Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade da FGV EAESP.
Formação Integrada para Sustentabilidade
MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.
Como a Formação Integrada funciona na prática?
Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Visando a emergência deste sujeito mais integrado, nos baseamos em em princípios da Transdisciplinaridade, buscando combinar conteúdos e atividades que promovam:
- Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
- • Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).
Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:
Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Com isso, esperamos que os(as) alunos(as) possam:
- Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
- Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
- Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
- Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.
Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os(as) alunos(as) possam:
- Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
- Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
- Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
- Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.
O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: (i) Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; (ii) Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e (iii) Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.
SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS
Projeto
Nosso desafio neste Projeto Referência (PR) foi desenvolver um mapeamento de inovações sistêmicas nos negócios, na cidade de São Paulo (SP), criando um modelo replicável em outros territórios, no qual esses projetos de Inovação de Sistemas possam ser identificados por investidores e por outros negócios da mesma natureza, proporcionando integração, troca de experiências e colaboração entre Empreendedores Inovadores de Sistemas.
Nossa primeira ideia foi desenvolvermos um mapa georreferenciado onde os inovadores de sistemas pudessem encontrar uns aos outros e serem detectados por investidores. No entanto, a pesquisa que realizamos com alguns inovadores e incubadoras nos trouxe novas perspectivas sobre a complexidade de interações e necessidades dos sistemas, indo além do mapa e exposição dos projetos.
Evoluímos então para disponibilizar como produto final de nosso PR, além do mapa, uma ferramenta de cadastro e questionário para que os próprios inovadores possam fornecer informações a seu respeito, sobre suas áreas de interesse e o estágio em que seus negócios se encontram. Assim, a plataforma digital Systems Play - ambiente aberto por nós selecionado para hospedar nosso produto - poderá realizar a conexão e a promoção de conversas, reuniões e aprendizados, tanto presenciais, quanto on line, visto ser possível agrupar os empreendedores por assuntos de interesse e também por suas necessidades.
Investigação e escuta: observar, observar, observar
Processo Metodológico
1. Enunciado do PR:
Desafio: Desenvolver mapeamento de Inovações Sistêmicas na cidade de São Paulo, para facilitar detecção de inovadores sociais por investidores, promover integração, colaboração e troca de experiências entre empreendedores.
Foco Inicial: Empreendedores Sociais
2. Kick-off:
O que aprendemos: Ambiente de inovação social é altamente complexo em termos relacionais, com a interação de diferentes níveis de realidade e objetivos por vezes aparentemente contrastantes (inovadores “versus” aceleradoras/incubadoras), mas cujas intenções e competências podem ser complementares e positivamente sinérgicas.
O que mais nos tocou:
- Papel estratégico fundamental das aceleradoras para provocar, ajudar a profissionalizar e chancelar empreendimentos sociais;
- A prospecção entre aceleradoras e empreendedores ainda é reativa (funciona mais por indicação);
- Papel estratégico fundamental, reconhecido por inovadores sociais, de uma plataforma digital para impulsionar o sistema, facilitando e promovendo a complementariedade das competências.
Quais os focos para a continuidade do trabalho:
- Expandir a consulta e o mapeamento para as aceleradoras, além dos empreendedores sociais;
- Captar as reais necessidades de inovadores de sistemas para se chegar aos requisitos fundamentais da plataforma.
3. Matriz Transdisciplinar de Exploração:
Fundamentos:
Necessitávamos acelerar as entrevistas para captar os requisitos fundamentais da plataforma digital e dimensionar o que poderíamos atender no âmbito do PR e como recomendações. Em função disso, imperava ansiedade no grupo
Espaço de Transformação:
Decidimos redistribuir responsabilidades buscando potencializar a integração das competências do grupo. Revisitamos também o cronograma à luz da nova Matriz de Responsabilidades
Estruturamos um modelo para tabulação dos resultados das entrevistas visando uma análise cruzada mais eficaz e efetiva dos resultados
Espaço do Sentido:
Como resultado da aplicação da Matriz, o grupo saiu da reunião mais focado e menos ansioso
4. Entrevistas:
Compreensão das Necessidades e Dimensionamento do Conteúdo das Entregas do PR:
- Realizamos uma amostra com 10 (dez) entrevistas: seis com empreendedores e quatro com aceleradoras, preenchemos a planilha modelo e analisamos em conjunto as respostas;
- Como resultado, obtivemos um diagnóstico, limitado à representatividade da amostra, para as principais necessidades dos empreendedores e aceleradoras, e identificamos o que poderíamos atender por meio da plataforma digital como entrega do PR e o que consolidaríamos em uma entrega a título de Recomendações.
5. Prototipagem:
De acordo com a Matriz de Responsabilidades definida no Passo 3:
- Elaboramos o mapa georreferenciado
- Elaboramos ficha de cadastro à ser preenchida online para novos investidores sociais
- Elaboramos um documento de Recomendações para o cliente original de nosso PR: a System Play
- Ao longo da nossa jornada, vimos a necessidade e elaboramos um glossário com as principais expressões utilizadas para definir e esclarecer inovações de sistemas.
- Hospedamos o nosso mapa georreferenciado, ficha de cadastro e glossário em uma plataforma (hospedada em um site) que desenvolvemos e conectamos com a plataforma do nosso cliente System Play
Investigação e escuta: observar, observar, observar
Detalhamento das Fontes de Investigação
Muitas questões vieram a nossa mente, ao iniciarmos o trabalho em grupo. Algumas bastante primárias, como as definições daquilo que queríamos estudar. Nos deparamos com uma série de dúvidas sobre como entendíamos cada um dos termos. Inovação urbana, Inovação Sistêmica, Inovação de Sistemas. E isto nos levou a buscar este alinhamento entre nossos conhecimentos e o que significavam cada uma das nossas definições. Sendo assim nosso primeiro produto, foi criar um Glossário. Onde pudéssemos explorar as definições e talvez dúvidas dos nossos próprios clientes (os inovadores de sistemas)
Questões e inquietações iniciais
Saber mais sobre como pensam, o que querem e como podemos criar algo útil para esses inovadores de sistemas, foi outra de nossas inquietações. Por este motivo decidimos então fazer uma pesquisa, com os inovadores sociais, mas mais do que isto, com as incubadoras e aceleradoras desses projetos. Assim iniciamos nossa descida do U.
Fontes de investigação (stakeholders envolvidos, bibliografias, dados secundários etc) e Formas de coleta de dados (kick off, entrevistas, observações)
Para entender com maior profundidade o fenômeno do nosso projeto - Inovação de sistema - e o público-alvo da nossa solução - Inovadores de sistemas - percorremos um processo de investigação de abordagem qualitativa que explorou diferentes metodologias e formas de coleta de dados e fomos nos “moldando” ao longo do tempo, a partir dos aprendizados de pesquisa (Creswell, 2007). Nossa pergunta base de investigação, que permeou todo o processo foi: quais são as necessidades e dores reais dos inovadores de sistemas e se um sistema que criasse um mapa georreferenciado poderia contribuir verdadeiramente para o desenvolvimento desses inovadores, com conexões, aprendizados, etc.
O processo teve início na preparação do kick-off, quando levantamos referências e informações já disponíveis sobre inovação de sistemas e começamos a sistematizar conceitos e definições na forma de um glossário. Referências como o artigo de Frances Westley e Nino Antadze, “Making a Difference: Strategies for Scaling Social Innovation for Greater Impact”, de Moore e Westley, “Surmountable chasms: networks and social innovation for resilient systems” e de Olsson et al., “The concept of the Anthropocene as a game- changer: A new context for social innovation and transformations to sustainability”, fizeram parte da nossa revisão bibliográfica inicial.
A partir desse trabalho, construímos o roteiro de perguntas para o kick off (anexo I). Três objetivos principais de investigação guiaram a elaboração das perguntas: 1. entender o nível de conhecimento dos participantes sobre inovação de sistemas e suas necessidades; 2. explorar a relevância do mapa georreferenciado e o potencial de contribuição que ele pode ter para os inovadores de sistemas; 3. explorar com os participantes as possíveis funcionalidades da ferramenta.
Durante o kick off, facilitamos uma conversa entre membros do grupo e convidados, guiada pelo roteiro de perguntas. Tivemos a participação de dois inovadores de sistemas. Os dados coletados foram registrados e organizados em documento único, enfatizando: 1. O que me chamou atenção? O que aprendi?; 2. O que mais me surpreendeu? O que me tocou?; 3. Onde acredito ser necessário maior follow-up?
Percebemos, a partir do kick-off, que precisávamos expandir nosso entendimento das necessidades reais dos inovadores de sistemas e que, para isso, precisaríamos conversar também com aceleradoras e outros atores do ecossistema. Elaboramos dois roteiros de perguntas para entrevistas semi-estruturadas, um para inovadores de sistemas (anexo II) e outro para aceleradoras (anexo III). Para a elaboração das perguntas e estruturação do roteiro, consideramos os mesmos três objetivos do kick off citados acima porém, nessa fase da pesquisa, demos mais ênfase ao entendimento das reais necessidades dos inovadores de sistemas.
As entrevistas foram realizadas por telefone ou presencialmente, dependendo da disponibilidade da pessoa entrevistada. Para otimizar as entrevistas, os roteiros de perguntas também foram programados numa plataforma de coleta de dados online para que a pessoa entrevistada já pudesse conhecer e refletir antecipadamente sobre suas respostas. Foram 6 inovadores de sistemas e 4 aceleradoras entrevistados. Os dados coletados foram sistematizados e organizados numa planilha conforme os agrupamentos abaixo:
- Principais Considerações sobre como o Negócio desafia o Status Quo
- Principais Contribuições para a Inovação Sistêmica
- Principais Considerações quanto à Escalabilidade do Negócio
- Principais Considerações quanto à Replicabilidade do Negócio
- Nível de Utilização de outros Mapas ou Sistemas Digitais pelo Entrevistado e quais as Restrições Detectadas
- Considerações sobre as Principais Dificuldades enfrentadas no Negócio e suas Consequências
- Principais Contribuições Necessárias para enfrentar as Dificuldades Atuais (a serem preenchidas por mapeamento e/ou outra ferramenta)
Ao longo do processo de coleta de dados, os membros do grupo se reuniram diversas vezes (presencial e virtualmente) para discutir os resultados obtidos e definir os próximos passos da investigação. Os dados coletados foram utilizados como insumo para a construção de um glossário, para o desenvolvimento do mapa georreferenciado e a organização e identificação das demandas dos inovadores que pudessem ser endereçadas ao gestor da plataforma digital que hospeda nosso conteúdo. Percebemos ao longo do processo, com o formulário de coleta de informações com inovadores de sistemas, que muitas outras necessidades do complexo processo relacional dos inovadores precisavam ser endereçadas ao gestor da plataforma digital Systems Play, para ofertar soluções efetivas para o público-alvo, indo muito além do mapa georreferenciado que imaginávamos.
Inovadores e aceleradoras entrevistados como amostragem:
Programa Vivenda - www.programavivenda.com.br
O Programa Vivenda foi criado com o objetivo de promover melhores condições habitacionais para população de baixa renda. Para isso, a organização atua realizando obras de baixa complexidade em moradias com grande necessidade de melhorias, permitindo que moradores tenham acesso a este serviço a um custo mais baixo que no mercado tradicional. A iniciativa envolve também a participação de mão de obra local e privilegiando compras a partir de fornecedores locais.
II. Giral - www.giral.com.br
Consultoria voltada a articular organizações do primeiro, segundo e terceiro setor, movida pela integração ética e comprometida destes atores para criar novas dinâmicas de negócios que tenham o ser humano e o equilíbrio da vida no planeta como objetivos do desenvolvimento.
III. MOV - www.movinvestimentos.com.br
Fundada em 2012, a MOV Investimentos é uma gestora brasileira de investimentos de impacto. Busca empreendedores e investe em empresas inovadoras para reduzir desigualdades sociais e reverter degradação ambiental.
IV. Baanko - www.baanko.com.br
A Baanko é uma organização que utiliza os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para fomentar o ecossistema de Negócios de Impacto Social. Lançada em 2014 sob a ótica da economia colaborativa, essa REDE vem crescendo e hoje já tem mais de 6000 pessoas envolvidas e mais de 200 projetos acelerados. A crença é em promover na América Latina o aumento do impacto, do desenvolvimento de novas oportunidades de mercado e de investimento para as empresas que geram impactos sociais positivos.
V. NESst - https://www.nesst.org/brasil/
A NESsT investe em negócios sociais, oferecendo investimento financeiro personalizado e apoio individualizado no desenvolvimento do negócio para empreendedores sociais de mercados emergentes. Utiliza uma abordagem engajada oferecendo investimento financeiro personalizado e apoio individualizado no desenvolvimento do negócio para empreendedores sociais. Compromete-se com esses negócios sociais de 5 a 7 anos, ajudando-os na difícil transição de startup a escala.
VI. Ecobairro - http://www.ecobairro.org.br/site/
O Ecobairro é uma experiência de permacultura urbana, que está desenvolvendo atualmente um programa baseado no Movimento das Cidades em Transição, para sistematizar uma forma da sociedade civil de trabalhar em conjunto com o poder público para iniciativas de sustentabilidade, denominado Municipalidades em Transição. Este projeto é um dos 6 pilotos mundiais que o Transition Network está desenvolvendo ao redor do mundo como forma de criar uma metodologia de interação para a transição do poder público para formatos mais sustentáveis.
VII. Devolverde
O projeto oferece o serviço de implantação e manutenção de hortas e composteiras coletivas em condomínios, residências, empresas e instituições de ensino. Organizam oficinas, treinamentos e palestras para promover o engajamento e conscientização da comunidade em prol da saúde, bem estar e meio ambiente.
VIII. Climate Venture - www.climateventures.co
Startup que trabalha para acelerar uma economia regenerativa e de baixo carbono conectando as esferas de clima, tecnologia, negócios e finanças em uma plataforma em meio urbano.
IX . Consolidar Diversidade - https://consolidardiversidade.com.br
A Consolidar Diversidade resolve o desafio das empresas de planejar de forma estratégica e implementar programas de Diversidade e Inclusão no ambiente organizacional. Combinamos uma visão profunda sobre negócios e a compreensão do ser humano para promover mudanças de forma sistêmica e a longo prazo.
X. Retalhar - https://www.retalhar.com.br/
A retalhar desenvolve soluções logísticas inovadoras para dar destinação aos uniformes usados das empresas de maneira sustentável estimulando a economia circular.
Referência bibliográfica:
Creswell, John W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto / John W. Creswell ; tradução Luciana de Oliveira da Rocha. - 2. ed. - Porto Alegre: Artmed,2007.
Principais aprendizados e insights
Mergulhamos ao longo do projeto no complexo mundo dos inovadores sistêmicos e sua sobrevivência no ambiente brasileiro. Se mesmo para aqueles empreendedores com maior experiência e mercado mais definido construir e escalar um negócio é difícil, mais ainda se torna para aqueles que buscam empreender num ambiente de mudança sistêmica para promoção de impacto positivo, desafiando o status quo. Atuam em geral em mercados emergentes, inovadores, nichos, com modelos de negócio que ainda precisam ser validados. Atuam também com escassez de recursos e apoio, sendo o risco ainda maior com a falta de confiança do mercado. Além disso, por serem disruptivos, ao trazerem soluções para desafios socioeconômicos ou ambientais, para a promoção de qualidade de vida de pessoas mais desfavorecidas e de mudança de mindset do modelo econômico vigente, há poucos exemplos, conhecimento disponível, modelos de análise de impacto e de gestão.
Neste cenário, as aceleradoras de impacto social e as empresas, empreendedores ou start ups, desenvolvem um sistema complexo de relações. Na análise de nosso Projeto, observamos ao longo da descida do “U” uma percepção da relevância da conexão entre esses dois principais agentes do sistema de inovação de impacto, mas o quanto essa conexão ainda é frágil, insipiente e pouco estruturada.
Não encontramos exemplos significativos de empreendimento social que gerou retorno financeiro e impacto positivo em grande escala. Mesmo as aceleradoras brasileiras são recentes e nasceram de pessoas movidas pelo desejo de apoio à mudança para promoção do empreendedorismo social.
No processo de mergulho nesse ecossistema, percebemos o quanto ele é ainda disperso, pouco conectado e profissional. Percebemos algumas “ilhas”, tanto fisicamente distribuídas na cidade de São Paulo, quanto institucionalizadas. Cada incubadora em geral tem seu próprio ecossistema, iniciativas, chamadas ou editais, eventos, concursos etc. Algumas poucos começam a desenvolver ações sinérgicas e conjuntas. Por outro lado, os empreendedores buscam modelos, formas de se conectar e expor seus projetos para viabilizar seu negócio, prospectam meios de captação de capital a partir das relações que conseguem estabelecer, participam de chamadas, conferencias etc para criar ou entrar em uma rede e se estabelecer. Mas esse percurso em geral é difícil e para poucos.
Também a partir de uma série de pesquisas sobre inovadores sistêmicos em São Paulo e incubadoras, ao inseri-los no mapa georreferenciado, percebemos uma altíssima concentração em alguns bairros da cidade, como Vila Madalena e Vila Mariana. Poderíamos intuir que está se formando um vale de inovadores de impacto, tanto pelo estilo de inovação em costumes e conceitos ou pela concentração de público jovem, como por exemplo no caso da Vila Madalena. Por outro lado, essa concentração demonstra ainda a baixa capacidade de extensão a outros bairros, em especial à periferia, e, consequentemente, a grande oportunidade de expansão do sistema de inovação de impacto.
Desta forma, a partir de nossa entrevistas e mergulho no contexto de mercado dos inovadores sistêmicos, percebemos a oportunidade de nosso produto final ser uma ferramenta que ajudasse o SystemsPlay, a atender melhor os inovadores sistêmicos, compreendendo as reais necessidades de seus clientes locais no Brasil, e no caso do projeto, sendo o piloto em São Paulo. Para os clientes finais, os inovadores sistêmicos e aceleradoras, a ferramenta poderia suportar a plataforma com um estrutura de dados ajudando a terem maior visibilidade georreferenciada, integração, criando um ambiente de colaboração efetivo e acesso a conteúdo.
Apesar do piloto do nosso projeto ter sido aplicado ao ambiente urbano da cidade de São Paulo, o projeto tem potencial de ser expandido globalmente, criando uma grande rede mundial de conexão e interação, com os continentes africanos e asiáticos, aonde o Systems Play já vem também sendo testado e conforme observado como potencial pelos próprios feedbacks dos inovadores.
Produto Final
Baseado nas necessidades detectadas nas entrevistas com os inovadores e aceleradoras, estruturamos alguns produtos de nosso projeto. Lembrando, após a pesquisa que tínhamos realizado, o primeiro objetivo foi criar um mapa georreferenciado com os inovadores e aceleradores de São Paulo. Ao longo do processo da teoria “U” com as entrevistas e imersão no tema de inovação sistêmica, percebemos que não seria suficiente e efetivo para atender as necessidades da plataforma Systems Play e dos seus clientes, os inovadores de sistemas, estruturamos uma interface de cadastramento e uma série de produtos de apoio à plataforma, para que ela efetivamente possa desenvolver e fomentar a inovação de Sistemas na Cidade de São Paulo.
Assim, nosso produto final é uma ferramenta que permite atender de forma mais ampla as necessidades dos inovadores e aceleradores de sistemas através da plataforma Systems Play.
Nesta plataforma entregamos os seguintes itens estruturados:
- Glossário;
- Pesquisa em profundidade consolidada com 10 (dez) inovadores (aceleradoras e empreendedores);
- Interface e questionário de cadastramento de Inovadores para o mapa;
- Piloto de mapa com inovadores de São Paulo e padrões para o mesmo; e
- Recomendações de Ações conforme resultados da pesquisa.
Para acessar a plataforma abaixo, clique em: https://www.fisinovasp.com/
Glossário
Primeiro criamos um Glossário baseado nos conceitos que os inovadores sociais utilizam, para que pudéssemos alinhar sobre o que estamos falando, definir e preparar as perguntas para a pesquisa realizada com 10 (dez) inovadores, entre empreendedores e aceleradoras.
https://www.fisinovasp.com/glossario
Pesquisa em Profundidade com Inovadores e Aceleradoras
Entregamos ao Systemsplay uma pesquisa em profundidade com inovadores sociais e aceleradoras consolidadas por assunto, para que a plataforma tenha mais conexão com os seus atendidos, nas quais aparecem muitas possibilidades de interação e dados para planejamento de ações.
Obs: Não disponibilizamos ainda os resultados detalhados desta pesquisa nesta plataforma pois ainda não obtivemos autorização dos entrevistados para divulgação. O resumo e principais direcionadores da pesquisa realizada estão nos itens insights e recomendações.
Cadastro de Inovadores
Para o cadastro dos inovadores criamos um questionário que teve como base a disponibilização de uma interface na qual os inovadores pudessem de alguma forma incluir suas informações para serem acrescentadas ao mapa de inovadores e, ao mesmo tempo, propiciar que eles possam informar à plataforma Systemsplay quais as suas necessidades e interesses, e, desta forma, auxiliar a organizar produtos mais direcionados para cada um deles.
Abaixo link para o questionário: https://pt.surveymonkey.com/r/WQ9SFH3
Mapa georreferenciado
O questionário de cadastramento, após a curadoria do Systems Play, gera um mapa, que fica disponível na plataforma.
Para este mapa, desenvolvemos um padrão e uma estrutura de ícones que facilitam a busca dos inovadores devidamente georeferenciados. Além disto, propusemos um resumo no próprio mapa, para que não seja necessário sair da estrutura para encontrar informações, atendendo ao pedido dos inovadores, que afirmaram nas entrevistas não terem tempo para atender às demandas por informação de seus pares.
Recomendações conforme resultado da pesquisa em profundidade
Esta entrega contempla uma série de recomendações sobre melhorias e possibilidades para a plataforma Systems Play, visando apoiar o sistema e seus organizadores. Estas recomendações foram concluídas a partir da análise do grupo em relação aos insights das entrevistas e análise do mercado de inovação sistêmica,
Abaixo, link para as recomendações: https://docs.google.com/document/d/1CjGYGYBLQR3U3LRy4g_k8K7SyE2ykhmmYEIGA2XIjhw/edit#heading=h.gjdgxs
Presencing: retrair e refletir
Sentimentos, sensações e insights individuais (depoimentos de cada membro do grupo narrando sua percepção nesta etapa do percurso)
Pamela
O tema que trabalhamos esse semestre - inovadores de sistemas - era totalmente novo para mim, mas não era para outros membros do grupo. Percebi desde o início uma preocupação verdadeira do grupo de colocar todos na mesma página, não deixar ninguém para trás e aproveitar o melhor do que cada um poderia oferecer. Me senti acolhida, escutada e contemplada a todo o momento. Permanecemos unidos durante todo o processo. Sempre que um ponto de discordância ou de dúvida surgia, conversávamos e tomávamos uma decisão como grupo. Foram exercícios diários de comunicação não violenta. Pessoalmente, me senti sempre parte do processo e percebo que tive várias oportunidades de exercitar a atenção plena e a escuta sensível. Sou muito grata ao grupo.
Amanda
A escolha de integrar o grupo que trabalharia a temática inovadores e sistemas veio a partir da inquietação em descobrir negócios que estivessem desafiando o status quo. Posso dizer que, como grupo, mergulhamos no processo e nos dedicamos em encontrar um produto que pudesse de fato impulsionar esses negócios e fomentar o desenvolvimento de outros. Permanecemos sempre focados neste propósito, bem como no bem estar geral do grupo para que todos tivessem voz e cada um pudesse dar sua contribuição. Sem dúvida, o espírito colaborativo e compreensivo do grupo foram os diferenciais para o desenvolvimento de nosso projeto. Muitos aprendizados foram adquiridos a partir da escuta tanto dos inovadores quanto com os integrantes do grupo, estes últimos, transmitiram-me muito conhecimento em cada reunião e conversa.
Delfim
Este semestre queria participar de um projeto com idéias propostas por outros e que me atraísse a curiosidade. O percurso não foi fácil. Por ser o que menos conhecia do assunto, tinha que ficar mais "dependente" e atento. E, no meio de tantos conceitos novos, fui descobrindo que poderia agregar uma competência minha que sei ser uma fortaleza: a capacidade de planejamento, mesmo em ambientes complexos. Muitas foram as opiniões e os questionamentos a respeito de como chegar a um produto que efetivamente contribuíssem para o ecossistema de inovação social. Mas todos estivemos muito dispostos também a escutar. Assim, quando chegamos a uma visão compartilhada, foi muito rápido "subir o U" e todos passamos a entender muito facilmente o que o outro queria dizer e contribuir. Sem sombra de dúvida, uma construção conjunta com muito valor agregado para mim.
Luciana
Escolhi participar do projeto por estar começando a mergulhar na complexidade de inovadores sociais e negócios de impacto e os desafios de sobrevivência e transformação destes negócios num ambiente tão hostil como o do Brasil. Apesar do pouco conhecimento ainda no tema pude junto com o grupo me permitir viver um processo de aprendizado gradual, escuta ativa para poder capturar e compreender todas dimensões da minha expectativa e do outro, transmitir minhas dúvidas e acolher as dos demais e saber como aproveitar o conhecimento de quem tinha mais domínio no assunto. Cada um de nós teve que exercitar a paciência para vivermos o processo da descida do U sem ansiedade de já querer trazer uma solução pronta. Pessoalmente, procurei entender qual seria minha maior possibilidade de contribuição (contatos e conhecimento da rede de inovadores e aceleradoras) e minha visão analítica do processo. Todos exercitamos o espírito de colaboração e compreensão pelos momentos que vivemos ao longo do processo, sejam pessoais e profissionais, e como cada um poderia trazer o seu melhor, com união e respeito. Me senti ouvida, acolhida e num intenso processo de aprendizado e co-criação.
Andressa
Nesse semestre, escolhi essa temática, pois veio ao encontro de uma necessidade específica que estou vivendo na empresa de aproximação e inter-relação com negócios de impacto social e ambiental. Para mim, foi um momento de aprofundar conhecimento e poder desenvolver repertório sobre inovadores e investidores, com foco no desenvolvimento sustentável no meio urbano, em que pude contribuir com a aproximação e contato com inovadores de impacto, além também de proposições a respeito do nosso produto final e co-desenvolvimento de nosso mapa de inovadores e investidores. Esse processo foi prazeroso durante todo o percurso do “U”, pois esse foi um grupo de relações saudáveis, sem conflitos entre os integrantes, e que todos compreenderam e respeitaram os conhecimentos e limitações de cada um, sabendo aproveitar o conhecimento específico e a contribuição de conhecimento e/ou habilidade que os integrantes apresentaram. Foi um belo exercício de comunicação não violenta.
Monica
Este projeto nasceu de uma inquietação, e de uma proposição feita por mim, visto que venho participando da instalação e uma plataforma de Inovação Sistêmica proposta pela SRC( Stockholm Resilience Center) Rockfeller Foundation, Bertha Center e Universidade de Cape Town para compartilhar informações e teorias desenvolvidas por estas instituições para América Latina, Africa e India.
O trabalho está em andamento, mas muitas inquietações me surgiram, na data da proposição do PR, pensei em fazer um mapeamento dos inovadores sistêmicos de São Paulo. Mas certamente não fazia idéia do tamanho do desafio, e nosso percurso de descida do U, e de conversar com aceleradoras e inovadores sociais nos trouxe mais clareza sobre necessidades, e a mim, mais questionamentos sobre como ajudar essas pessoas a terem acesso às informações.
Foi um trabalho muito interessante, e as diferentes visões foram nos levando meio que organicamente a propor mais do que um mapa, e outras alternativas. Tantas conversas ricas, dificuldades em conseguir falar com os entrevistados, nos aproximaram, e o que parecia algo em alguns momentos confuso, e que não daria tempo, subiu feito um foguete, e trouxe novas propostas e aprendizados. Para mim, foi pura riqueza este trabalho, com tanta gente competente, inteligente e pronta a colaborar. Grupo lindo. Trabalho lindo.
Evolução do Projeto
No momento da imersão, percebemos ao longo das entrevistas da pesquisa de campo, com a amostragem de aceleradoras e empreendedores, algumas necessidades comuns que poderiam ser ampliadas pela plataforma Systems Play e que endereçariam alguns dos desafios citados no item de “insights”. Percebemos que um mapa georeferenciado e um cadastro é um primeiro passo importante para dar visibilidade ao ecossistema, mas que mais soluções deveriam ser trazidas pela plataforma para algumas das questões levantadas pelos nossos entrevistados, a saber:
- Conhecer cases de quem já fez - oportunidade de a plataforma expor cases e projetos realizados em outras regiões do Brasil e mundo que possam ajudar o empreendedor a partir de inovações existentes, aprender com erros e acertos. Além dos cases descritos, poderia ser criado um ambiente virtual (open space) de troca de experiências com mentoria para evolução e aprendizado com espaço para buscar dúvidas (perguntar para quem sabe), por exemplo.
- Conectar empreendedores – espaço para dividirem seus aprendizados e experiências. Há muitas dificuldades para start ups, pequenos e médios empreendedores terem tempo, capital ou conhecimento para fazerem reuniões de benchmarking ou estarem em vários simpósios ou conferências. O networking é identificado como um dos fatores críticos de sucesso por todos os entrevistados. O mapa georefenciado ajuda a mostrar o que cada um faz, mas dentro da plataforma poderiam ser oferecidos encontros, trocas de experiências entre setores, temas, como um sistema de conferências virtuais. Assim os empreendedores teriam a oportunidade de viverem uma rede mais dinâmica, aberta e colaborativa, com o Brasil e exterior.
- Conectar incubadoras, aceleradoras e fundos (entre si e com o empreendedor) - difundir melhor os editais, as ofertas, ferramentas, com oportunidades de acesso a capital. Percebemos um grande potencial de conexão entre aceleradoras e muita sobreposição que poderia, na verdade, virar sinergia. Os investimentos são bastante escassos para quem está iniciando. Existem muitos Venture Capitals de impacto, mas em geral para quem já tem um modelo de negócio mais validado e quer escalar com mais recursos. Para chegar neste estágio o desafio de acesso a capital é enorme para qualquer empreendedor, mas para o sistêmico há ainda mais barreiras e também para o investidor o risco é grande, com um custo enorme no país. Outras plataformas de apoio ao empreendedor, como Benfeitoria e Catarse por exemplo, poderiam também estar conectadas nesta plataforma, lançando suas chamadas de crowdfunding,
- Promover acesso a conhecimento – oferecer metodologias, ferramentas, cursos, coachs e mentorings, agenda de simpósios, conferências etc, além de ofertar treinamentos em ferramentas de gestão e comunicação, maiores desafios dos inovadores sistêmicos, como com o uso de mídias sociais ou tecnologias digitais emergentes, metodologias de gestão financeira e análise de viabilidade dos negócios, modelos de governança e de mensuração de impacto etc, além de conexões com centros de expertise nacionais (sistema S, universidades, por exemplo) e internacionais,
- Acesso a serviços de gestão e suporte (com qualidade e baixo custo) – os empreendedores, em geral, não detém conhecimento para análise de viabilidade financeira ou de impacto de seu negócio. Tem também dificuldade de acesso a serviços de baixo custo para seu negócio, como contabilidade, programação visual, gestão de site, outras plataformas digitais, soluções de linguagem e comunicação dentre outros. Este ecossistema de serviços de qualidade a baixo custo poderia ser conectado pela plataforma e georeferenciado, ajudando a solucionar problemas de gestão fundamentais para os empreendedores, além de fomentar esses serviços localmente.
Além disso, por ocasião da reunião para apresentação do PR, novas recomendações para a Plataforma Systems Play no tocante ao produto final do PR foram sugeridas pela própria representante da Plataforma que ali esteve presente. São elas:
1. Incluir campos no cadastro para que o cadastrado informe, na sua visão, quais suas fortalezas e fraquezas e possíveis demandas; A plataforma fornecer informe ao cadastrado se o seu cadastro foi realizado com sucesso;
2. Incluir, no mapa, mapeamento de recursos/prestadoras de serviços que uma startup normalmente precisa (vide recomendação de número 5 acima destacada), dando início a um circuito efetivo de colaboração;
3. A partir de um processo de match com base nas informações fornecidas pelo cadastrado (setor de negócios, o que necessita para alavancá-lo, fortalezas e fraquezas), a plataforma fornecer sugestões quanto a próximos passos para o cadastrado, como, por exemplo, aqueles prestadores de serviço que ele poderia contatar de pronto; e
4. A plataforma dar avisos para os cadastrados sobre eventos, editais etc.(fazendo com que a plataforma fosse mais proativa em relação ao item 4 citado acima).