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Jorge Ascenção: «A escola formata as crianças» Entrevista de Cláudia Sebastião

Jorge Ascenção é presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). A propósito do projeto «Escola Amiga da Criança», defende um novo modelo para a educação, com a participação de todos.

Nas suas funções, conhece muitas escolas de norte a sul do país. Estes projetos candidatos a «Escola Amiga da Criança» surpreenderam-no?

Sim. Eu sabia, e tenho-o dito muitas vezes, que a qualidade da educação não está no facto de a escola ser pública ou privada, ser a escola A ou a escola B. A qualidade da educação está na qualidade da relação que se estabelece entre o professor e o aluno, e nisso há muita qualidade nas escolas públicas como há nas escolas privadas. Não tem nada que ver. As pessoas confundem por causa dos rankings que são, às vezes, uma deturpação do que se faz nas escolas. O ranking mostra o resultado final. Não mostra o resultado de partida. O ranking mostra o resultado final sem mostrar que trabalho é que as famílias fizeram paralelamente: explicações, recursos, tudo isso. Muitas vezes, uma escola faz um trabalho de excelente qualidade e a nível de resultados finais fica num resultado médio, ou num doze ou num dez. Mas a verdade é que pegou em alunos que eram da desistência e conseguiu colocá-los no lado positivo. São resultados que nunca são de uma escola. São de professores dedicados e com vocação para aquilo que é a profissão do ensino nos dias de hoje.

Alguns dos projetos surpreenderam-me. Tenho filhos e somos de família grande. Sabia bem e conhecia bem a qualidade que algumas escolas imprimem no seu trabalho, mas de facto é generalizado pelo país e é significativo o impacto. É de facto congratulante, honroso, percebermos que a escola tem fragilidades e não está tudo bem, mas que tem coisas muito boas. Surpreendeu-me e foi muito complicado fazer a seleção do projeto vencedor.

Tive o cuidado de dizer em todas as entregas que tive que mais do que a distinção, para nós foi gratificante as escolas terem mostrado o trabalho que fazem, terem concorrido e nós termos a certeza de que a educação vai no bom caminho se nos envolvermos todos e se trabalharmos com esta aplicação na melhoria do trabalho das escolas. Isso é que é importante.

Nós temos de reconhecer o bem que se faz. E o bem que alguns estão a fazer, e dizer àqueles que provavelmente ainda podem fazer melhor: “façam” que nós estamos cá para o reconhecer e é possível fazer. E isso foi de facto a coisa que mais feliz me fez: perceber que a «Escola Amiga da Criança» já não é um projeto, é uma marca. Vai continuar a ser cada vez mais. Teve um crescimento exponencial este ano. E independentemente dos pais, sabemos que todos têm um papel na melhoria, mas as escolas não mais deixarão de querer carimbar a sua escola e o trabalho que fazem com o selo «Escola Amiga da Criança».

Atividade do «Banco dos Afetos» da Escola Secundária de Francisco Franco, na Madeira, «Escola Amiga da Criança 2019».

O que é uma escola amiga das crianças? O que valorizaram nestas escolas que levaram o selo?

Como eu disse no início, uma das ideias era combater os rankings, porque de facto estamos a lutar e a caminhar nesse sentido. Estava a ser demasiado constrangedor e limitador o facto de necessitar de uma classificação e de uma nota já quase fora da escala, estava a ser demasiado prejudicial para a educação e para o ensino o que se passa com os rankings. Nós sabíamos que era mais o marketing que se fazia, sabendo que se estavam a esconder as verdadeiras causas daquele sucesso e que muitas vezes não têm que ver com o trabalho institucional de uma determinada instituição na educação, mas também. Ninguém nega isso, e até servia e serve para aquelas que não atingem os objetivos nesse ranking tentarem perceber porquê e tentarem melhorar. Nada contra isso, mas entendemos que seria preciso olhar para outros aspetos positivos que as escolas têm.

Quais são esses aspetos?

Na «Escola Amiga da Criança» não entra qualquer tipo de avaliação académica, não há notas nem dada disso. O que é que nós vamos ver? Estamos a avaliar o sistema todo. Quando uma escola muitas vezes não atinge um determinado patamar na «Escola Amiga da Criança», a causa não é responsabilidade intrínseca. Por exemplo, avaliamos espaços escolares, avaliamos espaços de recreio, avaliamos tempos. Isso pode ser da responsabilidade da autarquia ou do ministério. Estamos a avaliar tudo isto. Os municípios que têm menos distinções têm de começar a perceber porquê e em que categorias. Por exemplo, na alimentação a responsabilidade é partilhada entre a autarquia e a escola. O diretor tem a responsabilidade de perceber se está bem ou está mal e de denunciar. Muitas vezes os diretores não denunciam pensando que escondendo se dá uma boa imagem das escolas. Mas eles têm responsabilidade de denunciar. Temos a interação com a família: se de facto estamos a ter reuniões com os pais em horas em que eles possam estar, se temos projetos em que os pais participam e partilham a sua vida com a escola, se a direção recebe a associação de pais e se lhe confia os espaços. Estamos a avaliar a parte digital, se a escola tem projetos digitais, se tem meios digitais. Aqui estamos também a avaliar a autarquia, o ministério e a escola: se têm meios e os usam. Tudo aquilo ou quase tudo que nós possamos pensar que faz parte da vida da escola.

Porque rejeitam os rankings das notas?

O conhecimento é importantíssimo, mas há outros campos de avaliação e nós aqui não o pusemos porque já sabíamos o que ia acontecer. Os prémios de mérito que existem nas escolas, já sabemos que a maior parte delas só olham para as notas que os miúdos tiram e depois em vez de irem brincar têm de ir estudar para tirar boa nota. Claro que eles têm de ir estudar para serem responsáveis e serem bons. Não significa que deixem de estudar e de ir brincar com os colegas. Temos de valorizar o outro lado. E se calhar é o mesmo lado, porque nós estamos convencidos e isso está estudado: uma criança feliz aprende melhor para ser feliz, tem de brincar e tem de ter espaço para brincar e tem de ter tempo para fazer o que gosta.

Dizemos muitas vezes que uma criança no pré-escolar ainda brinca. Chega ao primeiro ano do primeiro ciclo e está habituada a brincar, a mexer, está habituada a uma ordem desordenada que é a dela, e chega lá e começam a formatá-la. Ela tem de ser igual às outras. Tem de estar quietinha, tem de estar calada, não pode espirrar, não pode deixar cair o lápis, não pode fazer aquilo que quer no momento que quer. Começamos a coartar a curiosidade, o espírito de iniciativa e a criatividade para que as crianças sejam todas iguais. A escola está a fazer muito isto e nós queremos que a escola faça diferente. E não significa que a criança não aprenda. Porque se a escola trabalhar, como há muitas escolas que o fazem… Fala-se muito da Escola da Ponte, mas há mais que têm projetos próprios em que as crianças aprendem umas com as outras de formas diferentes.

O que é preciso mudar?

É a questão do método pedagógico que tem de evoluir. Quando estamos a trabalhar com gosto, rende-nos muito mais o que estamos a fazer. As crianças também. Divertem-se a trabalhar quando estão a aprender. Quando estão nestes projetos comunicam umas com as outras, conseguem aprender muito mais. Toda a gente sabe isto. E as famílias sabem muito bem isto. Só que às vezes passa-nos quase despercebido. Quantos de nós não temos na família filhos que nos dizem “andei uma data de tempo e não consegui perceber isto na aula. O meu colega explicou-me e eu percebi”. Quantos?! Tenho casos muito recentes de jovens que conseguiram entrar na universidade com a ajuda dos colegas. Quando nos chegam a casa a dizer “consegui ajudar o amigo a entrar na universidade”, nós dizemos: é isto!

Estava a falar das escolas. Qual o papel das famílias?

Ouvimos, muitas vezes, dizer que as crianças são mal-educadas pela família e que, portanto, a escola vive cheia de problemas. Eu costumo, reconhecendo as fragilidades das famílias, perguntar para que serve a escola se são as famílias que têm de ter tudo resolvido à partida. Mas isto não é bem verdade. Isto é uma desculpa às vezes da incapacidade que se tem, não por responsabilidade própria, incapacidade que o sistema tem de resolver ou colmatar problemas que vêm da sociedade, vêm da família.

Os nossos filhos passam com a família acordados uma a duas horas por dia. As restantes estão a dormir e passam seis, sete, oito horas ou na escola ou numa instituição que ajuda a cuidar dos filhos enquanto as famílias cumprem o seu tempo laboral. Passam tempo demais na escola. É verdade! O que me preocupa não é o tempo de mais. É o tempo de mais que estão na escola sem a qualidade que era desejável. Escola não é sala de aula, ou não devia ser apenas sala de aula. Temos de criar espaços de cultura, desporto, lazer, brincadeira dentro da escola. Ou, pelo menos, neste tempo de escola que até pode ser fora das paredes de uma escola.

Flexibilização e autonomia das escolas: estas medidas vêm abrir a escola para esta educação mais integral?

Não sei se ajuda. Permite. Eu estou convencido que isto passa muito por um bocadinho de vontade, de esforço. Sabemos que é preciso dar um bocadinho para além daquilo que é a função profissional que tenhamos em determinado momento. Com autonomia e com flexibilização há uma certa permissão. Mas é preciso vontade para fazer diferente, porque senão continuamos na mesma. Não podemos flexibilizar juntando duas disciplinas. Isso não dá nada. Ou dá pouco mais. Nós podemos é integrar. É pôr as coisas a encaixar umas nas outras. Dar Português, Matemática, Filosofia num projeto em que todos interagem.

A questão é: “queremos trabalhar assim?” Agora diz-me assim: “de facto, para conseguir responder a exames da forma que estão feitos esta pode não ser a melhor forma.” Mas também pode não ser assim, porque de facto os meninos têm hoje uma forma e uma capacidade que nos ultrapassa a nós de perceber as coisas. Eles têm é de as perceber. Mas também temos de repensar e temos trabalhado com o IAVE [Instituto de Avaliação Educativa] para repensar este método de avaliação, de exames, etc. Por isso, a Confap tem falado no acesso ao ensino superior. Mas não é só por causa do acesso. É por todo o modelo de educação que nos conduz ao acesso.

Acho que esta questão da flexibilização permite trabalhar de forma diferente. Não sei se ajuda, mas permite. O que ajuda é querer, é ter vontade de fazer diferente, perceber que a forma como estamos a fazer hoje que é ter os meninos, como eu costumo dizer, num autocarro enfileirados em que a diferença para o autocarro é que o motorista está virado para eles… Ter este método nos dias de hoje obviamente que dá indisciplina, eles não estão quietos, e nós dizemos que eles são indisciplinados. Não é nada! Ninguém consegue estar 50 minutos a ver as costas do colega e a ouvir alguém falar para ele de uma forma monótona. Este é que é o problema. Nós temos é de os pôr a falar uns com os outros, a aprender uns com os outros e o professor orienta. Há imensos exemplos. Eu estive em conselhos de turma em que os professores todos se queixavam de uma turma, exceto o de Matemática e Física. Mas deu para perceber porquê. Porque em Matemática e Física eles trabalhavam e o professor orientava. Nas outras disciplinas, eles tinham de estar quietos a ouvir.

Não é uma crítica aos professores. É perceber a nossa condição humana. Nós temos é de nos colocar na pele do outro. O professor tem de se colocar na pele do aluno e pensar “eu era capaz de estar ali sentado 50 minutos calado? Não”. Então tenho de encontrar uma forma de o estimular, de o pôr participativo. E há professores que o conseguem fazer. São bons professores, tiveram boa formação, são bons pedagogos e são pessoas vocacionadas e interessadas.

Quando lhe falei que a escola formata as crianças é deixarmos de perguntar porquê. Se calhar porque passamos todos pela escola. É isto que me preocupa. Temos de não perder a nossa capacidade de perguntar porquê antes de agir.

Uma escola amiga da criança é uma escola como?

Uma escola amiga da criança é uma escola de relações, é uma escola que estende, amplifica, prolonga a família. A escola amiga da criança prolonga a família. Sabemos que as famílias não são todas iguais. Vamos olhar para o padrão mais comum. Quando temos a família, o que temos? Temos colo, a pessoa sente-se confortada, sente-se protegida, sabe que tem apoio, sente-se orientada, quando pergunta porquê alguém responde, sente-se acarinhada. Há contacto, há abraço, há a palma da mão, há uma mão estendida. Isto é a família. A «Escola Amiga da Criança» é prolongar isto. É aquela que quando os nossos filhos lá entram encontram não um, dois ou cinco irmãos, mas encontram centenas de irmãos. É um bocadinho idealista, mas pensamos o ideal para que o ambiente seja o mais próximo disto. Consegue ter amigos e tem. Curiosamente, os nossos filhos têm amigos mais amigos que os irmãos. Conseguem muitas vezes ter muita confiança nos professores, sabem que têm ali um amigo, num assistente operacional, no psicólogo, seja quem for. Qualquer coisa, socorre. E às vezes até se sentem mais à vontade do que com a família, porque a família, na sua superproteção, é irracional. Uma escola que tem segurança tem espaço para brincar, tem boa alimentação. Se tem isto tudo, tem seguramente uma boa relação. Tem uma relação de afeto, de confiança, de compromisso. A «Escola Amiga da Criança» é a escola que estabelece relações de compromisso, de confiança, de afeto.

Dizem-me assim “este não vive neste mundo”. Sei que as pessoas pensam quando digo isto… Na educação, como noutros sistemas da nossa sociedade, nós só relevamos os defeitos. Parece que não vivo neste mundo em que a escola só vive problemas. É mentira. A escola não vive só problemas. Não conheço nenhum sistema em que a família vá trabalhar e deixe os seus filhos e fique descansada a não ser a escola. Deixamos os filhos e ficamos tranquilos. Se os deixamos no cinema estamos preocupados. Na escola ficamos tranquilos. A escola tem todas as condições. Haja um bocadinho de esforço, de vontade, e é nesta perspetiva que eu digo.

Reconheceu fragilidades das famílias. Que fragilidades são essas?

Sei que temos cerca de 20% de famílias com negligência, com desconhecimento, com timidez. É importante falar também disto: escola amiga da criança é também aquela que sinaliza situações de risco que possam existir e em colaboração com a comunidade. A escola sinalizando, a comunidade tem de estar preparada para apoiar a criança caso seja necessário. A criança muitas vezes não tem culpa dos pais que tem. Muitas vezes negligenciamos a proteção da criança, porque a família é que é a culpada. Se a família é a culpada e nós não estamos disponíveis para proteger a criança, não sei para que é que existe a sociedade e para que é que existe a escola. A escola também sinaliza, precisamos de acompanhar, precisamos de ver. Por isso é que as equipas multidisciplinares não são para funcionar dentro das escolas, são para trabalhar com a escola e com a família. São para evitar situações em que uma criança, antes de ir para a escola, os pais obrigam-na a deixar o pequeno-almoço pronto para os pais que estão na cama. Obrigam uma criança de 11 ou 12 anos a deixar o pequeno-almoço pronto e ainda a ver se está tudo bem com a maninha mais nova antes de ir para a escola, e esta criança que chega à escola em vez de entrar às 08h20, que é hora de entrar, chega às 08h45 porque se atrasou e é capaz de adormecer na carteira como adormecia. E um bom professor é capaz de levar um abraço a dar-lhe coragem e motivação para ela continuar e superar e além disso sinalizar a responsabilizar a família. Esta criança levava uma repreensão por ser preguiçosa, por chegar atrasada e por só dormir. Até que alguém de bom senso, benditos sejam estes professores, percebe que alguma coisa não está bem e sinalizando se acompanha e se percebe o que se passa.

É uma história real?

É uma história real. E há muitas, infelizmente. E não posso desresponsabilizar-me, responsabilizando a família, porque isso significa que estou a condenar uma criança que deve ter o mesmo direito que as outras. O que dizemos é que a escola deve sinalizar, depois queremos que a sociedade se responsabilize. Seja a comissão de proteção, seja a autarquia, seja a polícia, seja a saúde, seja a segurança. Por isso é que nós queremos equipas multidisciplinares com psicólogos, enfermeiros, animadores socioculturais, e segurança para podermos sinalizar uma situação e fazer a ponte. Depois temos duas possibilidades: ou recuperamos a responsabilidade destas famílias para se aproximarem, acompanharem e deixarem a criança ser criança, ou temos de dizer que esta família não tem esta responsabilidade, terá a sanção que o sistema legal entender, mas a criança tem de ser protegida. Isto também faz parte da escola amiga das crianças.

Estas equipas multidisciplinares já existem? Funcionam assim?

Não, não. As equipas multidisciplinares foram criadas no intuito dos territórios TEIP que tinham assistentes sociais, psicólogos. São profissionais das áreas socioeducativas e saúde. Sabemos que os recursos são escassos, e sendo escassos o enfermeiro muitas vezes é com o centro de saúde. Percebo que não se possa ter a tempo inteiro todos estes profissionais no espaço escolar. Mas em rede eles têm de estar. Em rede, as autarquias têm de conseguir acudir às necessidades que as escolas têm nesse aspeto. A CPCJ está em casos de perigo. A lei não prevê a prevenção do risco. Aquilo que estamos a dizer é que estas equipas multidisciplinares dentro do meio escolar e os professores, apercebendo-se do que se passa, possam fazer a ponte. O animador sociocultural pode criar atividades para melhorar. O psicólogo tem uma comunidade educativa toda para proteger. Estas equipas existem. Perguntou se funcionam? Pois… [encolhe os ombros].

Nós temos um todo um quadro regulador e normativo que consegue dar resposta a todos estes problemas. As práticas é que ficam muito longe. A teoria ainda está muito longe da prática. A responsabilidade é de todos. Os métodos educativos, a família tem muita responsabilidade porque só veem notas. São levados a isso também porque é a cultura. Temos de trabalhar também as famílias e os pais. “Desculpe, mas acha que o seu filho vai ser feliz sendo médico, engenheiro, advogado?” “Não, mas é isso que eu sou.” Fico algo tranquilo e até feliz quando conhecemos que alunos que têm as melhores notas e escolhem artes. As pessoas ficam escandalizadas. “Devia ter ido para Medicina ou para engenharia aeroespacial.” Desculpem?! Isto está tudo doido! Deixem-nos escolher. Se deixarmos, os miúdos têm capacidade para fazer boas opções. E se nós deixarmos, fazem melhores opções do que nós para eles. Este é um problema em que ainda é preciso trabalhar muito que é no âmbito familiar. Depois, a própria escola: trabalhar tranquilamente, ter a certeza de que está a fazer bem. Temos de deixar de ouvir aquelas coisas quando se entra no 10.º ano “agora é que é a valer”. Porque só se está a olhar para a nota, não é?

Credits:

Criado com imagens de Sam Balye - "The boys in the back" • MI PHAM - "Children’s smile" • NeONBRAND - "untitled image" • Nicole Honeywill / Sincerely Media - "untitled image"