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VÄRA Daniel Matos / CAMA a.c.

SINOPSE

Vära é um objeto coreográfico que surge na urgência do encontro entre corpos. Em palco, sete corpos habitam um espaço cercado por plásticos, aludindo à exposição da carne num talho. É aqui que procuram e potenciam a tentativa de diálogo através da repetição, acumulando erros e ampliando o confronto com a realidade de cada um.

SOBRE

A voracidade do consumo de imagens, bem como a normatização e reprodução de comportamentos veiculadas pelo mesmo consumo são traços que se têm vindo a impor no século XXI. Os modos e meios de comunicação organizam-se pela lógica fechada deste consumo, afastando-nos das possibilidades de uma relação crítica e autónoma com o real. Regressar ao nível mais essencial do campo do sensível abre o caminho para outras possibilidades relacionais, que divergem do aparato que realiza o corpo como uma via e fim de consumo.

Vära convoca o corpo como este campo sensível de possibilidades. Ecoando a referências como a “Odisseia” de Homero e o “O Teatro e o seu Duplo”, de Antonin Artaud, o corpo inscreve-se enquanto lugar primitivo, como matéria base transformadora do ser e da sua construção do real. Este corpo naturalizado, subjectivo e solitário reverbera a sua potência transformadora na voz coletiva da coreografia. É no espaço comum do movimento que procuram o encontro, e que, através da repetição e da tentativa, acumulam erros e ampliam o confronto com a realidade divergente de cada um.

O corpo como carne-matéria traz ao palco os ciclos naturais e a união interespécie de fenómenos como o nascimento, a existência, transformação e deterioração dos corpos. Vära é um ponto híbrido entre dois choros: o do nascimento de um bebé humano e o da matança de um suíno, do qual não se sente piedade.

O cruzamento dos universos individuais de cada intérprete surge na coreografia através de um trabalho somático da cada uma das suas biografias, e das suas pegadas no espectro emocional, físico e psicológico.

VÄRA é um trabalho sobre a carne.

“Estou à procura de um laboratório daqueles muito brancos e frios e azuis, parecidos a um talho no momento em que se acendem as luzes da cozinha, onde possamos pendurar a pele. Um sítio onde nos beijemos e toquemos violino juntos, dentro de carcaças, descalços, a vindimar o fígado... Onde passe um techno cool a meio de uma música coral ortodoxa e muitas flores, muitas muitas flores azuis, para ser bonito e para podermos ser felizes.”

Daniel Matos

©️Bruno Simão

Equipa

Direção Artística, Coreografia e Conceito: Daniel Matos

Performers e Co.criadores: Adriana Xavier, Hugo Cabral Mendes, Sofia Kafol, Joana Pinto, Jean-loup Gayrard, Lia Vohlgemuth, Mélanie Ferreira & Marco Olival Colaboração Artística e Assistência de Ensaio: Beatriz Marques Dias Desenho de Luz: Manuel Abrantes Direção Técnica: Raúl Seguro Banda Sonora Original: João Galante aka Coolgate Espaço: Daniel Matos & Diogo Silva Fotografia: Rui Palma Fotografia de Cena: Bruno Simão Adereços Têxteis: Marina Tabuado Comunicação: Maria Tsukamoto Direção de Produção e Administração: Joana Flor Duarte Assistência de Produção: Filipa Garcez Grafismo: Sergiu Toma

Produção: CAMA a.c.

Co.Produção: Câmara Municipal de Lagos

Residências Artísticas de Co.Produção: O Espaço do Tempo, Verão Azul - Festival Internacional de Artes, CAMADA - Centro Coreográfico

Apoio: Estúdios Victor Córdon / OPART, Musibéria, Companhia Olga Roriz, Teatro Experimental de Lagos, Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, Pro.Dança, Estúdio CAB, Casa da Dança de Almada, Casa das Laranjeiras, Herdade do Freixo do Meio, Escola de Dança de Lagos

Agradecimentos: Sofia Soromenho, Francisco Pedro, Mariana Malheiro, Hugo Cabral Mendes.

VÄRA é um projeto financiado pela República Portuguesa - Cultura / DGARTES e Ministério da Cultura Portuguesa e pelo programa Garantir Cultura.

©️Bruno Simão

Daniel Matos (Portugal, 1996)

Coreógrafo, performer e artista visual.

Tem desenvolvido o seu trabalho como criador, colaborador artístico e intérprete nacional e internacionalmente, caminhando com Ana Borralho & João Galante, Angélica Liddell, Romeo Castellucci, Amélia Bentes, Luís Marrafa, André Uerba, entre outros. Desenvolve o seu trabalho desde 2016, através de práticas multidisciplinares, mas sempre com foco no corpo como campo de pesquisa biográfico , físico e emocional, questionando e redesenhando a ideia de limite.

Em 2017, juntamente com Joana Flor Duarte, funda a CAMA associação cultural - uma estrutura para o desenvolvimento das artes performativas sediada em Lagos, onde assume a direção artística e é artista residente.

CONTACTS

Direção de Produção e Difusão | Joana Flor Duarte

Email: producao.cama@gmail.com // Telefone : +351 963 579 289 // Skype: joanajozduarte

©️CAMA a.c.
©️Rui Palma