MATAS DO SISTEMA GURJAÚ-PE Reserva de Vida Silvestre

Localização

A Reserva Ecológica de Gurjaú encontra-se inserida na porção sul da Região Metropolitana do Grande Recife, na divisa dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Moreno, entre os Engenhos: Salvador, São Braz, São João e Roças Velhas, totalizando uma área de 1.077,1 hectares.
(Fonte: CPRH)

ACESSO:

Partindo do Recife, a distância para chegar à Reserva é de 33,1 Km, levando em consideração o percurso da Rodovia Federal (PE 025) até o portão de entrada da ETA de Gurjaú. A estrada que dá acesso à Usina Bom Jesus, mesmo não sendo asfaltada, permanece em bom estado no período seco, o percurso de carro normalmente leva 30 minutos de Recife até a sede da Reserva. O acesso pelo Município de Jaboatão dos Guararapes se dá pela PE 007, com acesso pela Igreja Colônia dos Padres (Jaboatão Velho). É uma estrada de terra que leva aos engenhos Palmeiras, Macujé, Pedra Lavrada, Secupema até chegar ao Engenho São Salvador, pertencente à Reserva.

Localização em relação a Recife

LINHAS DE TRANSPORTE QUE SERVEM À UNIDADE:

=>Recife: Linha: 182 (Cabo-Gurjaú) - Empresa: São Judas Tadeu - Terminal: Cais de Santa Rita - Horário de Segunda a Sábado: Sentido Recife/ Gurjaú 10:30h/ 16:30h; Sentido Gurjaú/Recife 5:00h/ 12:00h; => Cabo: Linha: Gurjaú - Empresa: Transpirapama - Terminal: Em frente à Secretaria da Fazenda do Cabo de Santo Agostinho - Horário de Segunda a Sexta: 5:00h as 22:00h (ônibus de hora em hora, tendo uma viagem às 19:15h e depois desta um intervalo, sendo a última viagem às 22:20h).Sábado e Domingo: 5:00h às 19:15h (ônibus de hora em hora). => Linha: Roças Velhas - Terminal: Cabo sede, Horário de Segunda à Sexta: 7:30h; 12:30h; 17:30h e 19:15h. Sábado: 6:00h; 10:00h; 12:00h; 14:00h; 16:00h e 18:00h.

Cais de Santa Rita Recife via Gurjaú

A UNIDADE DE CONSERVAÇÃO

(Foto: Wilha Roberta, 2016)

A Reserva Ecológica de Gurjaú foi instituída pelo então governador do Estado de Pernambuco, Gustavo Krause, que transformou 8.593,94 Ha de terras em Reservas Ecológicas, visando a proteção e preservação de remanescentes de mata atlântica. Foi criada pela Lei estadual n° 9.989 de 13 de janeiro de 1987. Originalmente, o sistema Gurjaú era destinado ao abastecimento d’água de Recife, inclusive do bairro de Boa Viagem e parte de Piedade. Posteriormente, em meados da década de 70, foi elaborado o projeto do Sistema Regional Sul.

(Foto: Brunna Cavalcanti, 2016)
ABASTECIMENTO DE ÁGUA
(Foto: Wilha Roberta, 2016)

De posse administrativa da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA, o sistema do Gurjaú teve inicio de operação do sistema em 1918 (Primeiras unidades implantadas por Saturnino de Brito). Produz, aproximadamente, 9% do volume distribuído na Região Metropolitana do Recife, abrangendo Ponte dos Carvalhos, Pontezinha, anel da Muribeca, Dist. Industrial de Prazeres, Jordão, Candeias, Piedade, Barra de Jangada, Vila da Muribeca e parte do Recife. Mananciais: Rio Gurjaú, Rio Sicupema e Rio Pirapama (COMPESA, 2016).

(Fonte: CPRH)
ESTAÇÃO DE TRATAMENTO D'ÁGUA

A ETA Gurjaú está localizada no Município do Cabo de Santo Agostinho, na mesma estrada de acesso da Usina Bom Jesus. Tem capacidade de tratamento de 1.000 l/s e foi construída no período 1944-1952 logo a jusante da captação, substituiu a implantada por Saturnino de Brito em 1918 que constava de 4 baterias, cada uma com 8 filtros de pressão, alojadas em um prédio que foi paulatinamente ampliado a medida em que se aumentava a capacidade de tratamento.

Estudantes do curso de Ciências Ambientais da UFPE em visita a unidade de tratamento de água. (foto: Wilha Roberta, 2016)
Instalações do setor de tratamento de água (fotos: Wilha Roberta, 2016)
ASPECTOS GEOAMBIENTAIS
(Foto: Brunna Cavalcanti, 2016)

O clima da região é quente e úmido com chuvas de outono-inverno, numa temperatura de aproximadamente 23 ° C. Sendo os período de chuva entre março a agosto e a estiagem de setembro a fevereiro. Cristalino e da Formação Cabo. Apresenta altitudes que variam entre 80m e 130m, com características de uma região tropical úmida. Encontra-se na área os mares de morros, paisagens de formas de relevo modeladas em rochas muito antigas, constitutivas do embasamento Cristalino (CPRH, 1999b, p.6).

FLORA

Pertencente ao bioma Mata Atlântica, a cobertura vegetal apresenta árvores com altura entre 20 e 40m em que se observa: pau-ferro, visgueiro, marmajuba, pirauá, pau-d'óleo, oiticia-da-mata, ingá-caixão, murici-damata, maçaranduba, pau-d'arco, pau-d´arco-amarelo, camaçari, dentre outras(ANDRADE LIMA 1957, 1960; SILVA E ATAÍDE 2003)

(Fonte: CPRH)
(Fonte: CPRH)
(fonte: CPRH)
(fonte: CPRH)
Perfil da mata ciliar (Fonte: CPRH)
FAUNA

A fauna é composta por repteis, anfíbios, mamíferos, peixes, aves, crustáceos, insetos, entre outros, muitos são espécies ameaçadas de extinção. Exemplos: lagartos, camaleão, cágado, jararaca, urubu, gavião, carcará, traíra, cará, piaba, gundelo, tamanduá, tatu.

(fonte: CPRH)
(Fonte: CPRH)
Trabalho na área de ecologia com Odonatas "Libélulas" de aluna da UFPE 2016.
(fonte: CPRH)
(fonte: CPRH)
Trabalho com ecologia de Anuros - alunos da UFPE (foto: Wilha Roberta, 2016)
Trabalho com ecologia de Anuros - alunos da UFPE (foto: Wilha Roberta, 2016)
Soltura de animais (Foto: Wilha Roberta, 2016)
Camarão Pitu (Foto: Wilha Roberta, 2016)

Vídeo feito por alunos da disciplina de Ecologia Geral 2 (UFPE), demostrando a fauna de Anuros na Reserva Ecológicade Gurjaú em Cabo de Santo Agostinho-PE

AS ÁGUAS DO GURJAÚ

A Reserva do Gurjaú faz parte da bacia hidrográfica do rio Gurjaú, principal afluente do rio Pirapama (Gama 2000). O rio Gurjaú tem uma bacia hidrográfica de 114 Km2 e corta a região com um curso aproximadamente NW-SE.

Vista do açude do Gurjaú (Foto: Brunna Cavalcanti, 2016)
(Foto: Wilha Roberta, 2016)
Corredeiras - (Foto: Wilha Roberta, 2016)

Após a barragem de Gurjaú, o rio segue formando cachoeira e poços, a cachoeira é um atrativo local onde o leito do rio forma uma corredeira e quedas naturais. Após a cachoeira, o Gurjaú deixa os limites da reserva, atravessa a estrada de acesso a Pau Santo e segue em sentido à Usina Bom Jesus. Na área de São Salvador, segundo moradores locais, existem aproximadamente 200 nascentes, que abastecem o açude de Secupema e Gurjaú, até o momento foram mapeadas cerca de 12 nascentes.

(Foto: Wilha Roberta, 2016)
(Foto: Wilha Roberta, 2016)
(Foto: Wilha Roberta, 2016)
(Fonte: Aquabike)

As águas do Gurjaú são um convite ao banho e a contemplação dos recursos naturais. Há o uso bastante intenso pela população local e por visitantes, como se pode ver em inúmeros vídeos postados em canais do YouTube.

ASPECTOS SOCIOCULTURAIS E HISTÓRICOS
(Imagem Ilustrativa: Casa Grande do Engenho Muribequinha- Fonte: jaboataodosguararapes. com.br)

O aspecto cultural e histórico da área onde se situa a Reserva confunde-se com a própria história da colonização do Brasil através da fundação dos engenhos e do desenvolvimento da cultura canavieira no estado de Pernambuco. No início do século XX, alguns engenhos foram desapropriados ou comprados pelo Estado de Pernambuco para a tomada de abastecimento d’água. Dentre estes, os que compõem a Reserva Ecológica de Gurjaú. São os engenhos São João, Secupema e São Salvador. Os engenhos São Braz, Bom Jesus, Barbalho, Gurjaú, Gurjaú de Baixo, Gurjaú de Cima, Novo da Conceição, Trapiche também constitui parte por circundar a reserva, mas ainda exercem atividade econômica. O nome da reserva se dá ao rio que o corta, chamado de Gurjaú. Ele o segundo rio mais importante do município de Moreno - PE, perdendo apenas para o rio Jaboatão, sendo um manancial importantíssimo para o abastecimento da bacia do pirapama. Em 1913 foi construída a primeira barragem, no engenho de São João, para o aproveitamento de suas águas no serviço sanitário de abastecimento da capital do Pernambuco.

(Casa Grande - Fonte: CPRH)
CONJUNTO HISTÓRICO E ARQUITETÔNICO

O local possui um destacado acervo de engenhos, igreja, e outras instalações antigas que marcam bem as características econômicas e sócias da época em que foram construídos: Ruínas de São Salvador, Banheiro das Princesas, Casa da Moeda, Resquícios da Estrada do Troler, Conjunto Arquitetônico da ETA, Conjunto Edificado do Engenho São Brás.

Capela do Engenho São Braz
Casa Grande Gurjaú de Baixo
Engenho Gurjaú de Baixo
CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS
Lixo em frente de uma casa as margens do rio dentro da unidade (Foto: Wilha Roberta, 2016)

O local enfrenta problemas com a dificuldade de fiscalização da área por ser esta de grande extensão e ter o agravante de populações alocadas dentro da Unidade. Assoreamento de leitos, derrubada da mata ciliar, plantio familiar (roça), entre outros é comum de serem vistos. A gestão tem realizado trabalhos de conscientização e educação ambiental com a população afim de que possa realizar um trabalho conjunto de proteção dos recursos naturais da área.

Bar as margens do rio (Foto: Wilha Roberta, 2016)
Introdução de espécies não nativas no local por meio de plantio e de lixo orgânico como sementes (Foto: Wilha Roberta, 2016)
Vila dentro da unidade (Foto: Wilha Roberta)

Ações de combate a crimes ambientais e educação ambiental com a comunidade local

(Fonte: CPRH)
TRILHAS DO GURJAÚ
As trilhas da Unidade de Conservação do Complexo do Gurjaú são indicadas como as melhores para se fazer na Região Metropolitana da Grande Recife. Mas infelizmente os momentos de descontração de visitantes podem trazer diversos problemas aos ecossistemas locais.

Na atualidade, as trilhas têm sido utilizadas como via de condução a ambientes naturais, para contemplação da natureza, prática de esportes radicais, recreação ecoturismo.

(Foto: AquaBiky)

O inicio dos percursos são diversos devido ao tamanho da reserva e a localização administrativa – geográfica entre várias cidades. O que acaba dificultado também à fiscalização e monitoramento dos usuários.

Trilhas a pé - estudantes da UFPE em visita a unidade (Foto: Wilha Roberta, 2016)

As trilhas do Complexo do Gurjaú são em sua grande maioria de curta distância de forma linear e exige pouco preparo físico dos usuários. No entanto em dias de Chuva há risco de escorregamentos devido ao solo encharcado.

Servem a usos variados de diversos grupos: Moradores do local, Escolas de ensino infantil ao médio, Cursos técnicos, Universidades e pesquisadores, Empresas de Ecoturismo e grupos independentes, Grupos Religiosos, Empresas de ecoturismo de aventura.

As trilhas por si só já são uma interferência do homem no meio natural que podem ser dinamizadas pelos impactos ocasionados pelo mau uso desses espaços. Exemplos de problemas encontrados em trilhas que podemos citar são: inserção de espécies não nativas, erosão e compactação do solo, afugentamento da fauna, pisoteio de plantas, lixo, entre outros.

Como se comportar durante as trilhas

  1. Primeiro passo é entrar em contato com a administração do local para informar sua ida ou do seu grupo e verificar a disponibilidade da visita e saber dos regulamentos a serem seguidos
  2. Esteja sempre acompanhado do Guia local capacitado, bem como siga todas as orientações que são passadas e não se distancie do grupo
  3. Não tente fazer atalhos dentro das trilhas já existentes. O formato das trilhas servem de proteção as chuvas
  4. Não interfira, não moleste ou capture indivíduos da fauna ou da flora
  5. Evite fazer barulhos, nada de gritos ou aparelhos de som alto
  6. Não corra nas trilhas.
  7. Não extrapole a capacidade de suporte das trilhas
  8. Tenha em mãos um saco para depositar seu lixo.
  9. Não propague sementes. É bastante comum as pessoas jogarem lixo orgânico e sementes nas trilhas isso ocasiona em interferência a flora com o surgimento de espécies não nativa do local.
  10. Se achar algum resíduo prejudicial ao meio ambiente recolha e descarte em local seguro
  11. Não faça suas necessidades fisiológicas nas trilhas, principalmente próximo a corpos de água
  12. Evite fazer grupos grandes para diminuir ou evitar maiores impactos ambientais.
  13. Não se aproxime de animais e não os alimente.
  14. Não retire plantas(nem orquídeas, tuca), pedras, conchas, etc, pois os mesmo fazem parte do ecossistema natural do local e pertencem a um ciclo próprio.
  15. Não leve animais domésticos com você nas trilhas
(Foto: Wilha Roberta, 2016)

Tente interferir o mínimo possível, faça com que após a sua saída não haja indícios de que você passou por lá. Assim você estará contribuindo para conservar os recursos naturais e poderá usufruir de um ambiente natural e sem impactos humanos.

Pôr do sol em Gurjaú

FONTES CONSULTADAS: http://www.cprh.pe.gov.br/.../Protecao_Integral/Resec_Gurjau; http://docplayer.com.br/3471851-4-5-planejamento-4-5-1; http://www.cprh.pe.gov.br/downloads/caracterizacao.pdf; http://repositorio.ufpe.br:8080/.../892/arquivo1943_1.pdf; http://servicos.compesa.com.br/.../upl.../2016/01/gurjau.pdf

Responsáveis pela organização desse material: Arthur Vinicius; Isllan D'Eric; Luiz Eduardo; Yalen Belarmino; Wilha Roberta (Ciências Ambientais - UFPE, sob orientação do Prof. Dr. Gilberto Rodrigues - Ecologia Geral II)

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