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Senado fortalece movimento por Mais Mulheres na Política Plenário da casa abrigou seminário que discutiu estratégias de ampliação da participação Feminina nos espaços de poder

Em maio deste ano, o Senado Federal registrou, mais uma vez, um momento histórico da democracia brasileira: todos os espaços do Plenário – mesa diretora, bancadas, tribunas de honra e da imprensa e, também, galeria – foram majoritariamente ocupados por mulheres. Isso porque a Casa sediou o seminário Mais Mulheres na Política, que contou com a participação de pesquisadores, jornalistas, artistas e, claro, políticos para debater a participação e a representatividade feminina nos poderes Legislativo e Executivo. O evento foi uma iniciativa da liderança da Bancada Feminina e da Procuradoria da Mulher do Senado e teve o apoio da Câmara dos Deputados e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na ocasião, uma das reflexões expostas foi o fato de as mulheres serem 53% do eleitorado brasileiro e, ainda assim, serem minoria em cargos eletivos. Nas cadeiras do Senado, apenas 13% das cadeiras são ocupadas por mulheres e, na Câmara dos Deputados, 15%. Mediadora do painel “Mulher na Política”, primeira mesa temática do evento, a diretora-geral da Casa, Ilana Trombka, emocionou-se a comentar o simbolismo do momento.

Para a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), líder da bancada feminina no Senado, as dificuldades encontradas pelas mulheres para ocuparem os lugares e as posições desejadas fazem com que muitas desistam. Ela, inclusive, deu seu exemplo pessoal de precisar ficar longe geograficamente das filhas, de sete e oito anos, que moram no Maranhão, enquanto cumpre sua jornada como parlamentar.

— A luta da mulher tem que suplantar as dificuldades. Quero dizer a cada uma de vocês que nós podemos. Temos toda a condição ocupar os mais variados espaços de poder, independentemente da nossa situação econômica ou da situação onde estamos inseridos. Eu sou fruto disso. Nasci numa casa simples. Hoje eu sou senadora do meu país — ressaltou.

A senadora Leila Barros (PDT-DF), procuradora especial da Mulher no Senado, salientou que as mulheres precisam avançar em todos os espaços de poder, inclusive, na política “Essa luta é de todas nós. Em todos os espaços de poder a mulher ainda precisa avançar e para isso, temos um longo caminho a percorrer”.

Foto: Jefferson Rudy/Agência

Na abertura do seminário, a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) também pediu força às mulheres: “Mulheres brasileiras, não esmoreçam. Quando quiserem esmorecer, lembrem-se: as decisões são políticas. Quem vai decidir o seu salário, a educação dos seus filhos, a quantidade de recursos na saúde, é a política. O que eu quero chamar atenção é que não acreditem nesta história de que não é para politizar”.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, destacou que a política é um espaço de comunicação na sociedade. Segundo ela, o momento atual é de transformação e não de mudanças pontuais: “Então, se nós [mulheres], somos parte da sociedade, qual é a dificuldade que temos?”.

Ministra Carmen Lúcia ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

É preciso, afirma a magistrada, contar para todas as mulheres” que é possível votar em outras mulheres e seguir lutando pela participação feminina na política. Ela destacou a pluralidade do país, defendeu a educação, criticou a disseminação de fake news e apontou que “mais importante que mudar é transformar”.

O público acompanhou presencialmente os debates e também em transmissões feitas pelas TV Senado, TV Câmara, TV Justiça e pelo TikTok. Para que a população participasse das discussões, também foi disponibilizado um espaço nas redes sociais e pelo Portal e-Cidadania do Senado Federal para perguntas e depoimentos.

A íntegra do evento pode ser conferida abaixo:

Mobilização nos bastidores - Chefe de gabinete da DGer, Kauê Tissot, explica que várias unidades da Casa estiveram diretamente envolvidas na organização do seminário, a exemplo do gabinete da senadora Eliziane Gama, a Procuradoria Especial da Mulher (Promul), a Secretaria de Comunicação. Para viabilizar os preparativos, foram realizadas diversas reuniões e as equipes foram separadas nos grupos de organização e de divulgação do evento.

Lunde Braghini. da Promul, salientou que o desafio foi o de "realizar um seminário que fosse representativo também da diversidade de mulheres, aspecto que tem incidência até sobre a comunicação, já que um contingente significativo de mulheres jovens se move no universo das mídias emergentes".

— O sucesso imediato do evento deve ser visto até como um termômetro, um indicador, de que as mulheres “querem mais disso”, querem mais ocasiões para dizer que têm algo a falar, em público e ao público, e que não pode ser dito por ninguém mais, exceto por elas — afirmou.

Para a equipe da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), o seminário surgiu a partir de uma ideia da parlamentar com o intuito de promover um "evento conclamando as mulheres a usarem o voto de forma ativa e, ao mesmo tempo, chamar atenção para a constante luta por igualdade de gêneros na política".

— Foi um desafio grande, pois o tempo era curto, mas muito motivador pela importância do tema. A união de esforços com importantes órgãos do Senado com a coordenação da diretora-geral, Ilana Trombka, e o apoio de peso do Tribunal Superior Eleitoral e da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados tornou o evento maior do que o previsto inicialmente. O apoio de autoridades, acadêmicas e de artistas à causa do evento deu o tom da grandeza da proposta e motivou ainda mais — ressaltaram os integrantes do gabinete.

Na galeria a seguir, estão mais algumas imagens dos eventos:

Fotos: Roque Sá