Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade da FGV EAESP.
Formação Integrada para Sustentabilidade
MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.
Como a Formação Integrada funciona na prática?
Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Visando a emergência deste sujeito mais integrado, nos baseamos em em princípios da Transdisciplinaridade, buscando combinar conteúdos e atividades que promovam:
- Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
- Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).
Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:
Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Ao longo dos três semestres da Formação Integrada esperamos que os alunos possam:
- Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
- Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
- Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
- Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.
Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os alunos possam:
- Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
- Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
- Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
- Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.
O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: (i) Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; (ii) Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e (iii) Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.
SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS
DiMENsões da Masculinidade
Desafio: Desnaturalizar as convenções relacionais da masculinidade Sensibilizar homens sobre as diversas formas de expressão de masculinidades nas corporações. Promover um momento de interação e/ou espaços de diálogos com homens que atuam no ambiente corporativo sobre as fragilidades e sensibilidades inerentes ao ser humano, que por vezes são dissociadas da construção da masculinidade. Provocar homens a utilizarem mais das suas emoções e sentimentos, sob um olhar positivo e acolhedor da masculinidade.
Andrea Krauss - Cristina Kerr - Denise Maranhão - Kelly Alves do Carmo - Michael Amorim de Oliveira- Nick Buck - Orlando Nastri Neto - Rodrigo de Marco Pinheiro Sêga
Investigação e escuta
Este projeto envolveu: •Mapear grupos e atores que trabalham masculinidades; •Investigar as referências chaves indicadas pelos grupos ou atores mapeados; •Levantar os vieses inconscientes da construção do masculino; •Correlacionar os vieses inconsciente com os principais paradigmas que envolve o gênero masculino na tomada de decisão, destacando o emprego da fragilidade e sensibilidade sob uma ótica positiva do tema. •Desnaturalizar a masculinidade no ambiente corporativo por meio de interações e abertura espaços de discussão. •Permitir que os envolvidos passem a utilizarem mais da sensibilidade, da emoção na sua rotina.
Esse projeto referência demandou: •Levantar dados e pesquisas já realizadas na academia a respeito do tema •Eleger e convidar os stakeholders-chave para as entrevistas em profundidade. •Reunir e documentar as contribuições dos especialistas. •Propor uma interação ou uma atividade lúdica e de sensibilização sobre o tema.
Questões e inquietações iniciais
1.O que são as masculinidades e como podemos desnaturalizá-las? 2.Qual o maior GAP nessa questão para vocês? 3.Como tratar masculinidades no ambiente de trabalho? 4.Como as masculinidades podem tornar as decisões do ambiente de trabalho mais sensíveis/humanizadas? 5.Como mudar a fala para que o homem não seja reduzido a imagem de opressor, agressor, sexista, machista? 6.Como estabelecer um discurso com homens sem que eles se sintam, distantes, acuados e confusos, de modo a sensibiliza-los frente às potencialidades de expressão de seu ser sem amarras?
Bibliografia
- Engaging Men and Boys in Gender Equality and Health: A Global Toolkit for Action, Instituto Promundo, UNFPA, MenEngage, New York, 2011. Disponível em: https://promundoglobal.org/wp-content/uploads/2014/12/Engaging-Men-and-Boys-in-Gender-Equality-and-Health-A-Global-Toolkit-for-Action-English.pdf
- Pacote de Avaliação de Necessidades Para Programas de Envolvimento Masculino. Projeto Acquire/EngenderHealth e Instituto Promundo, 2008. Disponível em: https://docplayer.com.br/7646996-Pacote-de-avaliacao-de-necessidades-para-programas-de-envolvimento-masculino.html.
- Percepções do homem sobre a violência doméstica contra a mulher. Instituto Avon/Data Popular. 2013. Disponível em: http://centralmulheres.com.br/data/avon/Pesquisa-Avon-Datapopular-2013.pdf
- O papel do homem na desconstrução do machismo. Pesquisa Instituto Avon/Locomotiva. 2016. Disponível em: https://agenciapatriciagalvao.org.br/wpcontent/uploads/2016/12/Pesquisa-FSM_2016.pdf
- Bourdieu, P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
- Beauvoir, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
- Kaufman, M. Cracking the Armour: Power, Pain and the Lives of Men. New York: Penguin Books; 1993.
- Lopes, F. H. Masculinidade(s): reflexões em torno de seus aspectos históricos, sociais e culturais. Rev. Contemporâneos. Maio-out 2011. Vol. 8,pp. 1-13.
Fontes de investigação (stakeholders envolvidos, bibliografias, dados secundários etc) e Formas de coleta de dados (kick off, entrevistas, observações)
Convidados da roda de conversa no kick off: 1) Daniela Grelin (Gerente Senior - Instituto Avon); 2) Guilherme Nascimento Valadares (Editor-chefe do “Papo de Homem”, Membro do comitê #ElaspoeElas, da ONU Mulheres); 3) Flávio Urra – Psicólogo e sociólogo – “E agora José?” ?/ Fórum de Masculinidades do ABC; 4) Rodrigo Santini (Gerente de Missão Social de Ben & Jerry’s), 5) Thiago Amparo (Professor FGV), 6) Aldo Rodrigues (Votorantin); 7)Amanda (Engajamundo); 8) Thiago Arruda (Grupo Sagrado Masculino);
Dicas para elaboração do jogo: Fabiano Onça
Principais aprendizados e insights
O tema é polêmico e precisa ser trabalhado com cuidado no ambiente empresarial através da aplicação da dinâmica de um jogo de tabuleiro que será utilizado como pano de fundo pra promover o diálogo e interação entre os participantes
O jogo de tabuleiro das Dimensões da Masculinidade não possui o objetivo de expor e/ou realizar qualquer juízo de valor sobre os homens participantes, ao contrário, a expectativa é de criar um ambiente amigável para naturalmente emergir opiniões mais veladas.
O alto impacto da dimensão da masculinidade nas boas práticas da sustentabilidade empresarial (governança, ética, econômico, ambiental e social) é um forte indicador do quanto o tema é importante e emergente.
Os desdobramentos da problemática da masculinidade emergem na cultura das organizações empresariais contemporâneas. Esta conjuntura de desafios também sinaliza os dilemas das dimensões do masculino em si em seus comportamentos, crenças e atitudes no espaço público ou privado. Há necessidade de expor, debater e sensibilizar sobre o tema especialmente nas empresas, local de aplicação veemente do arcabouço masculino.
Aprendemos a utilizar o Spark Adobe através da facilitação do Eduardo que nos ajudou a compreender o ambiente da entrega final que ao mesmo tempo é processo, instrumento e produto de entrega final.
Presencing: retrair e refletir
Sentimentos, sensações e insights individuais (depoimentos de cada membro do grupo narrando sua percepção nesta etapa do percurso)
"Essa jornada foi interessante para mim porque pela primeira vez pude compreender como eu estava inserida em ambientes machistas. Na família, no trabalho, na academia eu reforçava essas crenças mesmo que inconsciente. Através das leituras e discussões no grupo, convidados do kick off , entender que somos todos partes produto e produtores dessa cultura me diz que posso quebrar o gatilho." (Andrea Krauss)
"Durante o PR, pude conhecer uma temática que raramente fiz reflexões em minha vida pessoal e profissional. A imposição da masculinidade é estruturante e permeia as organizações. Exercícios como o jogo proposto causam uma frente necessária de provocação e sensibilização. Acredito Que aprendi sobre o tema para forjar meu comportamento com mais empatia e inclusão a partir de agora."(Orlando Nastri)
"Este PR foi transformador, pois além de conviver com pessoas incríveis, pude aprofundar num tema que faz parte da minha vida profissional. O percurso foi muito especial, desde os insights dos especialistas até os nossos muitos encontros ao vivo ou por zoom, que acabaram por nos unir em prol de um tema tão importante. Juntos pudemos co-criar um jogo para sensibilizar diversos homens no ambiente corporativo, e assim vamos plantar sementes do bem para transformar este mundo num lugar mais humano e sustentável." (Cristina Kerr)
"Me faltam palavras para descrever o tamanho da minha gratidão por ter mergulhado tão intensamente, junto com pessoas incríveis, no tema “Dimensões do masculino”. Saio desse processo de aplicação da teoria U profundamente sensibilizada, com muita vontade de seguir meu processo de aprendizado e com o gostinho delicioso de ter deixado uma contribuição pro mundo, com enorme potencial para tocar outras pessoas também. Cooperação, sensibilidade, respeito, inclusão, aprendizado, leveza, alegria, diversão, prazer de construir junto são algumas das palavras que descrevem nosso caminho. Sigo com a certeza de que o potencial de um grupo realmente é muuuuuuuito maior do que a soma do potencial de cada um individualmente.”❤️ (Denise Maranhão)
"O processo do projeto referência me proporcionou conviver mais perto de pessoas incríveis e aprender muito com elas, compreender que as dimensões da Masculinidade é uma temática muito complexa, que envolve relações culturais, sociais, econômicas e antropológicas, com impactos profundos na construção e desenvolvimento da nossa sociedade, me desafiando a ter como propósito compreender melhor estas estruturas, dialogar mais com homens e mulheres para a construção de uma sociedade mais justa". (Kelly Alves do Carmo)
"Ao propor o tema, eu não imaginei que tanta gente da sala toparia embarcar nessa jornada, na verdade a adesão ao tema por parte dos alunos quase me impediu de sugeri-lo no dia do PR. Essas pessoas todas reunidas, por um tema, cheias de vontade, de entrega, de energia, que me motivaram muito a continuar e seguir com o tema. Foi um encontro energético mágico, passamos por todas as etapas do U, redescobrindo conceitos, nos despindo de valores enraizados, captando a sensibilidade e nos solidarizando pela motivação do próximo ao adentrar no tema, cada um com o seu lugar de fala, com empatia para praticar escuta ativa e atenta para evoluir e captar as dores de cada um e trazer para o trabalho. Depois do mergulho, emergimos, com força, mas de forma natural, leve e inclusiva. Foi um processo muito prazeroso, cara call, cada reunião, cada entrevista. Minha total gratidão à esse grupo querido 💙 e ao processo de concepção do produto, que com toda certeza eu levarei pra sempre e que permitira que as dimensões da masculinidade possam ser afloraras e vividas em qualquer momento e ambiente!" (Michael de Oliveira)
"A realização deste trabalho foi bastante importante e interessante para mim. Sabia que o tema seria importante na minha formação como indivíduo e acho que este foi o motivo da minha escolha. Em primeiro porque pude entrar em contato com textos de autores importantes como Bourdieu que escreveram sobre o machismo estruturante e assim pude entender melhor que machismo é esse que estrutura nossa sociedade. Foi então que no dia a dia pude entender melhor, nas minhas atitudes, que o machismo está também nos pequenos detalhes de fala, comportamentos... Para ser sincero não me senti bem quando percebi que nas minhas relações perpetuo algumas dessas formas de machismo que passavam completamente despercebidas. Agora que estou mais atento e consciente busco quebrar esse padrão em qualquer relação que tenha, não só com mulheres mas também com homens, em especial quando as conversas giram em torno de assuntos machistas. As trocas de ideia entre os membros do nosso grupo foram muito boas além do Nosso Kick Off que foi um momento muito prazeroso para mim quando diversas pessoas engajadas no assunto apareceram para nos auxiliar no desenvolvimento do nosso projeto. Ficou ainda mais clara a relevância do tema naquele momento. Sou uma pessoa diferente agora após essa jornada." (Nick Buck)
O tema da masculinidade vai muito mais além do que observamos e demonstra que é uma dimensão amplamente aberta e inconclusiva merecendo um olhar mais profundo e sensível para compreender os diversos aspectos físicos, mentais, espirituais que envolve a natureza masculina. Ao longo do processo pudemos perceber o condicionamento que todos nós temos em relação as dimensões da masculinidade e o quanto é um tema sensível e inconclusivo com pouca investigação que ampliam o tabu em torno do papel do homem na sociedade do século XXI. É fundamental compreender mais e melhor a dimensão da masculinidade na agenda da sustentabilidade a fim de promover o equilíbrio dinâmico (Rodrigo Sêga)
Desenvolvimento do produto final: agir em um instante
Processos de prototipagem
O grupo inicialmente fez várias leituras e conversas com especialistas, exploramos a fundo as várias dimensões da masculinidade e constatamos que o tema é extremamente amplo e complexo. Na nossa investigação, percebemos a importância do diálogo entre homens nas corporações e identificamos iniciativas que já fazem isso, mas o grupo teve que fazer escolhas e afunilar para chegar em uma entrega final que fizesse sentido para todos e que pudesse ser um bem público. Depois de bebermos nas diferentes fontes de inspiração e conhecimento, o grupo investigou a fundo a estrutura do iceberg e tentamos sempre fazer correlações com o que estávamos aprendendo na Formação integrada I e II. Começamos o processo de co-criação do produto final com muitas trocas de mensagem por whatsapp, conversas por zoom e encontros presenciais. Esse grupo trocou muito durante o processo de prototipagem.
Dessa forma, co-criamos um jogo lúdico para sensibilizar homens no ambiente empresarial sobre as dimensões do masculino. Para elaborar o jogo, escolhemos 7 dimensões que o grupo entendeu ser as mais importantes para o universo do homem no mundo corporativo e começamos a pensar no conteúdo a ser inserido no jogo. Para trazer esse conteúdo bebemos muito nas fontes da bibliografia consultada. Para elaborar o jogo, contamos com o apoio do Fabiano Onça, um especialista que nos trouxe noções básicas da gameficação e ajudou muito. Aprendemos também que esse mundo de jogos é fascinante e também complexo, mas tem muito potencial para sensibilizar pessoas. O jogo se materializou mesmo depois dos dois momentos de prototipagem propostos em sala de aula: matriz disciplinar e o momento de ouvir pessoas da turma, porém de outros grupos. Assim nosso produto ganhou vida!
Produto Final: Jogo DiMENsões
Produzimos um jogo que é uma ferramenta prática produzida para sensibilizar homens sobre as dimensões que a masculinidade pode assumir em suas vidas e nos ambientes corporativos, no que tange a tomada de decisões. O jogo é indicado para pequenos grupos de colaboradores homens, que trabalham ou interagem no ambiente de trabalho. Espera-se que o comportamento dos jogadores, seja isento de vieses para não influenciar as decisões e reflexões do jogo, ou seja, o convite é para uma integração de time sobre um tema na esfera macro da diversidade. Os resultados esperados partem da provocação e sensibilização do grupo sobre o masculino, em situações que demandam tomada de decisão e que testam a problemática em rodadas do jogo. Ao final, o diálogo objetiva sensibilizar sobre o quanto das dimensões do masculino podem emergir nas decisões e relações humanas nas organizações. Não há pressuposto de alternância de rota nas decisões futuras e mudanças de comportamentos consideráveis, mas há sim uma primeira abordagem para homens que eventualmente nunca tiveram oportunidade para fazer esse tipo de reflexão. O despertar parte destas situações.
O percurso do jogo passa por esferas temáticas, as quais denominamos de 7 dimensões: • Sentimentos, emoções e comportamentos; • Construção da sua masculinidade; • Dores de ser homem; • Luta, guerra e poder; • Família e relacionamento; • Trabalho e realização profissional; • Delícias de ser homem.
Para alcançar os resultados esperados do jogo, é preciso cuidar dos seguintes pontos abaixo descritos.
Preparação de ambientação:
Este jogo foi concebido para ser jogado entre homens, em empresas que estejam abertas para a discussão do tema “masculinidades” e a entrada na empresa deverá acontecer por meio do RH.
A aplicação deve ser realizada em lugar claro, arejado e confortável com mesas de jogo para até 7 pessoas com cadeiras e canetas, e no máximo 5 mesas de jogo, em ambiente acolhedor, se possível com vista para a natureza ou com plantas dentro da sala; música ambiente no início e no final (2 músicas diferentes, sendo a primeira mais alegre (Ex.: Olhos de Tigre) e a segunda mais sentimental (Ex.: Now we are free). A passagem de algum vídeo pode ajudar na sensibilização. Ambiente de integração, sendo recomendado aplicação em cenário de team building de início ou final de ano, por exemplo. Sugere-se aproveitar a hora do café da manhã ou almoço para a aplicação do jogo nas empresas.
Regras do Jogo:
Cada mesa deve conter1 tabuleiro com a mandala DiMENsões.
Os grupos de jogo devem ser formado por homens de empresas que já se conheçam e de preferência, trabalhem juntos.
O jogo deve ser mediado por um bom facilitador treinado, por mesa de jogo, de preferência homem. O jogo deve ser jogado em um primeiro momento, somente entre homens e de preferência que já se conheçam.
Número de participantes por jogo: entre 4 e 6 participantes por mesa de jogo e no máximo 5 mesas jogando ao mesmo tempo.
Tempo de jogo: aproximadamente 1 hora e meia para aplicação do jogo, sendo importante a reflexão/debriefing ao final contar com, no mínimo, 30 minutos.
Instruções do Jogo
1) Cada mesa recebe uma mandala.(a mandala é composta por 1 tabuleiro e cartas de cores distintas que correspondem a diferentes dimensões) que devem ficar viradas para baixo, cada monte de cartas na dimensão da sua cor.
2) Cada participante recebe 7 conjuntos de fichas com valores de 1 a 5.
3) Para iniciar o jogo, joga-se o dado, quem tirar o valor mais alto começa o jogo, escolhendo uma dimensão, tirando uma carta e lendo a carta para o grupo.
4) Todos os participantes colocam 1 ficha cada, que poder ser escolhida entre fichas numeradas de 1 a 5 no meio da mesa, com os números virados para baixo. Esse número corresponde ao grau de aderência ou concordância que cada um tem com relação ao que foi lido na carta.
5) O participante que escolheu a dimensão, começa apostando qual foi o valor total daquela mesa (esse valor deverá ser de 5 a 25, se tivermos 5 jogadores naquela mesa). Depois no sentido horário o facilitador pergunta a cada um quanto aposta que foi o total daquela mesa e anota na ficha de jogo que estará impressa. O valor de aposta não poderá ser repetido. Ganha a rodada o participante que se aproximou mais do resultado, com aproximação para cima, ou seja, sempre o valor mais alto ganha do mais baixo.
6) O jogo termina quando todas as 7 dimensões forem contempladas. O ganhador será aquele que ganhou o maior número de rodadas.
7) O facilitador possui cartas na mão com afirmações e dados de pesquisas que ajudam na dinâmica de reflexões durante o jogo.
8) Ao final o mediador facilita um diálogo/ reflexão/debriefing em, no mínimo 30 minutos.
Conteúdo das cartas Jogo DiMENsões
Delícias de Ser Homem
1. Não ter que cuidar da casa e dos filhos, não menstruar nem engravidar e ainda fazer xixi em pé.
2. Ter a certeza de que em um processo seletivo terei mais chances de ser escolhido do que uma mulher, além de ganhar 30% a mais do que elas exercendo a mesma função.
3. Fidelidade não se aplica aos homens, além de ter a liberdade de ser pegador e não ser criticado por isso.
4. Exercer o poder simplesmente pelo fato de ser homem, branco e hétero.
5. Contar com a cumplicidade dos homens quando faz alguma coisa errada com mulheres, especialmente dos amigos e do sistema (judiciario e de segurança).
6. Direito de ir e vir: posso andar tranquilo sem me preocupar em ser violentado sexualmente.
Sentimentos e Emoções
7. Homem não pode chorar.
8. O machismo existe, claro, mas eu não sou machista.
9. Para ser um bom líder, preciso aprender a me colocar no lugar do outro e ter empatia.
10. Expressar as emoções é coisa de mulher, quando vejo uma mulher chorando acho que ela é fraca.
Construção da sua Masculinidade
11. Pare de chorar, homem não chora e não brinca com brinquedo de menina.
12. Ser agressivo expressando raiva e ódio é coisa de homem.
13. Aversão a homossexualidade.
14. Homens gostariam de ter liberdade para optar por carreiras pouco usuais para homens sem serem julgados como pouco ambiciosos ou frouxos.
15. Ter que fazer ou rir de piadas racistas, machistas e homofóbicas.
Trabalho e Realização Profissional
16. Todo homem tem que ser bem-sucedido.
17. Homens são melhores em cargos de chefia porque são mais racionais do que as mulheres.
18. A busca por sucesso financeiro e profissional é uma das maiores pressões enfrentadas pelos homens. Por vezes reforçadas por eles próprios, pelas mulheres e pela estrutura social.
19. A função profissional que exerço atende às expectativas da minha família.
20. Quando perco o cargo para uma mulher ou um gay fico contrariado.
21. Mereço ganhar mais por que meu trabalho está em primeiro lugar pois não engravido.
Dores de Ser Homem
22. Não ter feito coisas que eu gostaria porque eram coisas de menina.
23. Ter que usar a violência para provar minha masculinidade desde pequeno.
24. Ter que gostar de futebol, de bebida alcoólica e de falar de mulheres em roda de homens.
25. Cobrança da sociedade em ter sucesso financeiro e familiar.
Luta, Guerra e Poder
26. Homem que é homem não desiste.
27. Homem de verdade tem que sempre vencer, nunca pode falhar ou fracassar.
28. Homem não pode mostrar fragilidade profissional e compartilhar dúvidas ou sentimentos com subordinados.
29. O homem é combativo naturalmente.
Família e Relacionamento
30. Deixaria um filho meu brincar de boneca e compraria uma se ele me pedisse ?
31. Sinto pressão em ser o único responsável pelo sucesso financeiro da família.
32. Se me derem a lista eu faço as compras sem reclamar.
33. Em casa, os homens é que mandam.
Conteúdo Cartas para Reflexão a serem trazidas pelo facilitador
1. “Não fico confortável com uma chefe mulher.”
Embora as mulheres representem pouco mais da metade dos trabalhadores brasileiros (51,7%), somente 37,8% delas estão em cargos gerenciais existentes no país.
Fonte: IBGE, 2017.
2. “Gostaria de ter liberdade para formar uma equipe só com homens.”
Brasil é o segundo país com menos mulheres em cargos de alta gerência na América Latina, ganhando apenas para o México.
Fonte: Instituto Ethos/ Hays executive
3. “Tarefas domésticas são responsabilidades das mulheres.”
Apenas 67% dos entrevistados acham que homens e mulheres devem ser igualmente responsáveis pelos cuidados com a casa e os filhos. 48% dos homens entrevistados não deixaria um filho brincar de boneca de jeito nenhum, boneca é brinquedo de menina.
Fonte: Pesquisa Instituto Avon/Locomotiva: O Papel do Homem na Desconstrução do Machismo.
4. “Mulher de balada, não é mulher para casar.”
Apenas 59% dos entrevistados concordam que todas as mulheres devem ser respeitadas não importando aparência ou seu comportamento. 27% acreditam que, em alguns casos, a mulher também pode ter culpa por ter sido estuprada.
Fonte: Pesquisa Instituto Avon/Locomotiva: O Papel do Homem na Desconstrução do Machismo.
5. “Hoje tem muita problematização em torno do machismo. Tem muito mimimi... Piada machista é só uma piada!”
Machismo é o conceito que se baseia na supervalorização das características físicas e culturais associadas ao sexo masculino, pela crença de que homens são superiores às mulheres. 81% dos homens concordam que existe muito machismo no país. 95% das mulheres concordam que existe muito machismo no país.
Fonte: “Precisamos falar com os homens?” Um projeto ONU Mulheres, Papo de Homem, Questto Nó Research e Grupo Boticário.
6. “Me sinto encorajado a continuar investindo em uma mulher, mesmo depois de ouvir um não.”
85% das mulheres brasileiras têm medo de sofrer violência sexual.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública/ Datafolha: “A Polícia precisa falar sobre estupro. Percepção sobre violência sexual e atendimento a mulheres vítimas nas instituições policiais” Setembro, 2016.
7. “Homem muito sensível não dá pra ser meu amigo.”
56,5% dos homens gostariam de ter uma relação mais próxima com amigos, expressando mais afeto e podendo falar sobre sentimentos e dúvidas.
Fonte: “Precisamos falar com os homens?” Um projeto ONU Mulheres, Papo de Homem, Questto Nó Research e Grupo Boticário.
8. “Não falo de tudo com meus amigos.”
44% dos homens sentem pressão por serem responsáveis pelo sustentam da casa, mas não falam sobre isso.
Fonte: “Precisamos falar com os homens?” Um projeto ONU Mulheres, Papo de Homem, Questto Nó Research e Grupo Boticário.
9. “Cuidar da aparência é coisa de mulherzinha”.
77% dos homens se preocupam com a aparência, mas não falam sobre isso.
Fonte: “Precisamos falar com os homens?” Um projeto ONU Mulheres, Papo de Homem, Questto Nó Research e Grupo Boticário.
10. “Se uma mulher é promovida, desconfio que tenha sido por sua aparência ou por se relacionar com o superior.”
10% dos homens entrevistados afirmam que costumam dizer que uma mulher só foi promovida por aparência ou por se relacionar com um superior e 7% dizem que costumavam agir assim, mas pararam.
Fonte: Pesquisa Instituto Avon/Locomotiva: O Papel do Homem na Desconstrução do Machismo.
11. “Gostaria de ser quem eu sou.”
A “caixa dos homens” é uma prisão cultural que limita a ação e expressão de homens e meninos gerando tensões que passam a fazer parte da realidade masculina. A “caixa dos homens”: heterossexual, fisicamente apto, corajoso, forte, no controle, ativo, sexualmente experiente, prontidão sexual, fala firme, não demonstra emoções, sabe se defender, não chora, sexualmente impositivo, trabalhador, provedor, não comete erros, não desiste, aguenta o tranco, competitivo, bem-sucedido, dominante em relação a mulher.1
Em média os homens perdem 5 anos de vida que resultam de fatos associados a normas sociais relacionadas à masculinidade.2
Fonte1: “Precisamos falar com os homens?” Um projeto ONU Mulheres, Papo de Homem, Questto Nó Research e Grupo Boticário.
Fonte2: Promundo.
Contatos:
Andrea Krauss - abckrauss@gmail.com
Cristina Kerr - criskerr@ckzagencia.com.br
Denise Maranhão - deni.scarpa@gmail.com
Kelly Alves do Carmo - kcarmo@comporte.com.br
Michael Amorim de Oliveira - michael_610@hotmail.com
Nick Buck - nickkbuck@gmail.com
Orlando Nastri Neto - nastri.orlando@gmail.com
Rodrigo de Marco Pinheiro Sêga - rodrigo.sega@phins.com.br
Apoio: