MATAS DO SISTEMA GURJAÚ-PE Reserva de Vida Silvestre
Localização
ACESSO:
Partindo do Recife, a distância para chegar à Reserva é de 33,1 Km, levando em consideração o percurso da Rodovia Federal (PE 025) até o portão de entrada da ETA de Gurjaú. A estrada que dá acesso à Usina Bom Jesus, mesmo não sendo asfaltada, permanece em bom estado no período seco, o percurso de carro normalmente leva 30 minutos de Recife até a sede da Reserva. O acesso pelo Município de Jaboatão dos Guararapes se dá pela PE 007, com acesso pela Igreja Colônia dos Padres (Jaboatão Velho). É uma estrada de terra que leva aos engenhos Palmeiras, Macujé, Pedra Lavrada, Secupema até chegar ao Engenho São Salvador, pertencente à Reserva.
LINHAS DE TRANSPORTE QUE SERVEM À UNIDADE:
=>Recife: Linha: 182 (Cabo-Gurjaú) - Empresa: São Judas Tadeu - Terminal: Cais de Santa Rita - Horário de Segunda a Sábado: Sentido Recife/ Gurjaú 10:30h/ 16:30h; Sentido Gurjaú/Recife 5:00h/ 12:00h; => Cabo: Linha: Gurjaú - Empresa: Transpirapama - Terminal: Em frente à Secretaria da Fazenda do Cabo de Santo Agostinho - Horário de Segunda a Sexta: 5:00h as 22:00h (ônibus de hora em hora, tendo uma viagem às 19:15h e depois desta um intervalo, sendo a última viagem às 22:20h).Sábado e Domingo: 5:00h às 19:15h (ônibus de hora em hora). => Linha: Roças Velhas - Terminal: Cabo sede, Horário de Segunda à Sexta: 7:30h; 12:30h; 17:30h e 19:15h. Sábado: 6:00h; 10:00h; 12:00h; 14:00h; 16:00h e 18:00h.
A UNIDADE DE CONSERVAÇÃO
A Reserva Ecológica de Gurjaú foi instituída pelo então governador do Estado de Pernambuco, Gustavo Krause, que transformou 8.593,94 Ha de terras em Reservas Ecológicas, visando a proteção e preservação de remanescentes de mata atlântica. Foi criada pela Lei estadual n° 9.989 de 13 de janeiro de 1987. Originalmente, o sistema Gurjaú era destinado ao abastecimento d’água de Recife, inclusive do bairro de Boa Viagem e parte de Piedade. Posteriormente, em meados da década de 70, foi elaborado o projeto do Sistema Regional Sul.
ABASTECIMENTO DE ÁGUA
De posse administrativa da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA, o sistema do Gurjaú teve inicio de operação do sistema em 1918 (Primeiras unidades implantadas por Saturnino de Brito). Produz, aproximadamente, 9% do volume distribuído na Região Metropolitana do Recife, abrangendo Ponte dos Carvalhos, Pontezinha, anel da Muribeca, Dist. Industrial de Prazeres, Jordão, Candeias, Piedade, Barra de Jangada, Vila da Muribeca e parte do Recife. Mananciais: Rio Gurjaú, Rio Sicupema e Rio Pirapama (COMPESA, 2016).
ESTAÇÃO DE TRATAMENTO D'ÁGUA
A ETA Gurjaú está localizada no Município do Cabo de Santo Agostinho, na mesma estrada de acesso da Usina Bom Jesus. Tem capacidade de tratamento de 1.000 l/s e foi construída no período 1944-1952 logo a jusante da captação, substituiu a implantada por Saturnino de Brito em 1918 que constava de 4 baterias, cada uma com 8 filtros de pressão, alojadas em um prédio que foi paulatinamente ampliado a medida em que se aumentava a capacidade de tratamento.
ASPECTOS GEOAMBIENTAIS
O clima da região é quente e úmido com chuvas de outono-inverno, numa temperatura de aproximadamente 23 ° C. Sendo os período de chuva entre março a agosto e a estiagem de setembro a fevereiro. Cristalino e da Formação Cabo. Apresenta altitudes que variam entre 80m e 130m, com características de uma região tropical úmida. Encontra-se na área os mares de morros, paisagens de formas de relevo modeladas em rochas muito antigas, constitutivas do embasamento Cristalino (CPRH, 1999b, p.6).
FLORA
Pertencente ao bioma Mata Atlântica, a cobertura vegetal apresenta árvores com altura entre 20 e 40m em que se observa: pau-ferro, visgueiro, marmajuba, pirauá, pau-d'óleo, oiticia-da-mata, ingá-caixão, murici-damata, maçaranduba, pau-d'arco, pau-d´arco-amarelo, camaçari, dentre outras(ANDRADE LIMA 1957, 1960; SILVA E ATAÍDE 2003)
FAUNA
A fauna é composta por repteis, anfíbios, mamíferos, peixes, aves, crustáceos, insetos, entre outros, muitos são espécies ameaçadas de extinção. Exemplos: lagartos, camaleão, cágado, jararaca, urubu, gavião, carcará, traíra, cará, piaba, gundelo, tamanduá, tatu.
Vídeo feito por alunos da disciplina de Ecologia Geral 2 (UFPE), demostrando a fauna de Anuros na Reserva Ecológicade Gurjaú em Cabo de Santo Agostinho-PE
AS ÁGUAS DO GURJAÚ
A Reserva do Gurjaú faz parte da bacia hidrográfica do rio Gurjaú, principal afluente do rio Pirapama (Gama 2000). O rio Gurjaú tem uma bacia hidrográfica de 114 Km2 e corta a região com um curso aproximadamente NW-SE.
Após a barragem de Gurjaú, o rio segue formando cachoeira e poços, a cachoeira é um atrativo local onde o leito do rio forma uma corredeira e quedas naturais. Após a cachoeira, o Gurjaú deixa os limites da reserva, atravessa a estrada de acesso a Pau Santo e segue em sentido à Usina Bom Jesus. Na área de São Salvador, segundo moradores locais, existem aproximadamente 200 nascentes, que abastecem o açude de Secupema e Gurjaú, até o momento foram mapeadas cerca de 12 nascentes.
As águas do Gurjaú são um convite ao banho e a contemplação dos recursos naturais. Há o uso bastante intenso pela população local e por visitantes, como se pode ver em inúmeros vídeos postados em canais do YouTube.
ASPECTOS SOCIOCULTURAIS E HISTÓRICOS
O aspecto cultural e histórico da área onde se situa a Reserva confunde-se com a própria história da colonização do Brasil através da fundação dos engenhos e do desenvolvimento da cultura canavieira no estado de Pernambuco. No início do século XX, alguns engenhos foram desapropriados ou comprados pelo Estado de Pernambuco para a tomada de abastecimento d’água. Dentre estes, os que compõem a Reserva Ecológica de Gurjaú. São os engenhos São João, Secupema e São Salvador. Os engenhos São Braz, Bom Jesus, Barbalho, Gurjaú, Gurjaú de Baixo, Gurjaú de Cima, Novo da Conceição, Trapiche também constitui parte por circundar a reserva, mas ainda exercem atividade econômica. O nome da reserva se dá ao rio que o corta, chamado de Gurjaú. Ele o segundo rio mais importante do município de Moreno - PE, perdendo apenas para o rio Jaboatão, sendo um manancial importantíssimo para o abastecimento da bacia do pirapama. Em 1913 foi construída a primeira barragem, no engenho de São João, para o aproveitamento de suas águas no serviço sanitário de abastecimento da capital do Pernambuco.
CONJUNTO HISTÓRICO E ARQUITETÔNICO
O local possui um destacado acervo de engenhos, igreja, e outras instalações antigas que marcam bem as características econômicas e sócias da época em que foram construídos: Ruínas de São Salvador, Banheiro das Princesas, Casa da Moeda, Resquícios da Estrada do Troler, Conjunto Arquitetônico da ETA, Conjunto Edificado do Engenho São Brás.
CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS
O local enfrenta problemas com a dificuldade de fiscalização da área por ser esta de grande extensão e ter o agravante de populações alocadas dentro da Unidade. Assoreamento de leitos, derrubada da mata ciliar, plantio familiar (roça), entre outros é comum de serem vistos. A gestão tem realizado trabalhos de conscientização e educação ambiental com a população afim de que possa realizar um trabalho conjunto de proteção dos recursos naturais da área.
Ações de combate a crimes ambientais e educação ambiental com a comunidade local
TRILHAS DO GURJAÚ
Na atualidade, as trilhas têm sido utilizadas como via de condução a ambientes naturais, para contemplação da natureza, prática de esportes radicais, recreação ecoturismo.
O inicio dos percursos são diversos devido ao tamanho da reserva e a localização administrativa – geográfica entre várias cidades. O que acaba dificultado também à fiscalização e monitoramento dos usuários.
As trilhas do Complexo do Gurjaú são em sua grande maioria de curta distância de forma linear e exige pouco preparo físico dos usuários. No entanto em dias de Chuva há risco de escorregamentos devido ao solo encharcado.
Servem a usos variados de diversos grupos: Moradores do local, Escolas de ensino infantil ao médio, Cursos técnicos, Universidades e pesquisadores, Empresas de Ecoturismo e grupos independentes, Grupos Religiosos, Empresas de ecoturismo de aventura.
Como se comportar durante as trilhas
- Primeiro passo é entrar em contato com a administração do local para informar sua ida ou do seu grupo e verificar a disponibilidade da visita e saber dos regulamentos a serem seguidos
- Esteja sempre acompanhado do Guia local capacitado, bem como siga todas as orientações que são passadas e não se distancie do grupo
- Não tente fazer atalhos dentro das trilhas já existentes. O formato das trilhas servem de proteção as chuvas
- Não interfira, não moleste ou capture indivíduos da fauna ou da flora
- Evite fazer barulhos, nada de gritos ou aparelhos de som alto
- Não corra nas trilhas.
- Não extrapole a capacidade de suporte das trilhas
- Tenha em mãos um saco para depositar seu lixo.
- Não propague sementes. É bastante comum as pessoas jogarem lixo orgânico e sementes nas trilhas isso ocasiona em interferência a flora com o surgimento de espécies não nativa do local.
- Se achar algum resíduo prejudicial ao meio ambiente recolha e descarte em local seguro
- Não faça suas necessidades fisiológicas nas trilhas, principalmente próximo a corpos de água
- Evite fazer grupos grandes para diminuir ou evitar maiores impactos ambientais.
- Não se aproxime de animais e não os alimente.
- Não retire plantas(nem orquídeas, tuca), pedras, conchas, etc, pois os mesmo fazem parte do ecossistema natural do local e pertencem a um ciclo próprio.
- Não leve animais domésticos com você nas trilhas
Tente interferir o mínimo possível, faça com que após a sua saída não haja indícios de que você passou por lá. Assim você estará contribuindo para conservar os recursos naturais e poderá usufruir de um ambiente natural e sem impactos humanos.
FONTES CONSULTADAS: http://www.cprh.pe.gov.br/.../Protecao_Integral/Resec_Gurjau; http://docplayer.com.br/3471851-4-5-planejamento-4-5-1; http://www.cprh.pe.gov.br/downloads/caracterizacao.pdf; http://repositorio.ufpe.br:8080/.../892/arquivo1943_1.pdf; http://servicos.compesa.com.br/.../upl.../2016/01/gurjau.pdf
Responsáveis pela organização desse material: Arthur Vinicius; Isllan D'Eric; Luiz Eduardo; Yalen Belarmino; Wilha Roberta (Ciências Ambientais - UFPE, sob orientação do Prof. Dr. Gilberto Rodrigues - Ecologia Geral II)