Essa é a missão dos Planos de Ação Territoriais (PAT) para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção.
Os chamados PATs são parte importante do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a Extinção, integrando o Programa Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, do Ministério do Meio Ambiente.
Espalhados por 13 Estados do Brasil, no Rio Grande do Sul o PAT é coordenado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA) e implementado junto a diversos parceiros da região.
Que tal uma imersão nessa viagem? Tu podes curtir a revista ouvindo uma playlist instrumental bem gaudéria! Ajusta teu volume e clica aqui!
Nossa sugestão:
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A gaúcha e o Pampa
É lá na Campanha*, entre as pequenas colinas do Pampa, que Vera nasceu, cresceu e ainda vive.
A sensação de pertencimento levou Vera de volta pra casa. E hoje, aos 56 anos, faz com que ela pare qualquer tarefa no campo pra apreciar a vista das coxilhas*.
“Tem dias que o entardecer é belíssimo...”
Pra Vera, uma das partes mais especiais da vida campeira é poder sair para uma caminhada pelos campos ao lado de casa e ser surpreendida por espécies silvestres, como capivara, zorrilho e uma infinidade de aves diferentes.
Mas o que aguça mesmo a curiosidade da moradora são as espécies mais raras, aquelas que pouquíssima gente tem contato!
Desde 2004, os chamados Planos de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (PAN) são políticas públicas do governo brasileiro para organizar esse tipo de ação.
Desta vez, pra garantir a conservação de espécies e ambientes naturais específicos, foi preciso integrar uma estratégia a mais.
(Foto: Adriano Becker)
A ideia de atuar em 13 Estados diferentes, cada um com tantas peculiaridades, fez surgirem os Planos de Ação Territoriais (PAT). Cada PAT vai aplicar estratégias para conservar fauna e flora, considerando a realidade local de cada uma das regiões.
Dos 24 territórios priorizados pelo Pró-Espécies, 5 se distribuem no Rio Grande do Sul e 2 abrangem o Bioma Pampa.
(Foto: Priscila Ferreira)
Nesses pagos* há uma enorme diversidade de plantas e animais adaptados ao ambiente campestre, incluindo as espécies exclusivas do Pampa - ou seja, endêmicas, que surgiram e só ocorrem aqui.
Paisagens que já inspiraram belos poemas e músicas!
Relevo plano e suavemente ondulado, com extensas formações campestres que só são quebradas por matas de galeria e formações arbustivas ao longo dos cursos d’água.
Relevo movimentado com formas arredondadas, com com diversos tipos de vegetação, como campos, vassourais (vegetação arbustiva), florestas em encostas com declividades acentuadas e ao longo dos rios, riachos e arroios.
Seu principal objetivo é melhorar o estado de conservação de 30 espécies ameaçadas de extinção e seus ambientes. São 14 espécies de animais e 16 de plantas.
Com alguma paciência, é possível registrar algumas dessas espécies...
(Próximas montagens feitas com fotos de Patrick Colombo, Glayson Bencke e Felipe Peters)
Agora te aprochega* que a gente te conta um pouco mais sobre todas essas espécies-alvo, como são chamadas aquelas protegidas pelo PAT Campanha Sul e Serra do Sudeste.
Tu vais conhecer as maiores ameaças e em que lugares elas se encontram no Território.
Vais perceber que muitas dessas plantas e animais vivem em situações extremas e, apesar da capacidade de adaptação, são bastante vulneráveis e necessitam de proteção urgente.
Fauna
Existe um gato muito especial por esses pagos*.
Ele é pequeno, pesa entre 3 e 4 quilos, e se parece com outros felinos do Pantanal e do Cerrado.
Apesar da semelhança, pesquisadores descobriram que a espécie que vive no Rio Grande do Sul, no Uruguai e em um pedacinho da Argentina é única no mundo.
Por isso ele se chama gato-dos-pampas, ou também gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai). Ele tem esse nome, palheiro, porque vive em locais com palha bem alta, em banhados, matas e campos com bastante vegetação nativa.
O problema é que ele está perdendo esses campos para a agricultura, plantio de eucalipto e outras atividades.
Além disso, muitas pessoas costumam caçar o gato-palheiro em retaliação porque ele é predador de aves criadas em casas da região. A transmissão de doenças por animais domésticos e os atropelamentos nas rodovias também são fortes ameaças ao nosso gato silvestre.
A perda do habitat natural para a agropecuária também ameaça outra espécie típica do Território. Estamos falando do sapinho-de-barriga-vermelha-do-pampa (Melanophryniscus sanmartini), encontrado tanto no Rio Grande do Sul quanto no Uruguai.
Ele ainda é pouco conhecido até para os cientistas, mas já se sabe que a reprodução acontece depois de chuvas fortes.
Ele usa pequenas poças d’água temporárias em áreas de nascentes. A principal alimentação vem de formigas e ácaros, e é assim que o anfíbio consegue sua defesa química.
E sabe por que ele é chamado de sapinho, assim no diminutivo?
Entre os animais Criticamente em Perigo (CR) de extinção no Território estão pequenos peixinhos de vida breve e enorme capacidade de sobrevivência.
Encontrar um animal destes é sempre uma experiência extraordinária, porque observar esses peixes típicos do Pampa é muito raro.
São ao todo 12 espécies protegidas pelo PAT.
Os animais são chamados de peixes anuais porque vivem somente em determinada época do ano em áreas úmidas temporárias, como poças formadas pelas águas das chuvas.
Esses ambientes, que estão isolados dos rios, lagos e lagoas, são associados a ambientes de banhado.
Antes de morrerem, porém, deixam seus ovos depositados no mesmo lugar onde viveram, para que uma nova geração tenha chance de nascer no ano seguinte.
Os ovos desses peixes são muito resistentes à seca, por isso permanecem por meses enterrados no lugar onde as poças secaram até que elas voltem a encher no próximo período chuvoso.
Os peixes anuais evoluíram e se adaptaram a esse tipo de ambiente.
(Foto: Luis Esteban Lanés)
Peixinhos com poucos centímetros que dão uma verdadeira lição de luta pela sobrevivência e de adaptação a condições extremas.
O problema é que a ação do homem pode colocar em risco até mesmo as mais resilientes das espécies.
Uma das principais ameaças aos peixes anuais está na degradação das áreas úmidas onde vivem, que são frequentemente aterradas ou drenadas.
As espécies de ervas e arbustos do PAT Campanha Sul e Serra do Sudeste são encontradas nos campos, nas florestas e nas rochas do território.
São criticamente ameaçadas de extinção principalmente por: expansão agrícola e urbana, contaminação por agrotóxicos, fogo, mineração, invasão de espécies exóticas, pisoteio e pastejo de animais criados soltos.
Três dessas espécies são ervas bem delicadas que têm flores amarelas ou brancas.
A planta conhecida por capim-treme-treme (Chascolytrum parodianum) e a leguminosa Senna nana são ervas que nascem em afloramentos rochosos e campos limpos.
A Senna nana tem pequenas flores amarelas e o fruto é um legume um pouco curvo. A treme-treme tem ramos com pequenas folhas enrijecidas que tremem com o vento, por isso ganhou esse nome.
A Pavonia (à esquerda) só existe no território do PAT, tem flores roxas a rosadas.
Já a Trixis pallida (à direita) existe em outros lugares, tem as flores pequenas e amarelas.
Os nomes científicos são (em sentido horário): Frailea mammifera, Parodia gaucha, Parodia rudibuenekeri e Parodia neoarechavaletae. Mas pode chamar todas elas de tuna, que é o nome popular.
As tunas são cactos em formato globoso ou cilíndrico que variam de cor, número de espinhos, tamanho e flores.
São lindos, mas só quando permanecem na natureza!
A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS, com o apoio da Ortus Consultoria, realizou oficinas virtuais com a participação de mais de 50 colaboradores e 20 instituições de diferentes setores da sociedade.
Estudar a biologia e a distribuição das espécies, aprender mais sobre o cultivo das plantas nos jardins botânicos e analisar o extrativismo ilegal.
Incentivar o cultivo sustentável no campo, compartilhando informação com técnicos e produtores e promovendo projetos de sustentabilidade com povos tradicionais.
Fortalecer leis de proteção ambiental, promover a restauração de áreas degradadas e incentivar os agricultores que ajudam a manter áreas naturais protegidas.
Mapear as principais espécies exóticas invasoras sobre o território, implantar projetos de restauração e melhorar o controle dessas espécies.
Incluir a proteção às espécies-alvo no licenciamento de obras, como duplicação de rodovias. Investir na gestão ambiental das obras e reduzir os impactos.
Estimular as boas práticas do turismo. Verificar as atividades de turismo que são mais ameaçadoras e criar normas que reduzam os impactos.
Intensificar a pesquisa sobre as espécies-alvo e popularizar o conhecimento sobre elas. Realizar ações de comunicação e sensibilização junto à comunidade.
A conexão se faz no colorido de cada coxilha, cada planta ou animal típico que formam a riqueza desse lugar que chamamos carinhosamente de Querência*.
Vão ser oferecidos cursos, oficinas e muitos materiais com conhecimentos para produtores, estudantes, professores e outros profissionais.
Acompanha o site da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura e fica ligado nas oportunidades que o PAT vai oferecer ao longo dos próximos 5 anos!
Outros contatos do PAT:
Para saber mais:
A elaboração desta revista digital do Plano de Ação Territorial para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção da Campanha Sul e Serra do Sudeste foi financiada com recursos do Global Environment Facility (GEF) por meio do Projeto 029840 - Estratégia Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas - Pró-Espécies: Todos contra a extinção.