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Equipes atuam para viabilizar comemorações do Bicentenário da Independência Senado movimenta uma extensa programação para comemorar os 200 anos de um país soberano

Em 7 de setembro de 1822 a narrativa histórica predominante aponta que nosso país iniciou um novo capítulo em sua trajetória. Saímos da condição de colônia portuguesa para surgir no cenário mundial enquanto nação soberana. O Senado, instituição nascida em 1826, comemora esta data de forma especial em 2022. Pela tradição e longevidade da Casa, ela testemunhou os primeiros passos da infância desta nação chamada Brasil, acompanha o presente e tem os olhos no futuro do país.

O Senado trabalha para contar uma história que vai muito além do grito de “Independência ou Morte” de D. Pedro I

Segundo Esther Bemerguy, secretária da Comissão Curadora do Bicentenário, esta comemoração permite que seja construída uma visão inédita desse processo, revelando as inquietações presentes à época nas 19 províncias brasileiras, no período que antecedeu nossa independência de Portugal.

"Além disso, o programa da Comissão Curadora Especial 'o Senado e os 200 anos da independência do Brasil', sob a coordenação do senador Randolfe Rodrigues, busca dar visibilidade ao papel das mulheres nas lutas de nossa emancipação política, o que, para mim, é um grande estímulo como secretária da Comissão. Esse fato, ainda pouco explorado em nossa historiografia, adquire indiscutível importância se considerarmos os movimentos que as mulheres empreenderam ao longo do século XX, a partir de vanguarda própria por elas implementada para contribuírem politicamente como agentes de mudanças sociais”.

O primeiro grande evento da Comissão foi a celebração de acordo com a Biblioteca Oliveira Lima, sediada em Washigton. Essa cooperação internacional permitiu editar o primeiro livro da coleção criada especialmente para as comemorações do Bicentenário, “Vozes do Brasil: a linguagem política na Independência (1820-1824)”. Nesse livro, panfletos, na sua maioria efêmeros que sobreviveram à temporalidade programada de seus objetivos políticos, publicados no Brasil e em Lisboa, nos trazem com vivacidade o sentimento da época.

Sobre as negociações com a Biblioteca Oliveira Lima, Fabrício Cortez, da Assessoria Internacional da Dger, conta que houve um interesse imediato da instituição pela parceria com o Senado.

A biblioteca é o maior acervo de brasilianas fora do Brasil, compreendendo obras de arte, mapas, milhares de páginas de correspondência, álbuns de recortes de jornais, documentos históricos - como os panfletos da independência publicados ineditamente pelo Senado Federal - e, claro, mais de 58 mil livros”, aponta Fabrício.

A sala de livros raros da biblioteca Oliveira Lima, na Catholic University of America, em Washington

Na sequência do projeto editorial da Comissão, foi incluida uma historiografia atual sobre os eventos da independência e clássicos como “História Geral do Brasil”, de Adolfo de Varnhagen, e “A colonização portuguesa no Brasil”, de Carlos Malheiros Dias, entre outras publicações.

Por fim, o projeto Itinerários da Independência, parceria do Senado com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), consiste de uma exposição itinerante, inaugurada em junho deste ano, em Brasília, que percorrerá outras cinco cidades brasileiras, Prados (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Recife e Salvador, a bordo de um Caminhão Museu, que transporta consigo diversos recursos tecnológicos como salas de cinema, bibliotecas e experiências de realidade virtual, como ferramentas didáticas. De acordo com Esther Bermeguy, este aparato que visa despertar a atenção de crianças e jovens para a importância do processo político plural que foi resumido de forma desfocada pela história oficial no famoso Independência ou Morte de Dom Pedro I. Houve mais vozes que se somaram a esse libelo e é importante trazer seu conhecimento a dois séculos depois.

“Além do papel didático dessa exposição, destaco também o website do Senado Federal “Itinerários Virtuais da Independência”, que oferece um suporte às escolas no desenvolvimento de conteúdos sobre o tema, onde pontificam recursos como podcast, textos, ilustrações e pequenos vídeos, estimulando a imaginação e o mergulho na história com ferramentas que possibilitam a todos e todas construir competências para elaborar suas próprias interpretações sobre esse processo vital a nossa soberania”, finaliza Esther.