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Formação Integrada para Sustentabilidade MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO PARA COMPETITIVIDADE . LINHA DE SUSTENTABILIDADE

MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.

Como a Formação Integrada funciona na prática?

Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Desta forma, buscamos combinar conteúdos e atividades que promovam:

  • Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
  • Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).

Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:

Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Ao longo dos três semestres da Formação Integrada esperamos que os alunos possam:

  • Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
  • Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
  • Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
  • Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.

Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os alunos possam:

  • Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
  • Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
  • Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
  • Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS

SOBRE ESSE RELATÓRIO

Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade.

  • A cada turma do Mestrado, desenvolvemos de quarto a seis projetos por semestre.
  • Cada projeto é composto por uma equipe de alunos(as) que define seu próprio desafio, identidade e processo de trabalho (stakeholders chave a serem procurados, conteúdos a serem investigados, formato da entrega final, recursos necessários etc).
  • O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.

Questionário Suitability ASG

Pessoas

Alessandra Becker Rieper

Anderson Ignácio

Andreia Cavalcanti

Laura Arias

Natasha Reis

Tomás Kovensky

Victor Mizusaki

Teoria da Mudança

"Ao desenvolvermos um Questionário Suitability ASG junto a distribuidores de produtos financeiros, estes serão capazes de mapear o perfil de risco e as preferências de gestão de portfólio dos investidores de varejo no âmbito ASG. Assim, poderão qualificar e dimensionar a crescente demanda por disclosure de informações ASG nas seções de dados dos produtos oferecidos em suas plataformas e, então, buscar soluções para fazê-lo, permitindo (i) que seus clientes acessem investimentos mais aderentes ao seu perfil considerando também o aspecto socioambiental, (ii) que suas operações estejam mais alinhadas à sua estratégia ASG e (iii) que potenciais riscos de transição relacionados à agenda regulatória ASG sejam mitigados. Adicionalmente, como ganhos globais, a adesão ao Suitability ASG auxilia na conscientização da sociedade sobre o tema por meio de um potente canal de distribuição" Grupo Investimentos ASG - FIS 2022.1

Contexto: as gestoras de recursos, a ANBIMA e a B3 estão criando produtos e índices de sustentabilidade, acompanhando o crescimento do mercado de títulos temáticos e a adoção de uma agenda de sustentabilidade por parte das instituições financeiras. No entanto, muito ainda há de ser discutido em termos de taxonomias, regulamentações e melhores práticas de engajamento e abordagem dos assessores de investimento aos investidores de varejo neste âmbito.

Problema: a ausência de informações ambientais, sociais e de governança (ASG) sobre os produtos financeiros disponibilizados nas plataformas de investimento de distribuidoras faz com que investidores do varejo não tenham dados suficientes para engajar no debate ASG e compreender a totalidade de oportunidades e de riscos atrelados aos ativos em que investem. A indisponibilidade destas informações também interfere no ofício de assessores de investimento, que não podem, portanto, recomendar produtos com base no perfil de investimento ASG destes clientes. Com isso, o mercado perde um grande potencial de mobilização e pressão sobre as gestoras de recursos e as empresas emissoras de títulos para integração da dimensão ASG nas decisões gerenciais e de investimento. Afinal, segundo a Anbima, em fevereiro de 2022, 8,5% de todo o patrimônio líquido da indústria de fundos do Brasil, isto é, R$ 625 bilhões, vinham de investidores de varejo. Em um cenário em que estes investidores detém cada vez mais importância na base de ativos da economia, seu engajamento na agenda ASG poderia ter grande impacto positivo na agenda de desenvolvimento sustentável do Brasil ao mobilizar gestoras e empresas em prol do comprometimento com metas mais audaciosas dessa agenda (como a neutralização na emissão de CO2 por exemplo). No entanto, este potencial não tem sido aproveitado no país, pois a ausência de disclosure dos aspectos ASG de produtos financeiros não estimula os investidores direcionar seus recursos para fundos que oferecem uma melhor relação risco X retorno considerando a dimensão ASG, de forma que somente os investidores proativos que já conhecem o tema conseguem oferta de produtos ASG.

Proposta: diante deste cenário, este grupo se propôs a mapear a forma com que os investidores do varejo se engajam na pauta ASG e a elaborar uma solução para enfrentar as lacunas ferramentais enfrentadas por este público no acesso a dados relacionados a esta dimensão em produtos financeiros. Diante disso, foi desenvolvido o formulário Suitability ASG que deverá ser apresentado a distribuidoras. O Suitability tradicional é uma ferramenta usada por distribuidoras para adequar a sua oferta de produtos a seus clientes de acordo com seu perfil de investimento e por órgãos reguladores para prevenir atitudes comerciais não éticas dos distribuidores. Tendo isto em mente, este grupo expandiu o conceito de Suitability para a dimensão ESG, visando entender a sensibilidade do investidor de varejo especificamente ao risco associado a questões ASG. Assim, as distribuidoras poderão qualificar e dimensionar a crescente demanda por disclosure de informações ASG nas seções de dados dos produtos oferecidos em suas plataformas e, então, buscar soluções para fazê-lo, permitindo (i) que seus clientes acessem investimentos mais aderentes ao seu perfil considerando também o aspecto socioambiental e (ii) que suas operações estejam mais alinhadas à sua estratégia ASG e (iii) que potenciais riscos de transição relacionados à agenda regulatória ASG sejam mitigados. Adicionalmente, como ganhos globais, a adesão ao Suitability ASG auxilia na conscientização da sociedade sobre o tema por meio de um potente canal de distribuição.

Expectativa: espera-se que o exercício construa o caso de negócio para inclusão de labels ASG nas plataformas de investimentos visando maior pressão sobre as gestoras de recursos e as empresas emissoras de títulos para integração da dimensão ASG nas decisões gerenciais e de investimento, para que mais recursos sejam voltados à agenda do desenvolvimento sustentável.

Nosso trabalho envolve, portanto, as distribuidoras como ator principal e os investidores de varejo e os assessores como impulsionadores do resultado esperado.

Investigação e escuta

Inquietações iniciais: o crescimento do mercado de títulos temáticos e a adoção por parte das instituições financeiras de uma agenda de sustentabilidade têm ocorrido de forma veloz no Brasil. No entanto, muito ainda há de ser discutido em termos de taxonomias, regulamentações e melhores práticas de engajamento. Diante deste contexto, propomos discutir como ampliar o acesso à informação para investidores do varejo, de forma a ampliar o debate e as ações em prol do desenvolvimento sustentável e direcionar mais recursos para esta agenda.

Fontes de investigação e coleta de dados

1. Maturação. O processo desenvolvido para explorar a problemática escolhida pelo grupo iniciou-se na etapa de maturação, isto é, compreensão da relevância deste tema no mercado e mapeamento de principais stakeholders. Este processo teve como ponto de partida a organização e realização de um webinar (Kick-off) com diferentes stakeholders, visando compreender melhor quais as suas percepções sobre a temática selecionada. Dado que o tema escolhido era a integração da dimensão ambiental, social e de governança (ASG) nos investimentos, os convidados foram selecionados por categorias da seguinte forma: (i) Reguladores - Cesar Sanches (B3) e Juliana Agostino (Anbima); (ii) Asset Managers - Carolina da Costa (Mauá Capital), Frederic de-Mariz (UBS) e Rafael Gersely (Finance in Motion); (iii) Distribuidores - Alexandre Silva (Real Invest) e (iv) ONGs - Mariá Toledo (WWF). Contamos também com a perspectiva dos (v) Investidores de Varejo de maneira transversal, já que todos os integrantes do grupo entravam nesta categoria. Em seguida, o grupo buscou coletar e sistematizar informações sobre o assunto. Dentre as

Em seguida, o grupo buscou coletar e sistematizar informações sobre o assunto. Dentre as fontes acessadas durante a etapa de coleta de dados estão: 1) Tese de Juliana de Agostino -  "Uma análise dos fatores que podem contribuir para um maior grau de adoção da análise ASG pelos gestores de recursos no mercado Brasileiro"; 2) Formulário de Adequação de Perfil de Investimento Suitability PF do Banco Credit Suisse; 3) Contribuições da European Securities and Markets Authority (ESMA) - "Consults on the review of Suitability Guidelines"; e 4) Contribuições da Deloitte - "How financial services can use ESG initiatives to help build a brighter future for all".

2. Teoria da Mudança. Consistiu na etapa de discussão para determinação do objetivo do trabalho e envolveu todos os participantes do grupo. Nesta fase, buscou-se estabelecer as ações e o impacto que o grupo buscava atingir com seu protótipo a partir da perspectiva individual de cada um de seus membros, sintetizadas de forma coletiva. Como resultado, foi realizado um mapeamento das necessidades dos investidores de varejo e de distribuidores para que se atingisse o engajamento na agenda ASG, com o objetivo de compreender os incentivos necessários para que os investidores de varejo pudessem tomar decisões de investimento mais assertivas sob aspecto socioambiental.

3. Micro-Imersão. A partir das etapas anteriores e da aplicação da metodologia "iceberg" (que responde às perguntas "O quê? Para quem? Para quê?"), o grupo evoluiu em direção à determinação do protótipo que seria desenvolvido: seria elaborado um formulário de suitability que considerasse as preferências ASG dos clientes, para que distribuidores pudessem oferecer produtos adequados ao interesse dos investidores neste aspecto.

Principais aprendizados e insights

Os investidores institucionais têm mais acesso à informação e estão melhor preparados para incorporarem a dimensão ASG em seus processos de investimentos. Porém, durante nosso processo de escuta ativa com agentes do mercado, percebemos que o ritmo de adoção do ASG no mercado financeiro depende basicamente do aumento da demanda, especialmente no caso de investidores do varejo. No entanto, para que esta demanda exista, é importante que estes investidores estejam conscientes e informados, o que contrasta com a falta de acesso generalizada da população brasileira à educação financeira e com os resultados do nosso questionário de suitability ASG - que indicou ausência de conhecimento do investidor brasileiro sobre o tema de sustentabilidade.

Mas se o investidor do varejo ou pessoa física não tem o conhecimento necessário sobre o tema de sustentabilidade, como seria possível aumentar sua demanda por informações ASG nos produtos financeiros? Em um primeiro momento, pensamos em desenvolver um mecanismo de busca e disponibilização de dados ASG sobre as atividades dos agentes atuantes no mercado de capitais no Brasil. No entanto, refletimos novamente sobre o nível de maturidade dos investidores do varejo no país e compreendemos que este produto seria muito sofisticado para o estado da arte do tema no mercado nacional. Além disso, não possuíamos acesso aos dados para elaborar a solução e nem mesmo um canal de enunciação potente. Diante disso, optamos por criar um questionário de suitability ASG. Este produto seria aplicado pelas corretoras e distribuidoras de valores (DTVM) a seus clientes pessoas físicas de forma que suas preferências e perfis de risco ASG fossem identificados. O uso da plataforma da distribuidora como palco de implementação do formulário nos daria um importante canal de comunicação e permitiria que a distribuidora qualificasse e dimensionasse a demanda por labels ASG nos produtos disponibilizados em sua plataforma para que fosse possível estabelecer estratégias para o alcance deste objetivo.

Além disso, a adoção do questionário de suitability ASG pode dar mais poder para os investidores pessoas físicas no processo de transformação das empresas com relação ao tema sustentabilidade. Ao saberem o nível de interesse dos clientes pessoas físicas por produtos financeiros transparentes em relação a suas características ASG, as distribuidoras de valores e escritórios de agentes autônomos podem fomentar um aumento na originação destes produtos. Isto faria com que (i) as empresas que acessam o mercado de capitais fossem pressionadas a caminhar em direção à agenda da sustentabilidade, por exemplo, por meio de melhorias em suas metas de emissão de CO2 e (ii) os investidores do varejo tivessem maior acesso às informações sobre qual é o impacto de seus investimentos na sociedade.

Os feedbacks positivos das distribuidoras e corretoras de valores como Ágora Investimentos, Real Invest e Nauta Investimentos com relação à estrutura do questionário de suitability ASG demonstram que este produto tem grande potencial de impacto na sociedade.

Presencing: retrair e refletir

Sentimentos, sensações e insights individuais (depoimentos de cada membro do grupo narrando sua percepção nesta etapa do percurso)

Alessandra Becker Rieper: a etapa de reflexão foi bastante importante para o desenvolvimento do trabalho porque nela foi possível pensar estrategicamente sobre os insights recebidos de stakeholders importantes do mercado durante o processo do PR. A partir desses depoimentos, o grupo conseguiu elaborar a síntese do problema a ser endereçado e refletir sobre uma potencial solução. Em geral, foi um processo bastante interessante em que o grupo evoluiu a cada discussão e conseguiu desenvolver, ao final, um produto com grande potencial - tendo em vista o feedback que recebemos de atores do mercado.

Andreia Cavalcanti: Todo o processo vivenciado ao longo do PR foi desafiador. Trabalhar com um time com profunda expertise na área financeira fez com que eu saísse da minha zona de conforto em uma área em que por muitos anos carreguei mitos e preconceitos. Desmistifiquei vários conceitos e aprendi demais com esse time. Compartilhamos ideias, dúvidas, dores, momentos de desespero, superação e muita satisfação com o resultado alcançado. Foi uma experiência incrível e ao final da jornada fica o sentimento de gratidão.

Natasha Reis: Foi uma jornada muito bacana evoluir o PR com o grupo. Ao longo das conversas e reflexões individuais e em grupo aos poucos conseguimos transformar nossas inquietações em um produto – considerando a escuta stakeholders de mercado envolvidos, as metodologias apresentadas e a colaboração entre um grupo com background bastante diverso.

Victor Mizusaki: O projeto de referência demonstrou que nós como grupo podemos fazer a diferença no processo de transformação da economia brasileira. Apesar de não ter sido requerido recursos financeiros para desenvolver o projeto de referência, conseguimos criar um produto relativamente simples mas inovador (vide o recente escândalo envolvendo a gestora de recursos DWS) e tem potencial para ter uma grande impacto na sociedade. Este resultado foi obtido pela combinação de 3 fatores: 1) o suporte dos professores da FGV, 2) total apoio dos nossos convidados com grande experiência no tema e 3) grupo de trabalho diverso onde todos os membros contribuíram de forma ativa e construtiva para pudéssemos abordar o problema de diversos ângulos.

Anderson Ignácio: A elaboração do PR contribuiu para a reflexão acerca da temática ESG em um campo desafiador que é o do mercado financeiro. Destaca-se que essa reflexão foi subsidiada pelos novos conceitos com os quais nos deparamos ao longo do semestre, tais como o paradigma da complexidade e o pilar dos níveis de realidade, além da sinergia e complementaridade que foi se dando organicamente entre os/as membros/as do time.

Laura Arias: O processo de desenvolvimento do RP foi muito interessante para mim. Com um grupo muito conhecedor do mundo financeiro, foi uma rica experiência de aprendizado que me permitiu encontrar uma maneira diferente de fazer a diferença. A pesquisa, a visão diferente dos diferentes stakeholders, professores e colegas de classe foi fundamental para transformar nossa idéia inicial em um produto com grande potencial.

Tomás Kovensky: Foi interessante ver o amadurecimento do grupo no desenvolvimento do projeto, junto com o aprofundamento das relações pessoais em paralelo com os aprendizados da disciplina de Formação Integrada para Sustentabilidade. A nossa integração permitiu que em poucos dias conseguimos a adesão de perto de 100 respondentes no nosso questionário protótipo. O sentimento que levo da conclusão deste processo é de que poderiamos seguir aperfeiçoando este projeto para escalar e buscar, de certa forma, impactar a realidade do mercado ESG levando maior transparência para as plataformas de investimento e alavancando o potencial de transformação dos investidores pessoa física - que via de regra ficam à margem das tendências e inovações, à mercê dos grandes agentes do mercado.

Desenvolvimento do produto final: agir em um instantE

Origens: tradicionalmente, o Suitability é uma ferramenta utilizada por distribuidores para adequar a sua oferta de produtos a seus clientes de acordo com seu perfil de investimento. Constitui-se como um questionário que mede o grau de sua aversão a risco e preferências na gestão de seu patrimônio dos clientes, sendo que, segundo a instrução n° 539, de 2013, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) “a aplicação do teste de Suitability é obrigatória por parte das instituições financeiras que fazem distribuição” (ANBIMA, 2022) no Brasil. O formulário também auxilia os órgãos reguladores na prevenção de atitudes comerciais não éticas dos distribuidores.

Lógica: o objetivo deste trabalho era montar o caso de negócio para a inclusão de labels ASG nas plataformas de investimento para que, pouco a pouco, as gestoras e empresas emissoras de títulos fossem pressionadas a integrar esta dimensão nas decisões gerenciais e de investimento, ampliando o fluxo de recursos para esta agenda. Para isso, primeiro, era necessário comprovar que esta era uma demanda dos investidores de varejo, o que uma pesquisa de mercado baseada em um questionário facilmente conseguiria endereçar. No entanto, um questionário sozinho não traria a solução, isto é, o acesso às informações ASG dos produtos financeiros. Para que tivéssemos o buy-in dos distribuidores, efetivamente responsáveis por disponibilizar tais informações a seus clientes, precisávamos nos adequar à sua realidade e ajudá-los a incorporar esta ideia no dia a dia de seus processos. Conhecido o Suitability tradicional, adicionar um layer ASG não parecia tão incômodo e contribuiria para a qualificação da demanda dos investidores de varejo para que, assim, as distribuidoras pudessem identificar seu interesse e buscar soluções para promover o disclosure das informações ASG nas seções de dados dos produtos oferecidos em suas plataformas de investimento. Dentre os ganhos da distribuidora neste processo estaria o alinhamento de suas operações à sua própria estratégia ASG, além da antecipação de potenciais riscos de transição relacionados à agenda regulatória. Adicionalmente, como ganhos globais, um Suitability com foco adicional na dimensão ASG auxilia na conscientização da sociedade sobre o tema por meio de um potente canal de distribuição.

Conteúdo: o grupo desenvolveu um questionário Suitability ASG com formato e linguagem baseados no Suitability tradicional para que houvesse comunicabilidade entre ambos. Diante disso, se o formulário tradicional visa medir o grau de aversão a risco e preferências na gestão de patrimônio dos clientes, a versão ASG visa fazer isso com foco em aspectos sociais, ambientais e de governança. Para isso, as perguntas desenvolvidas tinham como objetivo compreender a aversão a risco ASG dos clientes e o impacto destes aspectos na composição de portfólio. Após o desenvolvimento do formulário, tivemos a oportunidade de aplicá-lo a 111 pessoas e de receber feedbacks de atores relevantes do mercado.

Resultados: o resultado da pesquisa realizada, que contou com a participação de 111 pessoas, contribuiu para a compreensão de que 69,7% dos respondentes possuem níveis insuficiente e intermediário de conhecimento acerca de da dimensão ASG, o que possibilita inferir potencial oportunidade para a difusão da composição dos conceitos que forjam a referida área de conhecimento multidisciplinar. Os demais dados gerados pela pesquisa dão conta da predominância da relevância da temática ASG para os respondentes, o que pode ser verificado no posicionamento da maior parte deles quando perguntados sobre o percentual da carteira que gostariam que estivesse coberto pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) - 77,8% estavam dispostos a ter 50% da carteira coberta pelos ODS -; e nas respostas sobre o quanto esperariam que a sua carteira estivesse alinhada a projetos de combate às mudanças climáticas daqui a 5 anos - 90,1% dos respondentes informaram que desejam ter suas carteiras alinhadas ou muito alinhadas ao combate às mudanças climáticas nese período. A partir de tais posicionamentos, é possível chegar ao entendimento de que a maior parte dos respondentes consideram a temática ASG relevante no que diz respeito aos critérios de investimento.

Limitações: ao compararmos o universo de respondentes da pesquisa com o total de 4,2 milhões de investidores da B3, podemos considerar que o resultado exposto acima carece de maior aprofundamento e maturação metodológica. Contudo, se considerarmos que 68,6% dos respondentes possuíam conta em corretoras, torna-se possível compreender o resultado do presente esforço como uma evidência para o avanço de reflexões que objetivem aprimorar a pesquisa atual, a fim de que ela possa ser aplicada em maior escala, possibilitando a adequada compreensão acerca de mudança de comportamento e/ou perfil de investidores.

Produto Final

Questionário SUITABILITY

Pesquisa de suitability para definição do perfil ESG (ambiental, social e governança) de investidores de varejo

Qual o seu gênero? A. Feminino B. Masculino C. Prefiro não responder.

Qual a sua idade? A. < 30 anos B. 31 < 59 anos C. + 60 anos

Qual o seu nível de escolaridade? A. Ensino fundamental B. Ensino médio C. Ensino superior

Você possui conta em corretora de investimentos? A. Sim B. Não

Pergunta (1): Trabalha com sustentabilidade ou áreas relacionadas e/ou busca se informar sobre este assunto? A. Sim B. Não

Pergunta (2): Como você classifica o seu conhecimento em temas ESG/sustentabilidade? A. Nenhum. B. Básico, acompanho esporadicamente pela imprensa. C. Intermediário, acompanho pela imprensa e consigo me posicionar em temas específicos. D. Maduro, acompanho intensivamente pela imprensa e consigo me posicionar sobre a temática ESG em geral.

Pergunta (3): Você já investiu em produtos com selo ambiental, social e de governança? A. Sim B. Não

Pergunta (4): Qual o percentual da sua carteira você gostaria que estivesse coberto pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável? A. 0 < 15%. B. 16 < 50%. C. + 50%.

Pergunta (5): Qual o seu posicionamento em relação à governança ESG de uma empresa na hora de investir? A. Somente investiria em empresas com alto nível de maturidade em governança ESG. B. Investiria em empresas com baixo ou médio nível de maturidade em governança ESG mas minha preferência seria por empresas com alta maturidade. C. Investiria em empresas com baixo ou médio nível de maturidade em governança ESG.

Pergunta (6): Você estaria disposto a investir em uma companhia que promove impactos adversos no âmbito ESG? A. Sim, sem problemas. B. Sim, desde que a empresa tenha um plano de mitigação dos impactos e/ou implementação de melhorias. C. Não.

Pergunta (7): Como você reagiria se os seus investimentos caíssem mais de 10% devido a questões ESG como degradação de biomas, desrespeito aos direitos humanos e corrupção? A. Venderia imediatamente. B. Entendo que isso pode acontecer para determinados ativos, mas não para todo o meu portfólio. C. Entendo que meu portfólio pode sofrer com flutuações desta magnitude e não tomaria nenhuma ação imediata.

Pergunta (8): Daqui a 5 anos, o quanto você espera que a sua carteira esteja alinhada a projetos de combate às mudanças climáticas? A. Indiferente B. Alinhada. C. Muito alinhada.

Resultados

Credits:

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