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Linyon Promover a integração social de imigrantes haitianos na grande São Paulo, por meio da formação e educação profissional.

Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade da FGV EAESP.

Formação Integrada para Sustentabilidade

MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.

Como a Formação Integrada funciona na prática?

Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Visando a emergência deste sujeito mais integrado, nos baseamos em em princípios da Transdisciplinaridade, buscando combinar conteúdos e atividades que promovam:

Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).

Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).

Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:

Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Ao longo dos três semestres da Formação Integrada esperamos que os alunos possam:

  • Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
  • Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
  • Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
  • Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.

Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os alunos possam:

  • Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
  • Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
  • Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
  • Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: (i) Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; (ii) Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e (iii) Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.

SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS

Linyon

Promover a integração social de imigrantes haitianos na grande São Paulo, por meio da formação e educação profissional.

Integrantes: Beatriz, Ciro, Claudia, Claudilene, Felipe, Gerson, Mauro e Rogério.

Enunciado

Investigação e escuta

Questões e inquietações iniciais

“Los diferentes, los desplazados y los refugiados son los que enriquecem todas nuestras vidas; su tolerancia y imparciliadad hacia ellos abrirá nuevos mundos para Ustedes, y los hará bienvenidos donde sea que vayan “ (Kofi Annan)

Fontes de investigação (stakeholders envolvidos, bibliografias, dados secundários etc) e Formas de coleta de dados (kick off, entrevistas, observações)

Evento de Lançamento do Projeto Referência (Kick-off)

Participaram do evento na FGV-EAESP, junto com os integrantes do grupo, os seguintes stakeholders, que destacaram:

a. Clarens Chery (Coordenador da União Social dos Imigrantes Haitianos)

  • Sua principal frase: “Não queremos ser sujeitos de estudos, mas sim sujeitos que realizam estudos”;
  • Existe diferença no tratamento do imigrante branco em relação ao imigrante negro;
  • Dificuldades em validar seu diploma;

b. Aisha (Imigrante Angolana)

  • Impossibilidade de obtenção de emprego sem indicação de brasileiros;
  • Recolocação na vida acadêmica foi burocrática e há muita incompatibilidade de currículo;
  • Para um refugiado se estabelecer no Brasil é necessária uma ponte;

c. Andrea Cristina Godoy Zamur (Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo)

  • Os equipamentos do município e estado de amparo ao trabalhador oferecem suporte a imigrantes e refugiados, porém as vagas ofertadas estão voltadas a posições que exigem baixa qualificação profissional;
  • O Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) suporta o direcionamento dos imigrantes em suas necessidades;
  • Identifica os seguintes gargalos para a empregabilidade de imigrantes:

i. Idioma – apenas 600 vagas de português para imigrantes oferecidas pela

ii. Documentação – dificuldade de regularização de situação migratória;

iii. Inclusão financeira – dificuldade de abertura de contas e crédito;

iv. Diplomas – dificuldades no processo de revalidação de diplomas;

v. Falta de conhecimento das empresas para a contratação de imigrantes;

vi. Falta de conhecimento dos imigrantes sobre o sistema empresarial brasileiro;

vii. Imigrantes não têm direitos políticos – gargalo sendo minimizado pela criação do Conselho Municipal de Imigrantes na cidade de São Paulo;

viii. Pouca procura do setor privado por imigrantes;

  • Sugere a criação de um banco de instituições interessadas em empregar imigrantes;

d. Julia Rossin (Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo)

  • A Prefeitura Municipal está desenvolvendo um selo de direitos humanos e diversidade, que irá certificar instituições que empregam pessoas em situação de vulnerabilidade: eventualmente o Projeto poderia dar algum tipo de suporte para a confecção desse selo;
  • Sugere a criação do centro de informação em direitos humanos juntamente com um guia para pessoas em vulnerabilidade;

e. Regina Pazzanese (Olhar Cidadão)

  • Necessidade de plataforma que agregue informações de Organizações de inclusão social, empreendedorismo e formação;
  • Sugestão de curso, conforme o exemplo francês, de inserção cultural, profissional e educacional;
  • Sugestão de vídeo de introdutório para os possíveis contratantes;
Figura 2: Interação do Grupo com os stakeholders (kick off)

Pesquisas Realizadas

Para realizar um diagnóstico da situação do imigrante haitiano em São Paulo/SP, o grupo Linyon realizou pesquisas sobre os seguintes temas: O Direito Internacional dos Refugiados; O Direito Internacional Humanitário; Direito Internacional dos Direitos Humanos; Proteção no Brasil aos Migrantes; O processo de naturalização no Brasil; Os Migrantes Forçados Haitianos no Brasil; e Revalidação/Reconhecimento de Diplomas Estrangeiros.

Os números da imigração no Brasil e em São Paulo/SP

No período de 2011 a 2015 o Conselho Nacional de Imigração concedeu o total de 58.132 autorizações para migrantes sendo que desse total, 51.124 foram para haitianos (88%) (OBMIGRA, 2016). Em junho de 2016, no município de São Paulo/SP, existiam 11.888 imigrantes haitianos.

Essa expressiva representação se deve a despacho conjunto do Ministério do Trabalho e do Ministério de Justiça e Cidadania, que reconheceu as razões humanitárias na migração de haitianos ao Brasil e decidiu autorizar a concessão de permanência para imigrantes dessa nacionalidade. No entanto, esse número é, provavelmente, menor do que o conjunto de todos os haitianos que, de fato, passaram a ter o Brasil como residência haja vista que alguns imigrantes não possuem documentação regularizada.

Localização geográfica dos imigrantes com carteira assinada

Observando os dados do CAGED/CTPS – Ministério do Trabalho - constantes no Relatório Anual de 2016 do OBMIGRA, em 2010, no âmbito dos estados, São Paulo empregava 48,5% dos imigrantes, sendo que a cidade de São Paulo, naquela ocasião, registrava 28,7% do total de trabalhadores imigrantes do país, percentual superior ao do segundo Estado, que era o Rio de Janeiro (15,8%). Em seguida aparecia a Região Sul, com aproximadamente 17%.

Em 2015 esse quadro se altera: São Paulo perdeu importância relativa, passando a acolher 35,8% da força de trabalho imigrante, ante 35,7% dos estados da região Sul e o Rio de Janeiro com 9,8%.

Nesse processo, entre as capitais, a cidade de Curitiba passa a ganhar algum relevo reunindo 3,5% dos trabalhadores estrangeiros, num patamar que se aproxima do Rio de Janeiro (6,8%), mas ainda distante de São Paulo (20,3%). Do total de imigrantes empregados na capital paulista em 2015, 22,9% eram haitianos totalizando 7.596 trabalhadores com carteira assinada.

Muitas dessas mudanças ocorreram em função da migração recente de haitianos ter privilegiado, como destino, os estados do sul do país, possivelmente pela carência de mão de obra em frigoríficos para abate de aves e suínos e melhor condição de vida desses estados.

Entidades Visitadas e Pesquisadas

Durante a fase de investigação, o grupo visitou e pesquisou as seguintes entidades que trabalham ou têm interesse em trabalhar com a temática de imigrantes forçados: Missão Paz; União Social dos Imigrantes Haitianos; Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes (CRAI); Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI); Rede Brasil do Pacto Global da ONU; ONG Linyon; Instituto C&; Associação Brasileira de Industria e Hotéis (ABIH); Itaú Unibanco e Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo. A respeito dessas entidades, podemos destacar:

a. Missão Paz:

A Missão Paz é uma obra da Congregação dos Missionários de São Carlos Scalabrinianos formada por quatro eixos de serviços, como a Casa do Migrante, o Centro Pastoral e de Mediação do Migrante, o Centro de Estudos Migratórios e as Paróquias. Cada eixo de sua composição tem atribuições bem definidas como poderemos ver a seguir:

  • Centro de Estudos Migratórios (CEM):

O CEM integra a Federação dos Centros de Estudos Migratórios Scalabrinos, presentes em vários países e visa entender a temática migratória.

  • Centro Pastoral e de Mediação do Migrante (CPMM):

Centro especializado no atendimento ao migrantes e refugiados, atua por meio dos seguintes serviços: Famílias, Comunidades, Jurídico, Saúde, Trabalho, Setor de Cursos e Suporte de Documentação.

  • Casa do Migrante:

Espaço de acolhida da Missão Paz e tem como principal objetivo fazer com que os imigrantes e refugiados que chegam em São Paulo/SP se sintam bem.

  • Igreja Nossa Senhora da Paz:

Formadas pelas Paróquias Latino-americana, Italiana e Territorial, tem a finalidade de dar

suporte religioso aos imigrantes.

Segundo o Padre Paolo (Diretor da Missão Paz), a partir de 2011 a Missão Paz, por meio da Casa do Migrante, vem recebendo os imigrantes haitianos, sempre em número inferior a 100 pessoas, onde era possível abrigar a totalidade dos imigrantes tendo em vista à Casa do Migrante suportar o número de até 110 pessoas. Em 2014 o número de procura dos haitianos superou o suporte do abrigo da casa (cerca de 800 imigrantes), tendo que ser improvisado no pátio da igreja, localizado no complexo da Missão Paz. A Prefeitura do Município de São Paulo teve que abrir duas casas de abrigo em parceria com os irmãos Franciscanos e as Irmãs Scalibriniana (Congregação da mesma vertente da Congregação dos Missionários de São Carlos Scalabrinianos).

Wellingnton Barros (responsável por receber visitantes na Casa do Migrante) destacou que mesmo com esse grande desafio a Missão Paz proveu aos irmãos do Haiti alojamento, alimentação, assistência social, aula de português, acompanhamento personalizado, brinquedoteca, sala de televisão e todo o suporte que a Casa do Migrante pode oferecer aos recém-chegados.

Os trabalhos foram além do acolhimento ao imigrante. O Centro Pastoral e de Mediação do Migrante (CPMM) realizou a mediação de integrar os haitianos à sociedade, como por exemplo: dar o apoio necessário junto aos órgãos competentes para o inicio do processo de regularização do imigrante, realizar o cadastramento no Sistema único de Saúde (SUS), garantindo o direito a assistência de saúde, mediar a relações dos imigrantes com as empresas para garantir a contratação segura sem exploração e oferecer cursos de língua portuguesa (cerca de 2000 haitianos, foram cadastrados no CPMM, segundo seu diretor).

Segundo Padre Paolo, somente os Haitianos que foram voluntários (tendo em vista que 70% dos haitianos acolhidos são evangélicos) tiveram o apoio religioso pela Paróquia Nossa Senhora da Paz, através de Padres Haitianos, ligados a congregação. O trabalho da Paróquia foi tão intenso que foi realizado no ano de 2015 a festa da Bandeira do Haiti, no salão paroquial.

Na visão de Wellingnton Barros, aspectos negativos, vivenciados pela Missão Paz, são: (a) 60% das empresas que participam das reuniões para contratação de haitianos não fecham contratos trabalhistas, pelo motivo de não quererem lhes oferecer os mesmos direitos dos brasileiros (regras básicas da CLT); (b) A validação dos diplomas das Instituições do Haiti chegam a custar R$ 10.000 (dez mil reais); (c) Com a crise política do país as doações diminuíram; e (d) Muitos haitianos trabalhando na informalidade. São pontos positivos: (a) parceria com 250 Instituições Brasileiras para realização de curso profissionalizante; (b) 5.882 contratações de empresas, com todo suporte do direito trabalhista (abrangendo haitianos e outros imigrantes); (c) 50% do atendimento está sendo voltado para os haitianos de forma individual e (d) Apoio à criação da União Social dos Imigrantes Haitianos (U.S.I.H).

A Missão Paz tem como escopo acolher os imigrantes e refugiados, entendendo a sua história, respeitando a sua identidade, visando a integração e o protagonismo de todos no novo contexto social, fortalecidos pela riqueza do encontro intercultural e unidos em torno da construção da cidadania universal, conforme mostram as figuras 3, 4, 5 e 6.

Figura 3: Acolhimento dos Haitianos na Baixada do Glicério – 2014 - Fonte: Missão Paz
Figura 4: Acolhimento dos Haitianos na Baixada do Glicério - 2014 Fonte: Missão Paz
Figura 5: Centro Pastoral e de Mediação do Migrante (CPMM) - Cadastramento dos haitianos. Fonte: Missão Paz
Figura 6: Conclusão do módulo Básico de Português - Fonte: Missão Paz

Em 2016, a Missão Paz atendeu 8.375 imigrantes em busca dos mais variados serviços oferecidos. Segue abaixo gráfico representando a nacionalidade dos atendidos.

Gráfico 1: Nacionalidade dos atendidos pela Missão Paz em 2016

b. União Social dos Imigrantes Haitianos

A União Social dos Imigrantes do Haiti (U.S.I.H) é uma rede de serviços sociais, nacionais e internacionais, criada por imigrantes haitianos na Baixada do Glicério, grande São Paulo, em 11 de setembro de 2014, coordenada por imigrantes haitianos no Brasil. Uma entidade jurídica privada, sob a forma de uma associação civil sem fins lucrativos e não econômicos, sem fins políticos ou religiosos, tem como missão atuar diretamente na promoção dos direitos humanos fundamentais, na inserção social e na prevenção ao trabalho análogo ao trabalho escravo de imigrantes, através de atividades como atendimento para regularização migratória, assessoria jurídica, palestras de formação e informação, inclusão digital, cursos de português, entre outros.

A visão da U.S.I.H, segundo seus coordenadores, é se transformar em um centro cultural de interação entre haitianos, brasileiros e outras culturas, servindo de ponte para oferecer ao imigrante oportunidades de serem inseridos no mercado de trabalho.

Figura 7: Visita a USIH pelo grupo

c. Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes (CRAI)

Primeiro centro da prefeitura de São Paulo especializado no apoio a imigrantes, inaugurado em 2014, oferece serviços como suporte jurídico, apoio psicológico, oficinas de qualificação profissional e acesso a serviços públicos municipais. Possui 110 vagas noturnas e 80 diurnas, localiza-se no bairro da Bela Vista. (Visita agendada para 16/11/2017)

d. Rede Brasil do Pacto Global

O Pacto global é uma iniciativa desenvolvida pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção de valores fundamentais e internacionalmente aceito nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção em seus negócios. Foi instituído em 2000 e hoje conta com mais de 12.000 organizações signatárias distribuídas em 150 redes ao redor do mundo. A Rede Brasil do Pacto Global foi fundada em 2003 e representa hoje a 4a maior rede local com mais de 700 signatários.

A Rede Brasil do Pacto Global coordena o projeto “Empoderando Refugiadas”, realizado em conjunto com o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e ONU Mulheres. O projeto foi criado em 2015 com o objetivo de aumentar o acesso das mulheres refugiadas ao emprego formal. Atua através de sua conscientização das refugiadas sobre seus direitos, desenvolvimento de habilidades e ferramentas para a independência e empoderamento econômico; e sensibilização das empresas, incluindo falta de conhecimento sobre documentação e processo de contratação.

São parceiros estratégicos do projeto a Caritas Arquidiocesana de São Paulo, o Consulado da Mulher, a Fox Time Recursos Humanos, o ISAE, o Migraflix e o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR). A segunda edição do projeto contou com a parceria das empresas Carrefour, EMDOC, Facebook, Lojas Renner e Sodexo.

e. Linyon – Creating Global Workers

Organização sediada em Curitiba, a Linyon atua em dois pontos críticos que identificamos no kick-off: a qualificação dos imigrantes (documentação e reconhecimento de diplomas) e a sensibilização de empresas.

Com relação à qualificação dos imigrantes, a Linyon, em parceria com a Compassiva, ONG de São Paulo apoiada pelo ACNUR, oferece serviço de tradução juramentada gratuito para diplomas e documentos.

Para empresas, a Linyon desenvolveu um programa de treinamento corporativo chamado Global Workers, com o objetivo de aumentar a "inteligência cultural" das lideranças empresariais. Esse programa é vendido para empresas e poderia ser oferecido em São Paulo.

A Linyon tem também parceria com a escola de negócios ISAE, representante da FGV em Curitiba. A ISAE oferece o “Programa de Desenvolvimento e Aprimoramento para Imigrantes e Refugiados”, em que professores e alunos de mestrado - todos voluntários - dão aulas uma vez por semana, por oito semanas.

f.Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI) em conjunto com Instituto C&A

Apesar de pertencerem ao mesmo grupo, o Instituto trabalha separado da C&A lojas, e possui três grandes projetos, que fazem interface com a questão de imigrantes que tem relação cultural com a indústria têxtil.

  • Linha 1: Linha Materiais

i. Trabalham com parceiros que produzam algodão orgânico;

ii. Economia circular: como fazer que a indústria da moda produza de forma circular e que o produto seja sustentável.

  • Linha 2: Linha de cadeia de bem-estar dos trabalhadores

i. Melhores condições dos trabalhadores de terceiros (salários dignos, saúde, segurança etc);

ii. Combate ao trabalho escravo e trabalho infantil: Neste contexto estão os migrantes Bolivianos e Peruanos que, pela relação cultural com a costura, são utilizados em mão de obra análoga a de escravo nos terceiros.

  • Linha 3: Voluntariado dentro da empresa

i. O instituto C&A promove junto com a C&A lojas projeto de voluntariado dos funcionários para apoiar projetos sociais.

ii. Desenvolvendo este trabalho os voluntários da C&A perceberam a situação dos migrantes (principalmente Bolivianos e Peruanos) que estavam em situação de vulnerabilidade e iniciaram um trabalho para identificar as possibilidades de contratação e assim nasceu a possibilidade de contratação e dois migrantes já foram contratados.

iii. A C&A e a parceria com Instituto CAMI e Missão Paz.

g. Instituto CAMI:

Centro de Apoio e Pastoral do Migrante que apoia os migrantes em itens como a obtenção de visto de trabalho, regularização de documentação, apoio psicológico, assistência social dentre outros.

  • Promovem roda de conversas com mulheres migrantes;
  • Apoio ao aprendizado do português;
  • Cursos de costura;
  • Visita a frentes de trabalho de costura de Bolivianos e Peruanos para ver as condições de trabalhos, e outros.

h. Associação Brasileira de Industria de Hotéis (ABIH)

Associação Brasileira de Industria de Hotéis, do estado de São Paulo, fundada em 1949, representa institucionalmente todo o Mercado Hoteleiro no Conselho Estadual de Turismo do Estado de SP, no Conselho Estadual de Ecoturismo, no Conselho Estadual de Artesanato Paulista, e no Plano de Desenvolvimento do Turismo do Estado de SP.

Em reunião com o grupo, seu presidente Bruno Omori, disponibilizou a ABIH-SP, para qualquer pesquisa relacionada a inclusão de imigrantes forçados, no mercado hoteleiro de São Paulo-SP, colocou também a disposição do PR a revista MixHotel, by ABIH/SP.

Bruno Omori, afirmou que ABIH/SP, já trabalhou em parceria com uma ONG, realizando um trabalho social referente a inclusão de ex-presidiárias no mercado hoteleiro e comentou que a ABIH/SP não tem nenhum banco de dados relacionado a contratação de imigrantes forçados pelos hotéis.

i. Itaú Unibanco

Em reunião com a área de Sustentabilidade e Microcrédito foi questionada a dificuldade de inserção destas pessoas ao sistema bancário, exposta no kick-off. Devida à necessidade de atendimento às normas do BACEN, a opção proposta seria o acesso ao microcrédito, que atualmente não conta com linha de recursos voltada para imigrantes.

j. Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo

Em iniciativa pioneira, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo instituiu no ano de 2013 a Coordenação de Políticas para Migrantes, que pretende viabilizar as políticas públicas migratórias em âmbito local (Visita agendada para 16/11/2017).

Principais aprendizados e insights

DE-BRIEFING KICK OFF

Sentimentos (Insights)

Durante a realização da aula direcionada para o Projeto Referência (PR), o grupo construiu, com o material disponibilizado pelo professor, um cenário relacionado ao tema do PR (figuras 8, 9 e 10), onde surgiram de cada integrante do grupo sentimentos, emoções e insights, citados a seguir:

Emoções:

  • a. Indignação;
  • b. Compaixão;
  • c. Omissão;
  • d. Limitação;
  • e. Silêncio;
  • f. União;
  • g. Inclusão;
  • h. Conexão;
  • i. Falta de destino;
  • j. Conflitos;
  • k. Separação;
  • l. Não ao desperdício.

O que está querendo emergir

  • a. Amor;
  • b. União;
  • c. Ponte
  • d. Empoderamento de uma etnia;
  • e. Importância dos seres vivos.

Frase construída pelo Grupo

“Na vida meu irmão nada é permanente, o mundo e os seres que o habitam estão em constante evolução. Uma hora em situação de inclusão outra em vulnerabilidade. Criar pontes para a ajuda humanitária é essencial para vivermos em equilíbrio sustentável”

Figura 8: Construção do cenário sobre o tema
Figura 9: Construção do cenário sobre o tema
Figura 10: Construção do cenário sobre o tema

Desenvolvimento do produto final: agir em um instante

ESCOLHA DO PRODUTO FINAL

Na oportunidade da microimersão realizada em Mogi das Cruzes, o grupo decidiu que o produto final do projeto referência seria a realização de uma intervenção no CRAI - Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes, um equipamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo (SMDHC) que atua na promoção dos direitos dos migrantes promovendo a integração social, produtiva, política e cultural dos atendidos.

Tal intervenção seria para melhorar o atendimento a aqueles que procuram auxílio do CRAI, propondo formas de agilizar os atendimentos, criação de um banco de dados com currículos, entre outras melhorias.

Todavia, a gestão do CRAI é feita por uma instituição parceira – SEFRAS – cujo contrato encerrou e uma nova licitação está em curso. Diante da incerteza da continuidade desse parceiro, optamos por não mais realizar essa intervenção.

Na fase de descida do U, verificamos que várias instituições auxiliam os migrantes na preparação e inserção deles no mercado de trabalho (Missão Paz, Projeto Caleidoscópio, PARR), e como o propósito do nosso projeto é a realização de pontes entre os migrantes e as empresas para que eles possam conseguir um emprego, decidimos então pela produção de um vídeo documentário que evidenciasse o serviço realizado por essas instituições, mostrar que muitos dos migrantes são altamente qualificados e quais vantagens a empresa pode obter ao contratar essas pessoas.

A divulgação seria feita a partir do upload do vídeo no Youtube, compartilhado em mídias sociais e divulgado em associações de classe como a ABIH – Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis do Estado de São Paulo.

O diferencial do nosso produto final ante aos vários vídeos existentes na internet dar-se-á no caráter informativo, sobre as iniciativas já existentes, e positivo dos depoimentos, mas que ao mesmo tempo pudesse sensibilizar e engajar pessoas para a contratação dos migrantes.

Foto 1: Reunião durante micro imersão.

SELEÇÃO DAS ENTREVISTAS PARA O VÍDEO

Para compor o vídeo (roteiro apresentado no item 3) realizamos gravações com representantes de empresas, organizações da sociedade civil, setor público, consultores de RH e os próprios refugiados e migrantes forçados.

Empresas:

Buscamos colher percepções de como avaliam o processo de inclusão e contratação de migrantes nas empresas, destacando os benefícios e dificuldades.

Entrevistados:

  • Mc Donalds: Marcelo Nóbrega, diretor de RH
  • EDP: Claudinei Nascimento, gestor administrativo financeiro de obra no Pará
  • Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de SP: Bruno Omori, presidente
  • GR: Vaneide Sacchetin, Gerente Nacional de Vendas - Segmento Educação

Não foi possível gravar com representantes da C&A por conta de sua disponibilidade de agenda.

Refugiados:

Buscamos colher percepções de como encaram o trabalho, seus talentos e capacidades e suas expectativas.

Entrevistados:

  • Claren Chery, imigrante haitiano;
  • Talal Tnawi, imigrante sírio;
  • Ali Hejazi, imigrante sírio.

Não foi possível gravar com Aicha, refugiada de Angola, presente por ocasião do kick-off, por questões de agenda.

Organizações da Sociedade Civil e Órgãos Públicos:

Buscamos capturar sua visão sobre os desafios para a inserção dos imigrantes nas empresas, forma de atuação, casos de sucesso, benefícios para as empresas.

Entrevistados:

  • Missão Paz: Ana Paula Caffeu, Assistente Social;
  • Missão Paz: Letícia Carvalho, Assessora de Advocacy;
  • PARR – Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados: João Marques, idealizador;
  • Projeto Caleidoscópio: Ana Paula Candeloro, idealizadora.

Por questões de agenda, não conseguimos entrevista com Estou Refugiado, ADUS e Secretaria Municipal de Direitos Humanos.

Consultores:

Procuramos colher percepções sobre os benefícios que veem para a inserção de imigrantes nas empresas.

Entrevistados:

  • Rogério Cher: consultor de RH;
  • Roberto Rotenberg: consultor, coach corporativo e de carreira.

ROTEIRO DO VÍDEO E ESTRATÉGIA DE DIVULGAÇÃO

Feitas as entrevistas, o grupo se reuniu na casa da Claudia em Jacareí/SP, entre os dias 09 e 10 de dezembro, com o objetivo de selecionar os trechos das entrevistas que deveriam compor o vídeo, estruturar um roteiro para o vídeo, e assim também elaborá-lo.

Ao constatarmos que (i) já existem vídeos para sensibilizar a população e, indiretamente as empresas, sobre a importância da contratação de migrantes forçados, mas nenhum material focado exclusivamente ao público empresarial; e, ainda, que (ii) os imigrantes que contribuíram com nosso trabalho desde o kick-off (Claren e a Aisha) reforçaram o incômodo que sentem ao serem tratados como “coitados”, ao falarem “não queremos ser objeto de estudo”; nos propusermos a elaborar um material com foco em empresas e que não abordasse a questão de

forma negativa, mas explorando e trazendo à tona as qualificações profissionais e pessoais dos imigrantes forçados e os benefícios mútuos de sua contratação.

Além das dificuldades técnicas de aprender a como cortar trechos das entrevistas (desempenhadas pelo Mauro e pelo Felipe), nos deparamos, nesse processo de elaboração do vídeo, com a dificuldade de selecionar, dentro do material conseguido pelo grupo, trechos coerentes com as premissas descritas acima, que fizessem sentido dentro de um contexto geral e, ainda, com as limitações de material, já que não conseguimos entrevistar todas as pessoas que inicialmente consideramos; e, somado a isso, tivemos que abrir mão da inclusão de certos trechos no vídeo, com vistas a reduzir seu tempo e a garantir a coerência do produto como um todo.

Dessa forma, acordamos com um roteiro estruturado da seguinte forma: (i) primeiro, quisemos ressaltar que migrar é um direito humano e que está presente em nossa sociedade desde os primórdios; (ii) depois, procuramos romper o senso comum de que essas pessoas não têm qualificações profissionais, ao trazermos depoimentos de imigrantes. Em seguida, buscamos tratar de forma geral o que se pode esperar dessas pessoas, de forma a ressaltar suas qualificações pessoais e profissionais; (iii) depois disso, pretendemos exemplificar e mostrar ao público empresarial quais organizações já estão atentas à contratação de migrantes forçados, quais suas experiências e ganhos auferidos; (iv) finalmente, incluímos informações sobre as iniciativas de apoio às empresas que já existem quando o assunto é contratação de migrantes forçados, ressaltando os trabalhos desenvolvidos pela Missão Paz e pelo PARR.

Foto 2: Edição e seleção dos depoimentos.

Considerando que o foco do nosso produto final é informar as empresas sobre a contratação de migrantes forçados, pensamos que a divulgação desse material somente no Youtube e nas redes pessoais dos componentes do grupo não seria suficiente para atingir a finalidade a que o grupo se propôs. Com isso, passamos a considerar como estratégia, também a divulgação desse material pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e pela Associação Brasileira de Indústrias de Hotéis (ABIH).

Foto 3: Elaboração de roteiro.

Produto Final

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entendemos que a relevância do trabalho pode ser comprovada com resultados positivos que foram gerados na elaboração do mesmo como:

  • Contratação do Claren como estagiário da Secretaria Municipal de Direitos Humanos;
  • Abertura de duas vagas para refugiados ou imigrantes na empresa Albatroz, empresa de terceirização de mão de obra;
  • Abertura de uma vaga na Fibria para a contratação de um refugiado;

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