ou uso de desinfetante para as mãos à base de álcool) deve ser realizada por pessoas infectadas e contatos domiciliares após tocar no material da lesão, roupas, lençóis ou superfícies ambientais que possam ter tido contato com o material da lesão.
- Caso utilize lentes de contato evite nesse período para prevenir possíveis infecções oculares;
- Evite depilar áreas do corpo cobertas de erupções cutâneas, pois isso pode levar à propagação do vírus.
E mais:
- Se possível, use um banheiro separado de outras pessoas que moram no mesmo domicílio (se houver outras pessoas que residem na mesma casa);
- Se não tiver a possibilidade de um banheiro separado em casa, a pessoa deverá limpar e desinfetar superfícies como balcões, assentos sanitários, torneiras, usando um desinfetante depois de usar um espaço compartilhado. Isso inclui: atividades como tomar banho, usar o banheiro ou trocar bandagens que cobrem a erupção cutânea. Considere o uso de luvas descartáveis durante a limpeza se houver erupção nas mãos;
- Evitar a contaminação de móveis estofados e outros materiais porosos que não podem ser lavados colocando lençóis, capas de colchão impermeáveis, cobertores ou lonas sobre essas superfícies;
- A roupa suja não deve ser sacudida para evitar a dispersão de partículas infecciosas;
- Cuidado ao manusear a roupa suja para evitar o contato direto com o material contaminado;
- Roupas de cama, toalhas e vestimentas devem ser lavadas separadamente. Podem ser lavadas em uma máquina de lavar, se possível com água morna e com detergente; não é obrigatório o uso de produtos especiais;
- Pratos e outros talheres não devem ser compartilhados. A louça suja e os talheres devem ser lavados com água morna e sabão na máquina de lavar louça ou à mão.
Existe tratamento ou Vacina?
Um antiviral desenvolvido para tratar a varíola (Tecovirimat) foi aprovado em janeiro de 2022 pela Agência Europeia de Medicamentos para o tratamento da Monkeypox, mas ainda não está disponível no Brasil. Felizmente, a maioria dos casos evolui de forma benigna e sem a necessidade de tratamento específico.
Se necessário, medicamentos para dor (analgésicos) e febre podem ser usados para aliviar alguns sintomas. É importante que qualquer pessoa com Monkeypox fique hidratada, coma bem e durma o suficiente.
Deve-se evitar coçar a pele e cuidar da erupção, limpando as mãos antes e depois de tocar nas lesões e mantendo a pele seca e descoberta. Se estiver na presença de outra pessoa, deve cobrir a lesão com roupas ou um curativo. A erupção pode ser mantida limpa com água esterilizada ou antisséptico. Um profissional de saúde deve orientar a pessoa nesses cuidados.
Atualmente há uma vacina desenvolvida para o MPX (MVA-BN) que foi aprovada em 2019, mas ainda não está disponível no Brasil. Pessoas vacinadas para varíola (até a década de 1980) podem estar protegidas contra a Monkeypox, mas ainda não há clareza sobre essa proteção.
O que fazer se tive contato com alguém com Monkeypox?
São consideradas como exposição as seguintes situações:
- Exposição sem proteção respiratória (particularmente relevante para trabalhadores da saúde);
- Contato físico direto, incluindo contato sexual;
- Contato com materiais contaminados, como roupas ou roupas de cama.
Com o apoio de um profissional de saúde o monitoramento de contatos é recomendado a cada 24 horas, para detecção do aparecimento de sinais e sintomas, por um período de 21 dias a partir do último contato com um paciente no período infeccioso. Os contatos devem verificar a temperatura corporal duas vezes por dia.
Caso o contato desenvolva sintomas, o indivíduo deve ser isolado e avaliado como um caso suspeito por um profissional de saúde.
Autor
Dr. Livio, infectologista pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Médico do Controle de Infecção do Grupo Santa Joana - Maternidade Pro Matre Paulista. Médico do Grupo Técnico Médico Hospitalar do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo. Membro do Comitê de Infecção Hospitalar do Estado de São Paulo. Atuou como membro da Diretoria da Associação Paulista de Controle e Epidemiologia de Infecções Hospitalares (APECIH) e foi Colaborador internacional em pesquisa do Children's Hospital da Filadélfia.
Fontes
- Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Informe Diário de Monkeypox Número 05 SE29. 21 de julho de 2022. Brasília; 2022.
- Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Comunicação de Risco Rede CIEVS Número 06. 22 de maio de 2022. Brasília; 2022.
- Organización Panamericana de la Salud / Organización Mundial de la Salud. Alerta Epidemiológica: Viruela símica en países no endémicos, 20 de mayo de 2022. Washington.
- Agência Fiocruz de Notícias. https://agencia.fiocruz.br/monkeypox-perguntas-e-respostas-sintomas; acesso em 11 de agosto de 2022.