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A vida depois da aposentadoria pode ser cheia de descobertas e de aprendizados

Cadeira de balanço, calmaria, descanso, cuidados com os netinhos. Estas são algumas palavras que vêm à mente do imaginário popular quando falamos em aposentadoria e em envelhecimento. Porém, esta realidade tem ficado cada vez mais para trás. Alheios aos paradigmas impostos pela sociedade e cheios de energia, aposentados e aposentadas da Casa mostram que a vida merece ser bem “vivida” e aproveitada independentemente da fase que você esteja. Para compartilhar histórias inspiradoras e, quem sabe, fortalecer quem está prestes a ingressar no "time de aposentados", o boletim DGer.com trará, a partir desta edição, uma série de matérias sobre esta temática.

A primeira a dividir suas percepções com os leitores é Elizabeth dos Reis Guimarães, de 68 anos. Ela entrou para o quadro de aposentados há oito anos, depois de passar 40 anos no Senado, sendo a maior parte deste tempo como enfermeira no Serviço de Atendimento Médico do Senado, o antigo SAMS, depois no Sistema Integrado de Saúde (SIS) e em programas de educação continuada sobre aspectos de saúde pública e dependência química em todos os setores do Senado.

Aos 68 anos, "Beth" mantém uma rotina ativa mesmo após a aposentadoria (Fotos: Arquivo Pessoal)

Aposentar-se é ter tempo e voltar-se para si mesmo. Comecei a trabalhar aos 14 anos e passei 40 anos labutando. Sempre cuidei de alguém e hoje cuido de mim — contou.

Atualmente dedicada aos cuidados com a casa e ao seu jardim de orquídeas, Elizabeth leva uma vida extremamente ativa, mas conta que sente saudades da rotina no Senado: “lá era minha casa. Entrava 7h e saía às 23h por conta do horário noturno do meu setor”. A aposentada ainda é membro co-fundadora do Coral do Senado e faz parte da diretoria do grupo.

Parar? Nem pensar – Há 20 anos, Maria Elisa Stracquadanio, 71 anos, viu que era o momento de iniciar uma nova etapa de sua vida: a aposentadoria, depois de quase três décadas na ativa: “Foi um período de muito trabalho e dedicação, mas muito gratificante. Trabalhei em poucos setores não por comodismo, mas por me sentir bem e gostar do que fazia. Logo de início trabalhei na Radiodifusão, que se transformou na Rádio e TV Senado, redigindo notícias e atenta ao noticiário veiculado pela UPI, além de traduções. Em seguida nas Edições Técnicas, fui convidada a chefiar o gabinete de dois senadores e fui assistente técnico da Secretaria Legislativa e Diretora da Secretaria de Expediente, onde me aposentei”.

Assim que se aposentou, Maria Elisa foi convidada para fazer o assessoramento do governador de Alagoas na representação do estado, em Brasília. Logo depois, o convite foi para compor a Diretoria da Associação dos Servidores Aposentados e Pensionistas do Senado Federal, a Assissefe, onde foi eleita vice-presidente e permanece até hoje. Sobre a vida como aposentada, ela conta que a calmaria passa longe de ser uma constante.

— A vivência como aposentada não difere muito da vida assim dita "ativa", visto que não parei. Mas percebo que se não tivermos um objetivo, a ociosidade toma seu espaço e depois fica difícil sair do comodismo e conformismo. Observei isso durante a pandemia. O pouco tempo em que fiquei confinada - gerando bronca de filhos porque a cada momento inventava uma escapada à rua e algumas viagens (de carro) 'inadiáveis' [risos] -, vi que o risco da acomodação existe. A Secretaria de Recursos Humanos [Gestão de Pessoas] gentilmente me convidou duas vezes, no que muito me honrou, a conversar com colegas que estavam prestes a se aposentar e que faziam parte de um fantástico programa de pré-aposentadoria. E uma das sugestões que apresentei foi a de não parar totalmente — afirmou.

Maria Elisa ama viajar e aproveitar bons momentos (Fotos: Arquivo Pessoal)

Em relação à rotina na Casa, Maria Elisa confessa que sente falta dos encontros diários com os colegas, apesar de manter contato com grande parte deles na Associação e nos encontros proporcionados pela Diretoria-Geral no Programa Reencontro [leia mais abaixo] antes da pandemia de covid-19.

— O ponto positivo [da aposentadoria] é não ter hora para sair de casa nem para voltar. Apesar de que quando ainda estava na Casa, por quem sempre vesti a camisa, eu tinha hora para chegar, mas nunca para voltar para casa — afirmou.

Mudança no perfil - Nos vídeos abaixo, Ana Livia Babadopulos, do Serviço de Saúde Ocupacional e Qualidade de Vida no Trabalho, fala sobre as transformações no perfil dos aposentados e sobre o programa desenvolvido pela Casa especialmente para esse público.

Ainda para essa parcela da comunidade do Senado, a administração da Casa desenvolveu o programa Reencontro dos Aposentados, uma das iniciativas de grande êxito dos últimos anos. Suspenso desde o começo da pandemia, o projeto envolve, desde 2018, aposentados e pensionistas que se reúnem em local agradável para ter acesso, além da atividade de recadastramento anual, a diversos serviços de saúde e possibilidade de confraternizar com colegas. A ação nasceu a partir de uma preocupação da DGer com o desgaste das pessoas no deslocamento ao Senado, onde a dificuldade de estacionamento, tempo de espera e até caminhadas longas somavam aborrecimento a quem precisava fazer a chamada "prova de vida". Com o reencontro é inverso: os serviços vão até os aposentados e pensionistas.

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