Uma iniciativa de cunho cultural e humanístico que reúne pessoas em torno de duas paixões — os livros e o conhecimento — faz parte da rotina do Senado Federal desde 2017. A “Roda de Leitura” é um trabalho organizado pelos serviços de atendimento ao usuário da Biblioteca do Senado, tendo com objetivo principal a discussão de obras e autores do acervo da Biblioteca.
De acordo com Maria Helena de Almeida Freitas, bibliotecária e chefe do Serviço de Processamento de Artigos de Revistas (Seart), o projeto busca mostrar ao público leitor a riqueza do acervo da Biblioteca, além de promover o debate e a livre discussão de ideias, tomando por base o que a Biblioteca pode oferecer.
— Mas não somente isso: parte dos temas não se baseiam apenas no acervo, mas sim em tópicos que são discutidos no momento, usando como base de apoio o acervo da Biblioteca. E não é apenas a biblioteca que tem a missão de escolher o assunto: na maioria das vezes, o próprio mediador contatado oferece uma temática para discussão.
Monica Rizzo, chefe do Serviço de Pesquisa e Recuperação de Informações Bibliográficas (Seprib), pontua que a ideia, no início do projeto, era aproximar o público leitor, além de gerar integração entre o pessoal da Casa.
Os mediadores são, prioritariamente, servidores do próprio Senado, onde, segundo ela, são encontradas pessoas de alta formação, especialistas em suas áreas e realizadores de vários e interessantes projetos. A organização procura valorizar a "prata da casa", que, como o rico acervo da Biblioteca, tem muito a fornecer.
A pandemia, que teve início em 2020, mudou o formato do projeto mas não impediu a continuidade dos encontros, agora a distancia. Monica Rizzo lembra que aquele foi um momento de reflexão sobre o futuro da ação, que acabou sobrevivendo no ambiente virtual por meio da plataforma Teams. Já Maria Helena explica que a virada do “presencial” para o “online” trouxe dúvidas sobre o procedimento a ser seguido.
— Ainda não conhecíamos a plataforma de comunicação que o Senado começou a utilizar e demoramos um pouco para desenvolver a expertise e conseguir utilizar satisfatoriamente a tecnologia e o novo formato do projeto.
Apesar de satisfeita com a sobrevivência da iniciativa em meio ao cenário da Pandemia, Maria Helena admite ter saudade dos encontro presenciais.
— Confesso que a roda virtual perde o calor humano e o contato agradável entre os participantes, fora a atmosfera de "chá das cinco" que costumávamos criar com o café, o pão de queijo e o bolinho de fubá. Também criávamos uma atmosfera literária, dispondo obras do mesmo autor ou do mesmo assunto, mostrando in loco o que a Biblioteca tinha a oferecer. Mas, na situação de pandemia, a escolha ficou entre acabar com o projeto ou fazê-lo virtual, sem os apelos dos sentidos — salientou.
“Também temos dificuldades com a divulgação, que fica perdida no sem número de apelos publicitários que as pessoas recebem diariamente nas redes sociais. Antes usávamos banners e cartazes distribuídos nas dependências do Senado”.
Diversidade de temas
— Os temas debatidos são de todos os tipos, interesses e vertentes. Em outubro de 2021, dois temas exemplificaram esta diversidade. No início do mês, sob mediação da consultora legislativa Clarita Costa Maia, foi debatido o livro “A Montanha Mágica”, do autor alemão Thomas Mann, considerado um dos gênios da prosa nos primórdios do século XX.
Ao final do mês de outubro, o biólogo e consultor do Senado, Joaquim Maia Neto mediou um tema ambiental, “A Vida em Perigo Crítico – direito humano a água, crise hídrica e mudança climática”.
Ao lado dessas discussões, estiveram presentes no “Roda de Leitura” desde 2017, raça e gênero, novas leis aprovadas pelo Congresso Nacional, exemplo da Lei Geral de Proteção de Dados, e também debates sobre educação, história e literatura.