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invesciente Criação de um simulador de impacto da precificação de carbono em indicadores de valuation.

Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade da FGV EAESP.

Formação Integrada para Sustentabilidade

MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.

Como a Formação Integrada funciona na prática?

Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Visando a emergência deste sujeito mais integrado, nos baseamos em em princípios da Transdisciplinaridade, buscando combinar conteúdos e atividades que promovam:

Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).

Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).

Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:

Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Ao longo dos três semestres da Formação Integrada esperamos que os alunos possam:

  • Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
  • Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
  • Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
  • Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.

Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os alunos possam:

  • Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
  • Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
  • Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
  • Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: (i) Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; (ii) Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e (iii) Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.

SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS

Invesciente

Criação de um simulador de impacto da precificação de carbono em indicadores de valuation.

Integrantes: Arnolfo Menezes, Carla Schuchmann, Denys Roman, Dominic Schmal, Michel Peroni, Rodrigo Oliveira, Tatiana Regiani

Enunciado

Introdução e questionamentos iniciais

Provavelmente, a humanidade enfrenta nos dias de hoje o seu maior desafio: As mudanças Climáticas. Esse fenômeno foi reconhecido como um problema na segunda metade do século XX (EUROPEAN PARLIAMENTARY RESEARCH SERVICE, 2016).

“O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UNFCCC para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável. O compromisso ocorre no sentido de manter o aumento da temperatura média global em bem menor de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de promover esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais” (MMA, 2016)

O Brasil já ratificou o Acordo de Paris, com isso, a decisão do país sobre a necessidade de reduzir sua GEE esta solidificada. No entanto, ainda é preciso regulamentar como irá viabilizar todas as reduções necessárias.

Para conseguir ter sucesso nas reduções necessárias para atingir os objetivos do Acordo de Paris, instrumentos financeiros serão fundamentais como, por exemplo, a precificação de Carbono. Esse mecanismo promove o investimento em tecnologias de baixa emissão, mantendo a competitividade das empresas (KOSSOY ET. AL., 2015).

A precificação do carbono no Brasil poderá ser feita através da taxação (imposto) ou de Cap- and-Trade com a definição permissões que cada empresa pode emitir e regras de comercialização dessas permissões. O Ministério da Fazenda é quem lidera as discussões sobre o assunto através do projeto da Partnership for Market Readiness (iniciativa do Banco Mundial para definição de mecanismos de precificação de carbono).

Para o Brasil, precificar o carbono é uma oportunidade clara de reduzir as emissões de GEE e, ao mesmo tempo, gerar desenvolvimento econômico. Conforme entrevista do Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases Efeito Estufa (SEEG) do Observatório de Clima, Tasso Azevedo, o Brasil já está com a agenda para instituir uma precificação, mas precisa fazer isso o quanto antes para garantir sua vantagem competitiva “Hoje, se o carbono tivesse preço, se a intensidade de emissões dos produtos fosse precificada, o Brasil teria uma enorme vantagem competitiva. Precificar carbono é bom para o Brasil, porque valoriza o que a gente tem hoje” (AGÊNCIA GESTÃO CT&I, 2015).

Mesmo que o avanço do Brasil em relação à precificação de carbono ainda é lento, é fundamental que os investidores e gestores de grandes empresas entendam como isso poderá impactar seus negócios. Naturalmente, tanto na crise quanto nos tempos de tranquilidade, a forma que o tomador de decisão usa para a grande maioria de escolhas de investimento é diretamente atrelada ao seu impacto financeiro. Sendo assim, simular as possíveis perdas que, por exemplo, uma taxação de emissões poderá acarretar em negócios e poder simular quanto que trocas de processos produtivos, matrizes energéticas ou formas de consumo poderão mitigar estes impactos é fundamental para o planejamento estratégico corporativo.

O tomador de decisão não pode ser pego de surpresa, precisa realizar suas analises de investimento com o olhar nas mudanças de mercado. Se conseguir antecipar a projeção de custos futuros e iniciar projetos que possam mitigá-los, certamente trarão menos riscos para seus negócios. O mesmo vale para investidores que sabem que as empresas estão antecipando projetos de redução da pegada de carbono são empresas com menor risco de corrosão futura em relação aos seus resultados financeiros.

Na pesquisa bibliográfica realizada, não foram encontrados estudos ou simuladores público que avaliam o impacto desses instrumentos no valuation das empresas. Portanto, o instrumento que será criado poderá ser útil para os seguintes públicos:

  • Investidores e analistas de investimentos: Para avaliação de suas carteiras;
  • Empresários: Para entenderem o risco potenciais do tema;
  • Governo: Para avaliar um preço de carbono que aumentaria a ambição das empresas.

Apesar desse entendimento, esse projeto é direcionado para investidores e empresários.

Em suma, o objetivo desse trabalho é desenvolver um simulador que sensibilize analistas de investimentos, investidores e dirigentes empresariais para o potencial impacto da precificação de carbono em determinados indicadores de valoração de ativos.

Investigação e escuta

Questões e inquietações iniciais

O tema deriva de um desafio real identificado pelos participantes do grupo Invesciente que pode ser evidenciado a partir de análises das pesquisas levantadas durante o trabalho.

O problema surge com a falta de conhecimento e/ou de interesse por parte de investidores e administradores de empresas sobre as mudanças climáticas e seu respectivo impacto nas empresas em que atuam ou investem.

O tema Mudanças Climáticas tem cada vez mais tomado corpo através de compromissos assumidos pelos Estados, bem como ações e obrigações que ainda serão demandadas para que os compromissos assumidos sejam cumpridos, assim como já está acontecendo em alguns países do mundo.

Na Conferência das Partes (COP-21, 2015), em Paris, 188 nações apresentaram seus planos para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius neste século. Por consequência, esses planos irão demandar uma combinação de capital dos setores privado e público.

No Brasil, os Fundos de Pensão representam um total em ativos no valor de R$ 733 bilhões, sendo que R$ 259 bilhões se referem aos quatro maiores: Previ, Petros, Funcef e Real Grandeza. (ABRAPP, 2016). Esses quatro maiores fundos de pensão foram analisados pelo Grupo Invesciente em relação conhecimento, interesse e tratamento dado ao tema Mudanças Climáticas.

Nenhum dos três maiores fundos consideram entre os critérios para tomada de decisão de investir ou desinvestir os temas relacionados aos critérios ESG (environment, social and governance), nenhum dos quatro considera em suas avaliações o tema mudanças climáticas.

Dos três maiores, apenas a Petros possui uma metodologia de avaliação ESG que inclui mudanças climáticas, mas tal avaliação é apenas utilizada para investimentos de renda variável com foco no longo prazo e que tenham participação relevante, sendo que o resultado da avaliação não é utilizado para tomada de decisão, mas tão somente para engajamento de conselheiros nas empresas investidas.

Dos quatro maiores fundos de pensão analisados (Previ, Petros,Funcef e Real Grandeza), apenas a Real Grandeza possui uma metodologia de integração dos aspectos ESG para avaliar seus investimentos, mas apenas para decisão de novos investimentos. Na metodologia da Real Grandeza, a preocupação em relação a mudanças climáticas também se restringe a questionar se a empresa investida faz inventario de emissões de gases efeito estufa (GEE).

A partir desse diagnóstico verifica-se o pouco conhecimento do investidor sobre o tema.

Por outro lado, verificamos um crescente interesse por parte de investidores em relação aos temas referentes à investimentos responsáveis, economia de baixo carbono, ou ainda no mercado de títulos verdes.

Vimos um interesse crescente em investimentos responsáveis por parte dos signatários do PRI – Princípios para o Investimento Responsável, conforme demonstra relatório anual do PRI (2016), onde o gráfico abaixo demonstra a evolução de signatários desde o ano de 2006.

O mesmo movimento podemos ver em relação aos signatários do CDP (Carbon Disclosure Project), Organização não Governamental (ONG) que, com o mandato de investidores, coleta informações ambientais (principalmente de mudanças climáticas) com as maiores empresas de capital aberto.

Além disso, na COP de 2015, investidores representando $11,2 trilhões se comprometeram a trabalhar no crescimento do mercado de títulos verdes (CLIMATE BONDS, 2015).

A pesquisa “Report on Progress 2015”, elaborado pelo PRI com seus 936 signatários investidores representantes de 48 países nos seis continentes, também mostra, entre outros aspectos que:

1) O número de signatários do PRI vêm aumentando, mas as práticas de investimento responsável precisam ser mais aprofundadas;

2) Signatários do PRI estão considerando mudanças climáticas, mas poucos afirmam ter estratégias formais para essa consideração.

Desta forma, apesar das poucas práticas relacionadas às mudanças climáticas nos investimentos, evidencia-se um aumento do interesse e preocupação sobre o tema por parte dos investidores. Por esta razão entendemos que o nosso projeto para desenvolver um simulador que sensibilize analistas de investimentos, investidores em geral e administradores de empresas sobre o potencial impacto da precificação de carbono em indicadores de valoração de ativos, terá grande demanda por parte desses atores para seu processo de entendimento e avaliação de riscos e oportunidades dos investimentos.

Fontes de investigação (stakeholders envolvidos, bibliografias, dados secundários etc) e Formas de coleta de dados (kick off, entrevistas, observações)

Durante o Kick off, o grupo chamou seus convidados a modelar, fazendo alusão a modelagem/simulação que será entregue do grupo.

Essa atividade teve como objetivo principal trazer três listas com dicas (conforme figura abaixo): 1- Verde (com o que o grupo deveria considerar – Do); 2- Amarela (com o que o grupo deveria ter atenção, pensar – Maybe); 3- Vermelha (com o que o grupo rejeitar (Don`t).

Ao final se concluiu que os principais pontos a serem considerados são:

  • Analisar através do viés de riscos
  • Analisar impacto de diversos preços
  • Manter o simulador simples

Principais aprendizados e insights

Tipos de precificação (taxa ou Mercado)

Instrumentos financeiros para promover mitigação da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) são previstos pelo Artigo 6 do Acordo de Paris que define a possibilidade de abordagens mercadológicas (cap and trade) e não mercadológicas (taxas). De acordo com o Guia de precificação de carbono (CDP &CEBDS, 2016):

  • Cap and trade (“limite e comercialização”): o governo estabelece um limite para as emissões e certificados de permissões para emitir certos limites por empresa, criando também um mercado para comercialização dos certificados (Emissions Trading System). Ou seja, as empresas possuem um “teto” de emissões permitidas. As que não ultrapassam esse teto podem negociar créditos com outras empresas que excederam esse limite. Assim, cada empresa pode decidir como gerir suas emissões, podendo tomar as seguintes decisões:

- Abater todas as emissões excedentes a sua permissão, adotando opções tecnológicas de mitigação internamente;

- Abater internamente as emissões até onde as opções de abatimento forem rentáveis, ou seja, até onde o seu custo por tonelada abatida seja inferior ao preço da tonelada no mercado;

- Adquirir certificados no ambiente do mercado para todas as emissões que excederem sua permissão, estando sujeita a disponibilidade de certificados, que por sua vez depende das decisões das demais empresas.

  • Tributação: taxação direta onde é definido um preço fixo a ser cobrado por cada unidade de emissão, sendo que taxa paga aos governos, funciona como um imposto. Seu valor é calculado de forma a atingir o nível ótimo de emissões, representa o ponto em que o aquecimento global seja contido ao limite de 2°C. A partir do momento que a taxa é implementada, as empresas podem tomar duas decisões: continuar emitindo seguindo a mesma trajetória, chamada de business-as-usual, pagando o preço estabelecido; ou abater emissões de forma a pagar menos imposto.
A figura mostra como a precificação de carbono vem sendo aplicada pelo mundo.

Histórico de preço de carbono

Há uma grande diversidade de preços em diferentes países, variando de US$ 1/tCO2, no México, até US$ 131/tCO2 na Suécia. A figura abaixo representa essa variedade (ECONOMICS, 2016):

Como pode ser visto, o preço do carbono está sendo discutidos em todo o mundo, no entanto os preços quase em todos os lugares são demasiado baixos. A grande maioria das emissões tem preços abaixo de US $ 14/tCO2. Os preços do carbono mais elevados são, invariavelmente, para pequenos volumes, e são encontradas apenas em alguns países da Europa e em British Columbia.

Além disso, esses preços são bastante impactados pela ambição (ou falta de) global em relação às mudanças climáticas. Por exemplo, após a COP 15, quando se falhou na consolidação de um novo acordo global sobre clima, os preços dos mercados de carbono existentes caíram abruptamente.

Dinguirard (2016), defende que um preço sobre o carbono forte, previsível e continuamente crescente torna possível garantir retornos previsíveis dos investimentos na transição de baixa emissão de carbono. Investir em reduções de emissões deve ser mais rentável do que pagar por emissões.

Cenários recentes, compatíveis com os objetivos do Acordo de Paris, apontam para a necessidade de um aumento da trajetória dos preços de carbono, com um quase consenso sobre a necessidade de atingir cerca de US$ 140 (€ 123) / t de CO2 até 2040. A figura abaixo mostra os preços que deveriam ser praticamos para não excedermos o aumento da temperatura em 2˚C em relação ao período pré industrial:

Setores materiais para precificação no Brasil

Globalmente as maiores emissões de GEE provem da produção de energia, principalmente para eletricidade e indústria. Já no Brasil o setor agropecuário é um dos setores com maiores emissões.

Por este motivo, se faz necessário analisar os diferentes setores da economia e entender suas emissões para definir quais são os setores prioritários para redução. Entende-se que esses setores prioritários seriam o principal foco de um sistema de precificação (seja taxa ou cap and trade), pois a cobrança é a forma mais eficiente de inventivo a novas formas de produção.

Abaixo segue um quadro dos diferentes setores impactados pela precificação de carbono em algumas regiões do mundo:

Como pode ser observado acima, os países tem optado em sua maioria por tributar o consumo ou a produção de combustíveis fosseis, entretanto, conforme ilustrado pela Way Carbon na figura abaixo, há uma grande heterogeneidade acerca dos setores tributados. Desta forma é comum que ocorra uma expansão gradual e paulatina da precificação do carbono para diversos setores.

No Brasil, segundo o documento síntese da Análise das Emissões de GEE Brasil (1970- 2014), realizado pelo Observatório do Clima, os setores principais considerados e quantificados são os de Energia, devido à queima de combustível e indústria de petróleo, gás e carvão mineral; Processos Industriais, devido a emissões durante o processo produtivo; Agropecuária, que abrange desde a fermentação entérica do gado até o manejo de solo e queima de resíduo agrícola; Mudança no uso da terra e floresta; e Tratamento de Resíduos, que considera as emissões na disposição final de resíduos sólidos e tratamento de esgoto.

Como pode ser observado no gráfico acima, setores de geração de energia e agropecuária são os setores da economia brasileira que mais contribuem hoje para a geração de GEE, com 68% das emissões. Os processos industriais e resíduos, por outro lado são os que menos contribuem com 13% das emissões. É importante frisar que o gráfico acima apresenta o que é conhecido como emissões liquidas, ou seja, considera as absorção de CO2 através do aumento do estoque de carbono de florestas naturais conforme metodologia do IPCC.

No entanto, como pode ser observado no gráfico abaixo, não foi sempre assim. Nesse gráfico pode-se perceber que o desmatamento era o principal responsável pelas emissões no ano de 2005, mas o aumento na fiscalização conseguiu reduzir drasticamente esta posição em 10 anos. Já emissões da geração de energia, processos industriais e agropecuária vêm crescendo constantemente.

O setor que mais contribui para as emissões de GEE é o de energia por fonte primaria, ou seja, os GEE emitidos durante a produção de energia. Com uma demanda crescente devido ao crescimento econômico e populacional, o setor energético apesar de ser o maior vilão, também é o que pode mudar de posição de forma mais rápida através da troca de matriz energética. Hoje a produção e consumo de petróleo representa grande parte das emissões nacionais, principalmente devido ao consumo de gasolina e diesel, assim como no aumento de uso de termoelétricas no País. O investimento e utilização do biogás, por exemplo, pode brecar este crescimento. Para isso, é crucial que se promovam políticas publicas de incentivo a este tipo de adaptação da infra-estrutura e da frota, assim como incentivar veículos híbridos e elétricos.

Já o setor de Agropecuária aparece em segundo lugar em emissões, principalmente, devido à chamada fermentação entérica, ou seja, o processo digestivo que ocorre nos rebanhos de ruminantes, em sua maior parte bovinos.

Desenvolvimento do produto final: agir em um instante

Processos de prototipagem

Exemplos de precificação pelo mundo

  • SUÍÇA

De acordo com Carbon Pulse (2015), O ETS suíço, lançado em 2008, cobre cerca de 10% das emissões do país e limita a produção de GEE de cerca de 55 empresas nos setores de fabricação industrial, eletricidade e aquecimento, bem como transporte de combustíveis

A participação no ETS suíço é obrigatória para grandes emissores, mas voluntária para médias empresas que têm a opção de pagar o imposto sobre o carbono ou reduzir unilateralmente a sua emissão de CO2 em vez disso.

O imposto de carbono da Suíça aplica-se principalmente ao uso de combustíveis fósseis fora do setor de elétrico, já que o país fornece a grande maioria de sua eletricidade a partir de energia hidráulica e nuclear.

De acordo com Economics (2016), o preço da tonelada de Carbono no ETS da Suíça tem mostrado uma queda de US$12 em 2015 para US$9 em 2016. Por outro lado, o governo tem mostrado um sinal claro de aumento no valor do imposto sobre a emissão de US$62 em 2015 para US$86 em 2016. Essa ação é resultante da dificuldade de fazer as emissões caírem rapidamente. Existe uma proposta sendo analisada para o valor da taxa chegar a US$246 em 2020.

Em relação ao ETS, em 2016 a Suíça chegou a um acordo para ligar o seu sistema com o da União Européia. Além do acordo precisar ser assinado e ratificado, a Suiça deve incluir o setor de aviação em seu ETS antes da integração.

  • CALIFÓRNIA

De acordo com California Carbon Dashboard (2016), a Californa estabeleceu em 2006 a Lei de Soluções de Aquecimento Global da Califórnia (AB32) que define uma série de políticas e programas em todos os principais setores para reduzir as emissões da Califórnia aos níveis de 1990 até 2020. A California Air Resources Board atualiza o plano para atendimento dessa lei a cada 5 anos.

De acordo com Economics (2016), o sistema de Cap and Trade (CaT) da Califórnia foi estabelecido em 2012. Esse sistema limita as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de setores-chaves na Califórnia, que representam atualmente 85% de suas emissões. Em Janeiro de 2015 esse sistema se juntou com o de Quebec, também cobrindo 85% das emissões desse estado. A figura abaixo mostra os setores cobertos por esse sistema:

Ainda de acordo com o California Carbon Dashboard, o preço nesse marcado variou conforme a figura abaixo, tendo máxima de US$ 23 e mínima de US$10 aproximadamente

O sistema de comércio da Califórnia tem sido visto, em grande parte, como bem sucedido. As permissões negociáveis emitidas pelo Estado foram cuidadosamente alocadas para minimizar o vazamento e o repasse de custos aos consumidores, permitindo ao mesmo tempo uma negociação robusta. Essas permissões são oferecidas por leilões a cada trimestre, estabelecendo um preço público e transparente. O programa da Califórnia também permite que até 8% das emissões cobertas pelo sistema venha de créditos de compensação em setores de fora do mercado, como Silvicultura, Pecuário Metano e Substâncias Destruidora de Ozônio.

  • CHINA

De acordo com Economics (2016), em setembro de 2015 o presidente da China anunciou que o ETS nacional entraria em funcionamento em 2017. Ele irá cobrir os setores de: geração de eletricidade, petroquímicos, químicos, materiais de construção, aço, metais não ferrosos, papel e aviação. Para isso, o governos já exigiu das empresas desses setores seus inventários de emissões de 2013 a 2015 verificados.

A China já conta com experiências de ETS de algumas regiões. Abaixo seguem os valores de alguns desses mercados no dia 7 de Novembro de 2016:

Simuladores e ferramentas inspiradoras

De acordo com o CDP (2015), o número de empresas que utilizam um preço interno de carbono, saiu de 150 em 2013, para 517 empresas em 2015, que variam desde a fabricante de ferramentas Stanley Black &Decker à mineradora brasileira Vale. No caso da Vale, a empresa desenvolveu um tipo de Curva de Custos Marginais de Abatimento para identificar as opções de mitigação mais custo-efetivas e, no futuro, selecionar e priorizar projetos abaixo de um preço limite. O preço limite é de US$ 50,00 por tonelada tCO2.

No caso de investidores, a Itaú Asset utiliza uma estimativa de preço para emissões de carbono na avaliação de investimentos, tendo como referência uma estimativas alinhadas com o mercado internacional (EUA e Austrália). De acordo com a empresa:

“Essa quantidade é usada como uma variável inserida em nosso sistema de modelagem para estimar o custo das emissões de gases de efeito estufa das empresas listadas na bolsa de valores brasileira. Com base nisso, calculamos o impacto financeiro dessas emissões no preço de mercado dessas companhias e, consequentemente, no preço das suas ações. Adicionalmente, neste ano, começamos um piloto para incorporar os custos de carbono na valoração de investimento em infraestrutura. Esse projeto piloto focou-se na valoração de um sistema de auto geração a partir de painéis fotovoltaicos instalados em nosso principal centro administrativo. Nessa iniciativa, a quantidade de crédito de carbono evitado pela energia gerado ao longo da vida útil do painel fotovoltaico (25 anos nesse caso) foi descontado do custo final do projeto. O seguinte critério foi considerado para a valoração [...] preço por tonelada de carbono no ano da compra (Aproximadamente R$ 12/tCO2)”.

Quando se trata de tipos de simuladores públicos voltados à temática de carbono, em especifico a questões recentes de precificação de carbono, observou-se que não existem ferramentas disponíveis em grande escala.

A maioria das ferramentas e simuladores identificados se referem aos aspectos de pegada do carbono (carbon footprint), as quais medem a quantidade de dióxido de carbono que o ser humano pode produzir diariamente diante de suas atividades e a respectiva influencia no meio ambiente.

Parte destes simuladores, também denominados como ferramentas ou e calculadoras, são voltados à sociedade civil com objetivo educar a população sobre o impacto das atividades cotidianas a respectiva relação com o agravamento do efeito estufa. Nestes simuladores há pouco apelo ao público de investidores sobre o viés de uma tomada de decisão sobre investimento em longo prazo etc.

No que se refere ao âmbito corporativo/governo, identificamos alguns simuladores voltados também à conscientização do carbono, principalmente influenciados pelo Protocolo de Kyoto, iniciativas de cap-and-trade, emissions trading etc.

Vale destacar que os simuladores voltados à análise de precificação foram pouco divulgados para os investidores como um instrumento necessário as tomadas de decisões, principalmente pela abordagem de riscos financeiros baseados num cenário futuro.

Segue a relação de alguns exemplos simuladores de carbono identificados durante nosso trabalho.

BVRio

A BVRio (2016) responsável para criação de uma plataforma de negociações para mercado de carbono no Brasil. Tal iniciativa objetivou uma sensibilização às lideranças empresarias sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, além de abordar os riscos climáticos com riscos e oportunidades. Esta plataforma é estrutura num sistema de leilões e registros de cotas.

The carbon trading game

Como uma resposta ao protocolo de Kyoto, foi criado um “jogo” voltado ao mercado de carbono. Com uma abordagem pedagógica, objetiva capacitar estudantes sobre o conceito e maneira de comercializar carbono, em especifico a “trade volume permit prices

Carbon Game

Ferramenta interativa relacionada à simulação de comercialização de emissões, voltada a formuladores de políticas e especialistas de indústrias. Traz temas como desenvolvimento de um plano de gerenciamento de carbono e abordagem de cap-and-trade.

Fundos Itaú Ecomudança

Desde 2007, o Itaú oferece produtos aos clientes do Fundo Itaú Ecomudança. Além de ser direcionado a projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa, há um espaço para o investidor acessar o simulador de emissões de carbono (ITAÚ, 2016).

IFC Carbon Emissions Estimator Tool (CEET) – International Carbon Pricing Tool

Esta ferramenta auxilia os tomadores de decisões com a avaliação de riscos financeiros relacionados a uma obrigação de um futuro no mercado de carbono, na ocasião, aplicável à precificação do carbono. Esta empresa destaca que a ferramenta pode estimar o preço de carbono, cenários futuros de emissões e prover um guia aos clientes que seja benéfico à estratégica de negócios no futuro. A ferramenta ainda traz diversas variáveis, como países, regiões setores e os respectivos requerimentos de comercialização aplicáveis a cada território. Dentre todas as ferramentas e simuladores pesquisados, o InCap possuí uma maior similaridade com o propósito do projeto referência (IFC, 2016).

Outros simuladores que não abordam precificação de carbono

2050 Simulador

Desenvolvido pela empresa EDP (2016) – Energias de Portugal, o simulador destaca o compromisso de redução de emissões da União Europeia até 2050 (reduzir em 20%, comparando ao valor de 1990), em especifico o desafio de Portugal. O simulador, a partir de um modelo de energia selecionado (renovável, nucelar, combustível fóssil, etc), traz projeções de desempenho até 2050, incluindo emissões, fluxo de energia, eletrificação da sociedade, etc.

C-ROADS

Auxílio no entendimento dos efeitos de longo prazo das mudanças climáticas (aumento de temperatura, aumento do nível do mar, etc).

En-ROADS

Prove uma percepção de como as metas globais para o clima podem ser atingidas através da mudança de matriz energética, consumo e novas políticas. Inclui variáveis como população global, eficiência energética e outras.

Produto Final

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