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Resíduos Plásticos Abrir o Diálogo entre Stakeholders enolvidos na Cadeia de Valor de Embalagens Flexíveis

MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.

Como a Formação Integrada funciona na prática?

Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Desta forma, buscamos combinar conteúdos e atividades que promovam:

  • Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
  • Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).

Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:

Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Com isso, esperamos que os(as) alunos(as) possam:

  • Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
  • Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
  • Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
  • Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.

Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os(as) alunos(as) possam:

  • Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
  • Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
  • Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
  • Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS

SOBRE ESSE RELATÓRIO

Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade.

  • A cada turma do Mestrado, desenvolvemos de quatro a seis projetos por semestre.
  • Cada projeto é composto por uma equipe de alunos(as) que define seu próprio desafio, identidade e processo de trabalho (stakeholders chave a serem procurados, conteúdos a serem investigados, formato da entrega final, recursos necessários etc).
  • O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.

PR RESÍDUOS

Integrantes: Luciana Rocha, Gregori Boschi, Mariana Gonçalves, Mateus Mendonça

Enunciado

Enunciado elaborado pelo Grupo.

Introdução e questionamentos iniciais

Conduzimos o processo de investigação buscando solucionar alguns questionamentos que emergiram nas primeiras discussões em grupo.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos completou 10 anos e dados apontam para a premente poluição plástica nos oceanos, prevendo que em 2050 obstáculos sociais a quantidade de resíduos plásticos nos oceanos será maior que a massa de peixes.

As empresas de forma geral, possuem ações tímidas que focam em reputação e que não endereçam a solução do problema de fato. (Há um conflito de interesses).

Umas das nossas grandes inquietações nesse momento é entender quais os fatores críticos de sucesso para estabelecer um pacto Inter setorial do plástico no Brasil, além de compreender quais são os obstáculos políticos, regulatórios e financeiros para a implementação de ações que contribuam na efetiva implementação dos princípios da economia circular.

O pano de fundo se resume em 3 pilares simples:

Elaborado pelo Grupo.

Durante a fase de observação haviam inúmeros questionamentos que atravessavam o grupo, e que foram compartilhadas com principais "stakeholders" do setor, representantes da sociedade civil, empresas fabricantes de bens de consumo, empresas fabricantes de embalagens plásticas,chamada de convertedores e ONGs, que estiveram presentes no no "Kick Off Meeting" realizado no dia 23 de setembro de 2020.

Participaram do "Kick Off Meeting" os convidados e representantes / representantes das seguintes partes interessadas: Fernando Soler - Felsberg Advogados - Representante da sociedade civil; Sylmara Dias - USP -Ciências Ambientais; - Lara Iwanicki - Fundação Oceana (ONG), Fernanda Dalto - Sustentabilidade Coca Cola (Bens de Consumo), Cristina Sartoretto - Fundação Getúlio Vargas.

Elaborado pelo Grupo

Nesta dada foi possível compreender que não há solução única e certa. Todas as possíveis soluções são complexas, e exigem um esforço enorme em direção a aproximação e ao diálogo.

Dada a abundância de material de fontes secundárias sobre o tema, optamos por iniciar nossas pesquisas a partir dos relatórios já produzidos sobre os temas.

A partir do conhecimento adquirido, focamos nossos esforços em investigar 4 (quatro) públicos distintos com uma pesquisa de dados primários, com o recorte de plástico multicamada de uso único a exemplo dos sachets e embalagens de biscoitos e café. De quem seria a responsabilidade de investimento para a redução deste tipo de plástico nos oceanos? Banimento é uma saída? Quais soluções seriam possíveis?

Pesquisa Dados Secundários

Através da política nacional dos resíduos sólidos (Lei 12.305/10), foi instituída a responsabilidade pelos resíduos produzidos, que também se aplica a logística reversa da produção no pré e pós consumo. Desta forma há um compartilhamento das responsabilidades em relação ao ciclo de vida destes produtos.

Alguns instrumentos foram estabelecidos pela PNRS, visando adequação das partes interessadas, no entanto muitos destes sistemas jamais foram implementados ou ainda não foram definidas metas para o controle.

Segundo a ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) cada brasileiro gera em torno de 1 tonelada de resíduos por ano, e sua destinação é incorreta, sendo que a maior parte deste volume chegará a um aterro, pois mais de 1600 cidades não tem qualquer tipo de estrutura de coleta seletiva.

A lei funciona como incentivo para que os agentes, criem e desenvolvam mecanimos de reúso, reciclagem e logística reversa. Faltam planejamentos específicos sobre o destino dos aterros e as definições de responsabilidade para logística reversa e coleta seletiva, entre poder público e privado.

O recorte que buscamos com este projeto, será embalagem plástica multicamada de uso único, que são basicamente polímeros usados uma única vez e descartados. Podemos exemplificar com embalagens plásticas para saches, embalagens de snacks, embalagens para biscoitos, embalagens para café, embalagens para ração, embalagens para lenços de papel, etc.

Em função do tamanho , peso e preço, estes materiais não são reciclados (inviabilidade econonômica). Desta forma, este tipo de embalagem deve ser evitada, substituida por outras opções ou minimizadas.

O Brasil ainda engatinha com relação a reciclagem e apenas 1,2%* de todo o lixo plástico gerado é reciclado. *(percentuais variam de acordo com metodologia de cálculo e tipos de materiais de 1,2 a 4,0% )

Plásticos descartáveis ​​acabam se espalhando no meio ambiente em parte por conta de um comportamento individual irresponsável. Mas sistemas de gestão de resíduos deficientes também desempenham um papel enorme.

Plásticos em geral podem levar até 400 anos para se decompor na natureza. Sacolas plásticas e isopor podem levar 1.000 anos para se decompor.

De acordo com a ONU, até 2050, 99% das aves marinhas terão ingerido plástico, o lixo marinho prejudica mais de 600 espécies marinhas e 15% das espécies afetadas pelo ingestão e de lixo estarão em perigo.

No Brasil, a indústria do plástico, é o quarto maior segmento industrial, esta concentrada no sul e sudeste, é bastante pulverizada com mais de 11 mil empresas e emprega mais de 310.000 pessoas (Abiplast). A reciclagem pós consumo ainda é muito pequena com cerca de 1.000 empresas e 10.000 trabalhadores (Abiplast).

Recente estudo publicado constatou que as marcas mais poluidores do mundo, na categoria plástico, são as mesmas marcas que investem em ações reputacionais e pouco eficientes. Por anos, a indústria de plástico trabalhou incansavelmente para promover o ideia de que se apenas reciclássemos melhor, nós resolveríamos o problema de poluição de plástico. Infelizmente, a reciclagem como o solução simplesmente não é verdade.

Os tipos de plástico mais encontrados no ambiente são PET e LDPE (Usado em sacos plásticos, dispensers, ,normalmente de uso único), que representam juntos 93% da poluição total por plástico. A maior Global e Local é a The Coca Cola Company.

Plastic Atlas , 2019 pag. 44. In 2018, “brand audits” conducted by Break Free From Plastic collected a total of 187,851 pieces of plastic waste from locations around the world.

Principais aprendizados e insights

A PNR (Política Nacional de Resíduos Sólidos) já completou mais de 10 anos, e ainda não existem metas para aspectos relacionados a design do produto. Não existe meta e nem incentivo para inovação.

Não existem instrumentos e nem recursos para que os municípios conduzam projetos. Também falta capacidade técnica e gestão eficiente de resíduos. A lei vigente traz soluções do século passado ao mesmo tempo que compra tecnologia obsoleta vinda dos países mais desenvolvidos.

O sistema de coleta brasileiro apresenta índices baixíssimos de reciclagem, sendo dependente exclusivamente dos catadores, fundamentais para logística reversa e ao mesmo tempo uma mão de obra mal paga e vulnerabilizada.

As discussões dos acordos setoriais de embalagens não evoluem na velocidade que seria necessária e a política nacional de resíduos sólidos de 10 anos não contempla questões como economia circular (eliminação do desnecessário, aumento da reciclabilidade, aumento da recuperação própria).

"Extended Produced Responsability" ou responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida, já é uma prática no mercado europeu, contudo não é uma realidade no mercado local. Acordo setorial de logística reversa possui 5 anos e não foi implementado em sua integridade.

O serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos deveria ser cobrado pelos municípios, contudo a minoria dos municípios cobra a taxa sendo que muitos de forma equivocada. Isso não permite a implementação de uma estrutura de coleta seletiva, reciclagem e triagem adequadas.

O Brasil é um país muito desigual e banir a sacolinha plástica (embalagem plástica multicamada de uso único), pode não ser a solução, haja visto que cria-se outro problema, pois a população de mais baixa renda reutiliza estas mesmas embalagem para descarte de lixo. Em contrapartida poderíamos exigir soluções adequadas ambientalmente das empresas de varejo.

A mudança do consumidor de produtos plásticos, passa primariamente pela questão da educação ambiental. A ressignificação da cultura de consumo faz-se extremamente necessário para formar o pensamento crítico do cidadão.

Pesquisa

Durante o período de 14 de novembro à 5 de dezembro, foram coletados dados de 4 (quatro) públicos de interesse (Consumidores; Empresas de Bens de Consumo; Convertedores; ONGs), através de ferramenta "Google Docs", de forma totalmente anônima, com intuito de medir alguns percepções do grupo e traçarmos um perfil e uma tendência.

Reforçamos que esta pesquisa, apesar de anônima, não possui carácter cientifico, o público alvo foi direcionado (Influenciadores e Decisores de Empresas; Gestores de ONGs; Consumidores sem mapeamento das faixas de renda ou critério Brasil).

Tivemos auxílio da Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) que repassou a pesquisa á um grupo de empresas associadas.

Pesquisa Consumidores: Elaborada pelo Grupo - N:53
Pesquisa Consumidores: Elaborada pelo Grupo - N:53
Pesquisa Empresas de Bens de Consumo - Elaborado pelo Grupo - N:7
Pesquisa Empresas de Bens de Consumo - Elaborado pelo Grupo - N:7
Pesquisa Empresas Convertedoras - Elaborado pelo Grupo - N:12
Pesquisa Empresas Convertedoras - Elaborado pelo Grupo - N:12
Pesquisa Empresas Convertedoras - Elaborado pelo Grupo - N:5
Pesquisa Empresas Convertedoras - Elaborado pelo Grupo - N:5

Através da pesquisa, algumas constatações foram possíveis e permitiram ao grupo direcionar o produto a ser entregue.

Constatamos que o termo plástico flexível multicamada de uso único é pouco conhecido , especialmente entre consumidores.

O conhecimento acerca dos assuntos coleta Limpeza Urbana e Coleta Seletiva são respectivamente baixo e médio entre os consumidores entrevistados.

O Banimento do Plástico pode ser uma alternativa para a redução do problema dos resíduos plásticos na visão dos consumidores e ONGs (+ 60%), em contrapartida não é uma possibilidade para Convertedores e empresas de Bens de Consumo.

Foi interessante notar que para todos os públicos a responsabilidade para destinação correta dos resíduos deve ser compartilhada.

Observa-se que a maior parte de todos os públicos pesquisados, acredita que a poluição dos oceanos esta ligado a falta de investimentos em infraestrutura, coleta seletiva e logística reversa.

Também foi revelado que os Consumidores e as ONGs, não acreditam fazer pressão para substituição dos plásticos de uso único, fato este confirmado pelos próprios Convertedores e empresas de Bens de Consumo.

Um dado que chamou atenção foi as empresas convertedoras afirmando que investem em ações de despoluição dos oceanos.

Foi constatado através das opiniões expressas nas distintas entrevistas, que a responsabilidade do setor publico é entendida como legislação e controle, coleta seletiva, educação do consumidor e Infra estrutura.

A responsabilidade do setor privado para este tema é percebida como: logística reversa; conscientização do consumidor, desenvolvimento de novos tecnologias, redesign de Embalagens.

O consumidor entende como sendo sua responsabilidade o descarte adequado; consumo consciente e educação. Enquanto que as ONGs, são percebidas como responsáveis pelo engajamento na causa, parceria publico privada e interlocução entre os atores.

Links para acesso aos questionários :

Presencing: retrair e refletir

Sentimentos, sensações e insights individuais (depoimentos de cada membro do grupo narrando sua percepção nesta etapa do percurso)

Gregori Boschi

"Durante esta etapa do percurso, os principais sentimentos foram de reflexão a respeito das dificuldades enfrentadas ao longo do projeto associadas a dificuldade do setor para maior abertura ao diálogo, sem a existência de uma agenda oculta. A sensação da necessidade de que mudanças nas leis são necessárias para que algo seja implementado e que isso levaria muito tempo, anda em conjunto com a sentimento de impotência frente ao tamanho do problema enfrentado.

Muitos questionamentos surgiram até perceber que um pequeno passo em direção a aproximação e ao diálogo seria a solução do problema. Permitir a conversa, aproximar as partes interessadas e direcioná-las para um pequeno passo já seriam um imenso avanço frente a complexidade que nos atravessava."

Luciana Rocha

"O meu momento presencing nesta jornada aconteceu durante a aula, quando inconformada em não caminhar na construção de uma solução após muitas discussões e outivas de diversos atores da cadeia plástica caiu a ficha de que a solução é a pequena construção de pontes entre elos da cadeia, passo a passo.

Para mim mais do que um deslocamento em função do PR, foi um processo de revisão dos meus valores e experiência profissional como promotora da venda de embalagens plásticas e de questionamentos ao sistema (o adjetivo seria perverso?) que vivemos e da narrativa de plástico como solução de praticidade e comodidade inventadas sem levar em conta as suas externalidades."

Mariana Gonçalves

“Em um primeiro momento, a dúvida sobre a real possibilidade de desenvolvermos algo significativo em uma temática tão complexa como esta em tão pouco tempo me acompanhou. No entanto, à medida que fomos caminhando em conjunto, uma segurança e a confiança em um resultado favorável apareceram. Agradável foi a surpresa de ouvir os anseios tanto de meus colegas de grupo em reuniões como de todos os convidados que gentilmente aceitaram nosso convite para eventos ou reuniões individuais e dividiram suas interessantíssimas experiências conosco.

Verificar visões tão diferentes mas que rumavam para um mesmo objetivo, ou visões tão similares mas provenientes de partes que por vezes não dialogavam ou que sequer se conheciam causou em mim grande otimismo. Notar o resultado da abertura para escuta, da união para o diálogo e da boa vontade para agir, bem como a necessidade que temos em nos relacionar como humanos em comunidade me trouxeram a disposição para olhar desafios e temas complexos de forma mais positiva, preferindo primeiramente agir antes de duvidar.”

Mateus Mendonça

"Enfrentamos um grande desafio na nossa cultura de consumo contemporânea. A transição para a Economia Circular envolve romper barreiras que afetam algumas crenças fundantes da nossa vida, do nosso comportamento em sociedade. Responsabilizar-se pelos impactos que nos são quase que "naturais", no modelo de produção e consumo vidente parece quase impossível.

A consciência ambiental sem a estruturação adequada de serviços por parte do Estado nos impõe mais esforços, e também, sofrimento, dor pela incapacidade de fazer a sua parte. Também erra o setor empresarial por , na maioria das vezes, buscar o caminho mais fácil , ou seja, barato. É preciso mobilizar e engajar cada indivíduo, cada cidadão, apenas assim as estruturas que compomos em sentido coletivo serão reequilibradas.

Essa é minha presença. Ajudar a mover um ponto e , depois do balanço , buscamos encontrar um novo olhar , mais nítido, mais amplo , mais responsável e desequilibrado na sua busca de equilíbrio..."

O PROCESSO

Proceso PR Resíduos

ENTREVISTAS

Entrevistamos o vereador Xexéu Tripoli de São Paulo, conhecido por sua atuação em prol do meio ambiente e autor da Lei 17.123/2019, que proíbe o fornecimento de canudos plásticos em hotéis, bares, restaurantes e similares e do projeto de lei 99/2019 que proíbe o fornecimento de produtos de plástico descartáveis (uso único) em hotéis, restaurantes, bares e padarias, entre outros estabelecimentos comerciais como espaços para festas infantis, clubes noturnos, salões de dança, eventos culturais e esportivos de qualquer espécie.

“É necessário que a gente tome atitudes falando com o poder público, as indústrias e conscientizando a população sobre um novo modelo para o uso desse material”, defendeu o Vereador Xexéu Tripoli, na assinatura do Pacto Global para a diminuição do uso do plástico pelo prefeito de SP a seu convite. Liderado pela Fundação Ellen MacArthur, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente, o Compromisso Global busca erradicar o desperdício e a poluição gerada por plásticos.

São Paulo foi a primeira cidade do hemisfério Sul a assinar o Compromisso Global da Nova Economia do Plástico em 14 de março de 2019.

Durante a entrevista Xexéu nos relatou como foi o processo para a aprovação dos projetos e os cuidados na elaboração da proposta de lei, que atenda à legislação no âmbito da cidade, a exemplo da questão referente a proibição de fornecimento ao município.

Entende que temas ambientais dependem de conscientização dos atores e vê com bons olhos a aproximação da academia para promoção de debates com o poder público.

Entrevistamos também o ativista João Malavolta, da ECOSURF, ONG que se iniciou quando era adolescente e se confunde com sua própria história. Atua em projetos e campanhas de mobilização social, pesquisa, políticas públicas (Advocacy), comunicação e educação ambiental.

Contribui para a construção e o fortalecimento da cidadania planetária entre os surfistas, mobilizando e articulando pessoas e grupos para intervir ativamente na proteção das praias, ondas, rios e oceanos.

"Precisamos repactuar nossa relação com o plástico, que trouxe qualidade de vida e se confunde com a história das embalagens."

"Temos que atacar o problema na fonte: produtores de resinas teriam que criar critérios de aplicação dos produtos que coloca no mercado. Não é efetivo cobrar somente as empresas que convertem as resinas em embalagens."

" Plástico de Oceano não é correto: O plástico é interceptado e/ou recuperado de cooperativas em áreas litorâneas."

"Criar consumidores mais informados e associados a causas."

"PNRS passa por revisões e pedidos de postergação tanto da indústria como de prefeitos de municípios que não tem estrutura para implementar a lei."

" Vejo uma evolução a exemplo da criação de Instrumentos que balizam nosso fazer como ODS 14 e 14.1 de acabar com a poluição dos mares e da aprovação na Europa da proibição futura dos plásticos descartáveis, mas temos que agir..."

Desenvolvimento do produto final: agir em um instante

Processos de prototipagem

A partir dos insights e conclusões obtidos pelas pesquisas secundárias, escutas e temas que atravessaram o grupo, pudemos perceber que não há solução imediata, mas um pequeno passo em direção ao diálogo será um grande avanço.

Fonte: Processo utilizado para definição do Protótipo - Elaboração: Grupo

Desta forma concluímos que o produto a ser desenvolvido será um debate com os representantes legítimos dos 4 públicos selecionados. Desde o primeiro momento do projeto, consideramos como recorte embalagens flexíveis multicamadas de uso único ( descartáveis), com o propósito de compreender e contribuir para o diálogo entre as partes. Desta forma será possível, através de um debate, aproximar os "stakeholders" a luz das informações e conhecimentos adquiridos ao longo do percurso.

Produto Final

Por que a definição de um Debate?

Ao revisitarmos o propósito do projeto e diante da complexidade do tema, com todos os paradigmas e dilemas que cercam cada uma das partes interessadas, percebemos claramente que a única forma de atender ao objetivo - "Abrir o diálogo entre os stakeholder envolvidos na cadeia de valor de embalagem flexível multicamada de uso único e seus desafios frente à poluição dos oceanos" - será a promoção de um debate, com a participação dos principais formadores de opinião, representantes de cada umas partes envolvidas.

Para esta painel, contaremos com os seguintes participantes:

  1. Larissa Joiozo: Representante dos Consumidores
  2. Marcos Iorio: Consultor - Design de Embalagens - Representante da Indústria
  3. Anderson Nassif : Catador de Materiais Reciclados - Representante dos Reciclados.
  4. Sylmara Dias : Representará Corpo Técnico / Academia
  5. Lara Iwanicki: Representante ONGs (Fundação OCEANA)
  6. Anna Romanelli: Representante de ONGs
  7. João Malavolta: Representante das ONGs (Ecosurf)
Foto : Participantes

A dinâmica do debate será através da promoção do Diálogo?

Algumas questões foram colocadas aos participantes afim promover o diálogo e aproximação dos participantes das questãos que emergiram após apresentação da pesquisa.

Questões do Debate / Diálogo que foram colocadas para os participantes

Principais contribuições dos convidados:

  1. " O consumidor não tem escolha, por mais consciente que seja."
  2. " Cerca de 67% dos munícipios não tem coleta seletiva. Desta forma , a educação do consumidor não resolverá o problema."
  3. "O acordo setorial não foi efetivo quanto a logistica reversa. As empresas tem condições econômicas de implementar ações além do que a PNR prevê."
  4. " Na minha opinião falta incluir na discussão a indústria que fabrica a resina, que é um setor petroquímico."
  5. "A resina reciclada não pode ser mais cara que a resina virgem. Há necessidade de revisão de leis e tributos para regular estas distorção."
  6. "Os números da reciclagem são muito divergentes, variando de 1,2 % a 12%, de qualquer forma não esta dando conta da quantidade de plástico que esta sendo colocado no mercado."
  7. "Os produtos descartáveis , ou "uso único" por denominação é lixo (não recicláveis)."
  8. "Banimento talvez não seja a solução, o diálogo deve ser em pról da substituição para não perdermos espaço de discussão."
  9. "Pacto dos plásticos no Brasil - a maior dificuldade é como convergir os interesses."
  10. "Uma das dificuldades é trazer as empresas de logística para mesa de discussão, pois são parte importante do custo."
  11. "O interesse das empresas é econômico, sempre irá prevalecer. Ciclos múltiplos será mais interessante."
  12. "Existe uma relação imbricada da indústria da alimentos ultra processados e embalagens baratas e descartáveis."
  13. "Plástico é um produto perigoso para humanidade, e assim deve ser tratado seu impacto nas discussões entre os atores, a luz dos interesses da sociedade e ambientais."
  14. " A narrativa do plástico como material maravilhoso e conveniente para a humanidade precisa ser desconstruída."
  15. "Questão Interdisciplinar, multisetorial e global."

APRENDIZADOS para AVANÇAR...

Quais possibilidades de ações para endereçar a problemática dos plásticos a partir das conversas e intervenções realizadas?

EDUCAÇÃO

Promover ações educativas a respeito dos tipos de plásticos e suas características como o esclarecimento das nomenclaturas, para que servem e o que pode ou não ser reciclado.

Reciclável x Reciclado: nem tudo que é reciclável será reciclado, mesmo que separado corretamente, pois muitos itens não apresentam viabilidade financeira e ou escala comercial.

APROXIMAÇÃO PODER PÚBLICO

Promoção de debates qualificados para endereçar as ações do poder público e engajar a sociedade, com a abertura de um vereador com interesse na pauta ambiental.

Credits:

Criado com imagens de TheDigitalArtist - "environmental disaster pollution" • stux - "plastic waste environment pollution" • sergeitokmakov - "ocean trash beach" • meineresterampe - "plastic cups garbage disposable cups" • cocoparisienne - "garbage bag waste non recyclable waste" • stevepb - "checkmate chess resignation" • geralt - "car communication talk self talk"