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Formação Integrada para Sustentabilidade MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO PARA COMPETITIVIDADE FGV EAESP . LINHA DE SUSTENTABILIDADE

MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.

Como a Formação Integrada funciona na prática?

Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Desta forma, buscamos combinar conteúdos e atividades que promovam:

  • Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
  • Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).

Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:

Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Com isso, esperamos que os(as) alunos(as) possam:

  • Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
  • Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
  • Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
  • Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.

Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os(as) alunos(as) possam:

  • Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
  • Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
  • Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
  • Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS

SOBRE ESSE RELATÓRIO

Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade.

  • A cada turma do Mestrado, desenvolvemos de quarto a seis projetos por semestre.
  • Cada projeto é composto por uma equipe de alunos(as) que define seu próprio desafio, identidade e processo de trabalho (stakeholders chave a serem procurados, conteúdos a serem investigados, formato da entrega final, recursos necessários etc).
  • O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.

InterAGE

Aline Okada, Camila Figueiredo, Giuliana Preziosi, Gustavo Oliveira, Igor Lyra, Juliana Agostino e Tábata Guerra

1. Introdução

Esse relatório tem como objetivo compartilhar e registrar os aprendizados, as descobertas e as criações produzidas pelo Grupo InterAGE ao longo do percurso de desenvolvimento do Projeto Referência do 2º Semestre de 2019.

Nosso desafio foi propor processos que potencializem trocas, sinergias e aprendizados entre diferentes gerações no contexto organizacional, especialmente onde há relações hierárquicas.

Enunciado

Investigação e escuta: observar, observar, observar

2. Descida do U: Investigação

2.1 Kickoff

De acordo com recente estudo elaborado pelo IBGE, em 2039 o Brasil terá mais pessoas acima de 65 anos do que com menos de 15 anos. A partir de 2047, a população brasileira começará a diminuir e, em 2060, a previsão com maior população é aquela entre 60-64 anos.

Diante disso, percebemos que cada vez mais as gerações estarão se relacionando no ambiente de trabalho e, considerando inicialmente o macrotema de Gestão de conflitos nas relações intergeracionais, surgiram as seguintes questões de investigação:

· Em que contexto “conflito” dá lugar a “trocas” intergeracionais?

· Quais as evidências desse problema dentro do contexto organizacional?

· Chefe jovem e funcionário idoso, o que acontece? Como se dá a relação intergeracional? Os funcionários estão preparados para lidar com isso?

· Os RHs têm dificuldade de abordar esse tema dentro das instituições?

· Como as relações de poder afetam as relações intergeracionais?

· Como a empresa desenvolve (com ou sem intenção) mecanismos que promovem ou instigam os conflitos intergeracionais?

· Que elementos culturais facilitam ou dificultam as relações intergeracionais?

· Quais o benefícios de um ambiente com diferenças geracionais?

Para guiar nossa pesquisa durante a descida do U, realizamos o kick-off com convidados de diferentes perfis:

Para a investigação durante o kickoff utilizamos dois materiais de apoio: uma apresentação com a nossa visão inicial sobre o tema e um roteiro que norteou o diálogo com os convidados:

Roteiro de apoio

Apresentação InterAGE Kickoff

Do kick-off, surgiram os seguintes insights:

→ Troca de comando de uma empresa sem a transição entre as gerações pode levar o negócio à falência;

→ Há problemas de comunicação entre as gerações, e uma ‘piada’ feita por uma geração mais antiga atualmente pode não ser mais aceita pelas gerações mais jovens;

→ Os conflitos são minimizados pelo formato de trabalho em torno de um projeto com um propósito/objetivo comum. Se você está entregando valor para o grupo, não importa tanto a idade;

→ O jovem é pragmático e imediato; você precisa ir se adaptando e ter abertura para a mudança;

→ É necessário trazer o olhar do cliente para dentro da empresa, e isso implica olhar para outras gerações;

→ É preciso evitar reinventar a roda e aproveitar o frescor das novas gerações.

Em continuidade à nossa pesquisa, decidimos fazer entrevistas individuais com pessoas familiarizadas com o tema, bem como nos aprofundar na literatura.

2.2 Referências teóricas e contexto

Algumas das principais descobertas feitas durante a revisão bibliográfica podem ser sistematizadas da seguinte forma:

1. Gerações, relações intergeracionais, política geracional: https://philarchive.org/archive/LSCGRI-4

K Lüscher, A Hoff, A Klimczuk, G Lamura, et al - 2016

O conceito de ‘geração’ é dividido historicamente em três fases:

Primeira fase: diz respeito à Antiguidade e à Idade Média e é caracterizada pelos esforços em entender o presente baseando-se, respectivamente, no passado e na tradição. Essa fase inicial já considera a transmissão de conhecimento de geração a geração e assenta as bases para uma compreensão pedagógica das relações intergeracionais.

Segunda fase: se principia com a Idade Moderna. Caracteriza-se pelo uso predominante do conceito de geração para assinalar o início de um futuro novo e em aberto. As gerações são percebidas como disparadoras de progresso. A ênfase do conceito segue de mãos dadas com um modelo de relações intergeracionais centralizado na transmissão de conhecimento nos moldes da relação professor-aluno.

Terceira fase: A terceira fase de compreensão das gerações principia com o passado mais recente, no qual o conceito de geração é usado como ferramenta para diagnosticar as características de um período de tempo. Expressa uma mudança de perspectiva nas relações entre passado, presente e futuro. Este é visto como incerto, não obstante as orientações enraizadas respectivamente no passado e na tradição, mesmo que elas se mostrem ainda efetivas. A perda da certeza igualmente contribuiu para um alargamento de horizontes na compreensão das gerações: a sucessão de gerações na família e na sociedade é situada inter-relacionando uma à outra.

As relações sociais entre os membros de duas ou mais gerações, ou de uma mesma geração, são caracterizadas pela consciência de pertencimento geracional e das diferenças e semelhanças resultantes (relações intergeracionais e intrageracionais). Essas relações se concretizam por meio de processos mútuos e reflexivos de orientação, persuasão, intercâmbio e aprendizado.

2. Laços intergeracionais no contexto contemporâneo: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v16n2/v16n2a08

Borges, C.; Magalhães. A. Estudos de Psicologia, 16(2), maio-agosto/2011, 171-177

No contexto contemporâneo, os laços intergeracionais se constituem de modo muito diferente. Hoje, a diferença intergeracional é acentuada, mas não é expressa de forma tão nítida, encontrando-se camuflada pela homogeneização de valores baseada na juventude como ideal. Assim, a ideia de igualdade na constituição dos vínculos intergeracionais se faz de forma inversa: pela possibilidade de identificação dos mais velhos com os mais jovens. É justamente quando o mais velho se mostra investido de atributos da juventude que ocorre a identificação intergeracional, processo que se efetua, muitas vezes, pela negação das diferenças que definem cada geração. Deste modo, ocorrendo o espelhamento dos mais velhos nos mais jovens, fica o “eu” que se projeta para o futuro sem alvos de correspondência.

3. Geração e suas influência dentro das Organizações https://publicacao.uniasselvi.com.br/index.php/GESTAO_EaD/article/view/1595

Gonçalves, B.; Ferreira, M. - Revista Maiêutica, Indaial, v. 4, n. 1, p. 47-56, 2016.

Um dos principais problemas encontrados nas empresas é a divergência de opiniões e valores entre as gerações. A geração Belle Époque, a primeira das gerações, é tradicionalista e presa pela estabilidade financeira, bem como a sua geração sucessora, que além de se preocupar com as finanças, começou a se preocupar em levar uma vida mais tranquila, em função dos traumas passados nas grandes guerras. A geração X traz consigo um pensamento mais racional do que emocional com um perfil empreendedor. Já as gerações Y e Z, que estão menos tempo no mercado, são ligadas nas novas tecnologias e gostam de trabalhar com liberdade, são muito criativos e conseguem realizar várias atividades ao mesmo tempo.

Outras fontes de pesquisa:

http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/252108/1/Lima_CristinaRodrigues_M.pdf - PROGRAMAS INTERGERACIONAIS: um estudo sobre as atividades que aproximam as diversas gerações

http://prattein.com.br/home/images/stories/230813/Envelhecimento/Geracoes.pdf - Sara Nigri: O conceito de gerações e as relações intergeracionais

http://www.scielo.br/pdf/se/v21n2/a04v21n2 - IDOSOS TRABALHADORES: perdas e ganhos nas relações intergeracionais

https://www.redalyc.org/pdf/188/18811311.pdf - O vínculo intergeracional: o velho, o jovem e o poder

https://publicacao.uniasselvi.com.br/index.php/GESTAO_EaD/article/view/1595 - Geração e Suas Influência dentro das Organizações

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1809-98232010000300017&script=sci_abstract&tlng=pt- Programas intergeracionais: quão relevantes eles podem ser para a sociedade brasileira?

https://repositorio.ul.pt/handle/10451/6091 - Envelhecimento activo e relações intergeracionais

http://www.scielo.br/pdf/epsic/v16n2/v16n2a08 - Laços intergeracionais no contexto contemporâneo

https://philarchive.org/archive/LSCGRI-4: Gerações, relações intergeracionais, política geracional - compêndio multilingue

http://crars.org.br/artigos_interna/gestao-de-conflitos-transformando-conflitos-organizacionais-em-oportunidades-41.html: Gestão de conflitos: transformando conflitos organizacionais em oportunidades

http://www.oecd.org/newsroom/governments-must-take-further-action-to-boost-job-opportunities-at-an-older-age.htm : Working with Better Age

https://revistas.pucsp.br/ReCaPe/article/view/16531/12409: A questão das gerações no campo da gestão de pessoas: tema emergente?

http://cetrans.com.br/site/formacao/encontros-td/rtig/: Relação Transdisciplinar Intergeracional [conjunto de conteúdos].

2.3 Entrevistas

Além da revisão bibliográfica, realizamos entrevistas individuais com algumas pessoas familiarizadas com o tema da pesquisa. O objetivo principal desta etapa era buscar evidências que ajudassem a explicar algumas hipóteses que foram levantadas acerca das relações intergeracionais, a saber: (i) que o contexto organizacional influencia as relações; (ii) que ter diversidade intergeracional é benéfico para a organização; e (iii) que algumas habilidades pessoais podem facilitar relações de troca no lugar de relações de conflito.

Para tanto, realizamos um roteiro de entrevista - disponível aqui - com todo o procedimento necessário para atingir o fim pretendido, como por exemplo: informações gerais da(o) entrevistada(o), lista de perguntas, e objetivos.

A fim de sistematizar algumas das informações pertinentes às entrevistas, apresentamos abaixo a seguinte tabela:

Após a realização das entrevistas, decidimos analisar o conteúdo das informações fornecidas pelas(os) entrevistadas(os). Um dos mecanismos para tanto foi a criação de uma nuvem de palavras, ou melhor, criamos uma representação visual da frequência de palavras usadas pelas(os) participantes, a qual segue abaixo:

Como se pode observar, as palavras gerações, diversidade, empresa, relações, pessoas e intergeracional são as maiores dentre as demais na nuvem de palavras, já que elas foram as mais usadas pelas(os) entrevistadas(os). Ou seja, a primeira descoberta das entrevistas foi que não se pode falar de diálogos geracionais no setor empresarial sem conjugar pessoas, empresas, relações, diversidade e gerações.

As demais descobertas vieram não só dessa nuvem de palavras, como também do conteúdo em si das entrevistas. A seguir apresentamos algumas conclusões preliminares:

(i) Não há conflito intergeracional nas empresas;

(ii) Empresas hierarquizadas tendem a não ter diálogos intergeracionais;

(iii) Gerações mais novas, que fazem mais uso de tecnologia, convivem menos com as demais pessoas, o que diminui o diálogo;

(iv) Algumas empresas possuem políticas de diversidade geracional, mas ou não têm a intenção ou a vontade de que a diversidade geracional seja uma realidade, ou implementam programas ingênuos e sem efetividade;

(v) Há preconceito dentro das empresas com relação a gerações mais antigas;

(vi) A integração de gerações no ambiente corporativo revela um processo de conscientização pessoal e social capaz de reduzir problemas relativos à idade, raça e gênero; e

(vii) Empatia, escuta ativa, abertura, criação de relacionamento e respeito às limitações do outro são habilidades relevantes para se estabelecer relações intergeracionais.

3. Principais aprendizados e insights

3.1 Reunião de análise: Certezas e Dúvidas

Diante do trabalho de pesquisa anterior, o grupo reuniu-se para analisar em profundidade os achados, bem como para elencar as certezas e as dúvidas do processo, como bem demonstrado pela figura abaixo:

Esta figura é importante, pois revela o delineamento que o grupo foi dando à pesquisa. Depois de elencarmos as certezas e dúvidas, nos perguntamos o porquê da pesquisa ser relevante. Em seguida, destacamos as palavras-chave do trabalho de investigação. E, por fim, realizamos o recorte final da pesquisa.

Como se pode notar, a primeira certeza diz respeito ao preconceito com as gerações mais antigas. O jovem não deseja ser idoso, e o idoso, por sua vez, quer ser jovem. Por conseguinte, vivemos em um período marcado por uma “sociedade jovencêntrica”, que, em certa medida, impõe um prazo de validade às gerações mais antigas que estão no mercado de trabalho.

Outra certeza constatada é que todas as gerações possuem vulnerabilidades ainda não aceitas pelo próprio indivíduo e por seus pares. Considerando que vulnerabilidade representa um valor intrínseco ao ser humano de conexão com o seu íntimo e de aceitação de quem ele realmente é - e não daquilo que se espera que ele seja -, acreditamos que a falta de trato com este tema pode afastar ainda mais o diálogo entre as gerações. As diferenças entre as gerações podem se tornar avessas quando as partes envolvidas não são capazes de simpatizar com a dor a realidade emocional do outro.

A terceira e última certeza é que a intergeracionalidade gera valor para as empresas. Companhias que invoquem a troca de experiências e saberes geracionais de fora para dentro têm maior aptidão à produção eficiente. Portanto, atrair diferentes gerações a interagir internamente e eliminar a segmentação entre elas no dia a dia da atividade empresarial pode aumentar a produtividade da empresa.

Muito embora as certezas tenham nos auxiliado a direcionar a pesquisa, ainda restavam dúvidas a serem respondidas. Haveria de fato conflito intergeracional dentro das empresas? O diálogo intergeracional seria um benefício ou uma necessidade? Como incentivar a solidariedade intergeracional de fora para dentro das empresas? Como alavancar as trocas? Qual o recorte ideal da pesquisa?

Após a análise de todas as informações coletadas e discussão interna, o grupo concluiu que não há conflito intergeracional dentro das empresas e que o grande problema seria a falta de diálogo e segmentação das gerações no dia a dia do trabalho. Portanto, decidiu realizar um recorte de pesquisa que abrangeria apenas empresas tradicionais, hierarquizadas e que contivessem as 4 gerações. Além disso, definimos que o produto final seria destinado ao setor de recursos humanos das empresas para que pudéssemos contribuir com o estímulo a trocas intergeracionais.

3.2 Reunião de Prototipagem

Diante das nossas descobertas durante a descida do U, percebemos que a maior parte das empresas, inclusive as que possuem programas de diversidade, não têm iniciativas voltadas à diversidade geracional. Nesse sentido, decidimos que o público alvo do nosso produto deveria ser o RH de empresas multinacionais - as quais, via de regra, já possuem as diferentes gerações trabalhando juntas - mas precisam ter a consciência do potencial valor que as trocas entre elas pode gerar para empresa.

Nossa proposta, portanto, visa aumentar a conscientização das empresas sobre os benefícios e os desafios da convivência intergeracional e contribuir com ideias para potencializar as trocas entre as diferentes gerações.

Para tanto, decidimos criar um kit para ser utilizado por RH de empresas de modo a facilitar essas trocas (mais detalhes do kit encontram-se na seção ‘contribuição pública). Um dos componentes deste kit é Desafio InterAGE: workshop composto por atividades simples, divertidas e fáceis de serem aplicadas, que propõe a valorização das potencialidades de cada participante por meio da troca de experiências e de conhecimentos.

Como parte do nosso trabalho, aplicamos um piloto do Desafio InterAGE no dia 23.11.2019, e os detalhes dessa experiência são descritos a seguir.

Desenvolvimento do produto final: agir em um instante

4. Solução: Workshop Desafio InterAGE

O workshop Desafio InterAGE teve como principal objetivo aumentar a conscientização dos participantes sobre os benefícios e os desafios da convivência intergeracional e potencializar as trocas entre as diferentes gerações. Através de cinco atividades - STOP Intergeracional, Desafio da Pipa, Desafio Stories + criativo, Desafio do Campo Minado, Desafio do Marshmallow, todas atividades divertidas e fáceis de serem aplicadas, os 12 participantes puderam verificar como a valorização das potencialidades de cada geração, através da troca de experiências e conhecimentos, colaborou para a resolução dos desafios. Ao final, no momento do debriefing os benefícios e as vantagens das trocas ficaram ainda mais evidentes no relato dos participantes.

A aplicação do workshop nos forneceu ainda mais subsídios para o desenvolvimento e refinamento do Kit de Soluções InterAGE. Além das atividades propostas, solicitamos aos participantes que respondessem a um questionário antes e depois das atividades, bem como que nos concedesse a autorização do uso de imagem e voz, que compuseram o kit de Soluções InterAGE.

Foi interessante verificar qual era a visão dos participantes sobre as distintas gerações antes do início do workshop:

Geração Baby Boomers:

Geração X:

Geração Z:

Geração Y:

A seguir alguns depoimentos dos participantes após o workshop quando foram perguntados sobre como avaliam o trabalho que foi realizado no grupo intergeracional:

O trabalho foi interativo e divertido. A interação entre pessoas de diferentes idades é muito positivo e construtivo.” (Representante da Geração Baby Boomers)

Foi uma experiência muito enriquecedora e contribuiu para compreender melhor como diferentes gerações podem trabalhar de forma complementar e melhorar entregas do grupo.” (Representante da Geração X)

Acho que o grupo trabalhou muito bem porque cada um aportou conhecimentos diferentes que se complementaram. Me senti muito bem trabalhando com pessoas de diferentes idades.” (Representante da Geração Y)

Acho que o grupo funcionou super bem! Foi muito legal trabalhar com pessoas de diferentes idades.” (Representante da Geração Z)

Quando perguntamos se a participação no Desafio InterAGE fez com que eles mudassem de ideia sobre alguma das características (desafios e qualidades) que mencionaram na parte I do questionário, tivemos as seguintes respostas:

Sim, sobre a geração Z que nos ensina muito e nos desafia, proporcionando uma experiência de estar aberto ao novo.” (Representante da Geração X)

Não. Mantenho a mesma posição.” (Representante da Geração Baby Boomers)

Ao serem perguntados sobre a avaliação geral, a seguir alguns depoimento que obtivemos:

Achei profundamente importante para que o contato entre gerações seja mais dinâmico, e um sistema de interação desse tipo seria definitivamente benéfico para melhorar a dinâmica dentro de uma empresa.” (Representante da Geração Z)

A experiência foi incrível e muito válida para minha carreira. Em relação a outras empresas, vejo muito valor nessa visão de complementaridade de competências, o que leva qualquer organização a alta performance.” (Representante da Geração X)

A tabulação completa da pesquisa realizada no workshop está disponível nesse link.

O questionário da pesquisa aplicada no Desafio está no Guia de Aplicação do Desafio InterAGE, conforme exposto no item 4 e o termo de uso de imagem pode ser acessado aqui, do qual temos 100% de autorização dos participantes.

Produto Final

5. Produto final: uma contribuição pública

O Kit de Soluções InterAGE de ferramentas tem o objetivo de promover as relações intergeracionais e reflexões a partir dessa vivência prática de interação. Com isso, espera-se ampliar a consciência e a abertura das pessoas para que os ambientes organizacionais se beneficiem do potencial, ainda pouco explorado, que há nas relações intergeracionais.

O que contém o KIT INTERAGE:

Apresentação InterAGE para áreas de Recursos Humanos

É uma apresentação que traz um contexto e dados de pesquisas relevantes sobre a diversidade intergeracional. Um embasamento teórico que visa fornecer subsídios para que as áreas de Recursos Humanos reconheçam a importância de lidar com a questão e possam valorizar o tema internamente. Traz também a apresentação do kit InterAGE.

Acesse a apresentação aqui

Roteiro de aplicação do Desafio InterAGE

É um guia completo para que a área de Recursos Humanos possa realizar o Desafio InterAGE na empresa. Um workshop de apenas 2h30 que visa promover trocas entre pessoas de diferentes gerações. Esse material traz todas as informações necessárias para realização das atividades, dicas de facilitação e lista de materiais necessários.

Acesse o roteiro aqui

Apresentação para aplicação do Desafio InterAGE

Uma apresentação base para conduzir o desafio InterAGE com as orientações para cada atividade. É uma base para o facilitador.

Acesse a apresentação aqui

Vídeo InterAGE - Solução para trocas intergeracionais nas organizações

Um vídeo de apresentação da solução InterAGE, com um panorama geral sobre o tema, a proposta de realizar um workshop que potencialize trocas entre pessoas de diferentes gerações e depoimentos dos participantes. Voltado para apresentar a InterAGE para as áreas de Recursos Humanos.

Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=ke4lxg_9alY

Vídeo Diálogos Intergeracionais

Um vídeo de sensibilização que visa mostrar o poder do diálogo e o valor das trocas. Pode ser utilizado para diferentes públicos, o objetivo é fomentar e valorizar a diversidade intergeracional.

Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=pDUbuskmZ0U&feature=youtu.be

Presencing: retrair e refletir

“O tema que escolhemos trabalhar neste PR é um tema com o qual sempre tive afinidade e interesse, sendo inclusive o foco do meu TCC na faculdade. A questão da diversidade geracional sempre foi algo que me provocou e me faz pensar muito sobre porque esse tema ainda não está sendo debatido e trabalhado nas organizações já que o envelhecimento da população é realidade e está acontecendo. Por isso, sinto que a nossa contribuição pode ser muito relevante para as organizações que queiram trabalhar com isso, sinto que é uma faísca importante que precisa ser acesa e tem o potencial de despertar um olhar mais estratégico e intencional para o tema. O processo do PR foi muito leve, cheio de aprendizados, trocas e muitas sinergias dentro do grupo. Termino o trabalho muito satisfeita com a nossa entrega e com a colaboração do grupo neste processo.” Aline Okada

“A jornada do PR neste semestre não foi homogênea. Vivi momentos de calmaria, diversão e outros de intenso trabalho e preocupação. Mas houve algo que foi constante para mim: a curiosidade pela investigação e abertura às descobertas e aos ajustes necessários para o desenvolvimento de uma contribuição pública relevante e útil. No processo me dei conta que antes do PR pouco tinha estudado a respeito da minha própria geração. O contato com esse conteúdo me fez refletir sobre quem somos, o que faz sentido para mim, com o que me identifico e no que me distancio, em termos geracionais. De insight pessoal, concluo que se as relações solidárias e generosas intergeracionais não forem estimuladas e promovidas, é possível se passar pela vida a largo desses momentos, perdendo oportunidades de trocas e diversas conversas riquíssimas que poderiam facilmente nunca ter acontecido.” Camila Figueiredo

“Gosto do tema da diversidade mas olhar em especial para o fator intergeracional foi uma grata surpresa. Partimos de um pressuposto que não se confirmou, tivemos um início difícil para buscar informações mas com o tempo muitas coisas foram surgindo. Não foi fácil chegar em qual seria nossa contribuição, os dilemas eram muitos. Mas o grupo fez com que a subida do “u”, mesmo desafiadora, fosse divertida e emocionante. Foi um projeto que me conquistou aos poucos, mas quando chegou no final a vontade era de continuar fazendo. Fiquei muito feliz e empolgada com o que construímos.” Giuliana Preziosi

“Estava muito animada desde o início com o tema escolhido por achá-lo extremamente relevante no mundo atual e ainda mais no futuro próximo, mas confesso que vivi alguns altos e baixos ao longo do processo. Isso ocorreu principalmente quando terminamos a descida do U e percebemos que não haviam tantos conflitos e nem mesmo interações como imaginávamos. Mas como equipe conseguimos superar esse momento e enxergar onde estaria uma possível contribuição relevante. Foi aí que decidimos realizar o workshop, o que na minha visão deu um outro ânimo ao grupo e nos levou a um outro patamar de entendimento do tema e de confiança de onde exatamente estaria nossa contribuição. Fiquei muito contente e realizada com a nossa entrega final e com tudo que aprendi durante essa jornada. E muito privilegiada por ter feito parte de um grupo tão competente, dedicado e que, apesar de levar o projeto com muita seriedade, conseguiu trabalhar de forma tão leve!” Juliana Agostino

“Tratar de diálogos intergeracionais é conectar-se a si próprio, aos seus antepassados, à sua história e a do outro. Até iniciar essa pesquisa não havia me dado conta da potencialidade relacional do tema. Comunicar-me com diferentes gerações passou a ser uma experiência sensorial de afeto, aprendizado e troca. Muito prazer em ter contribuído com este PR e dele ter me entregue tanto.” Igor Lyra

“A diversidade geracional era uma das mais distantes do meu dia a dia e foi um mergulho muito enriquecedor estar mais próximo do tema. Estive no desconforto do desconhecimento ao longo do processo, mas acredito que entregamos algo realmente relevante para a sociedade.” Gustavo Oliveira

“Eu acabei caindo nesse grupo por acaso. Nunca tinha estudado o tema e – não fosse por esse trabalho – também não tinha pretensão de me aprofundar no assunto. Entretanto, durante a jornada do U, um mundo novo se abriu pra mim e eu me abri pra ele. Descobri a relevância e a urgência do tema e passei a me observar de forma diferente nas minhas próprias relações intergeracionais. Mesmo diante das frustrações iniciais causadas pelas quebras das premissas que possuíamos, o grupo se manteve unido e focado, e o resultado final foi realmente surpreendente e tem muito potencial para atingir seu propósito na sociedade. Acabo este PR com a sensação de que o acaso de cair nesse grupo foi realmente um presente.” Tábata Guerra

Conclusões

O grupo InterAGE encerra o PR - Projeto Referência - seguro de que o processo da Teoria U promove oportunidades para uma investigação profunda e a emergência de soluções aderentes e inovadoras.

De início, o tema da investigação eram os conflitos intergeracionais nas organizações. Foi durante a descida do U, quando realizamos roda de conversa com especialistas no kickoff, seguida de desk research e entrevistas com executivos de RH e outros especialistas do tema, que entendemos que o nosso tema precisava ser reformulado. Verificamos que o conflito intergeracional não era uma questão como imaginávamos, pois nos deparamos com um contexto bem diferente.

Descobrimos que a depender do perfil da organização – Startups, por exemplo, ou escritórios de advocacia e clínicas médicas, em que a experiência ou a juventude são vistos com grande valor - não há ampla diversidade geracional. Verificamos também que nas grandes empresas convivem várias gerações, mas há poucas trocas, pois essas gerações estão clusterizadas na hierarquia organizacional. Assim, ao terminar a etapa da investigação, percebemos que a nossa contribuição seria em torno de promover as trocas intergeracionais dentro de organizações que têm diversidade geracional e não aproveita esse potencial. Na etapa presencing analisamos nossas certezas e dúvidas, fizemos um brainstorm em torno de possíveis soluções e partimos para a prototipagem do workshop Desafio InterAGE.

A realização do workshop foi um momento crucial para verificar se as atividades propostas de fato promoveriam oportunidades para trocas intergeracionais. O debriefing do evento, com e entre os participantes, nos ofereceu ainda mais respostas, e como resultado do processo, o kit de soluções InterAGE para promoção de trocas ficou completo, quando adicionamos os vídeos Diálogos Intergeracionais e o Desafio InterAGE, gravados no workshop. Na apresentação dos resultados do PR nossos convidados nos deram um feedback relevante: no workshop Desafio InterAGE participaram pessoas abertas e dispostas a interagirem e aprenderem com diferentes gerações. Mas como sensibilizar dentro da organização para a importância de promover essas trocas a públicos não tão abertos e dispostos às trocas? A Apresentação do Desafio InterAGE traz dados que apoiam esse processo de sensibilização, mas entendemos que as histórias de sucesso de promoção de processos de trocas serão os melhores argumentos.

Assim, aplique o kit de Soluções InterAGE e compartilhe com a gente os resultados pelo email desafiointerage@gmail.com.

Boas trocas InterAGE!

Agradecimento a todos que contribuíram para esse PR, em especial, os nossos professores do FIS, os entrevistados, os participantes do Desafio InterAGE, a ABRAPS e a UNIBES Cultural, por ceder o espaço para o nosso evento.