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Você tem fome de quê ? educação alimentar para a promoção da saúde infantil

MISSÃO . criar condições para fazer emergir um sujeito consciente e engajado consigo mesmo, na relação com os outros e com o todo, com sensibilidade, inteligência prática e fundamentação teórica em sustentabilidade.

Como a Formação Integrada funciona na prática?

Compreendemos que aprender é uma capacidade intrínseca e constantemente presente em nossa vida. Estamos sempre, como aprendentes, nos desenvolvendo, em constante processo de produção de nós mesmos num processo que se dá de maneira integrada: pelo o que nos acontece de fora para dentro, e pelo que percebemos, sentimos e compreendemos de dentro para fora. Desta forma, buscamos combinar conteúdos e atividades que promovam:

  • Espaços para o processo pessoal de produção de sentidos de cada sujeito (autoformação), para troca e aprendizagem pelas relações do grupo (heteroformação) e para aprendizagem pelo contato com o ambiente e o conjunto de relações complexas que nele acontecem (ecoformação).
  • Condições para a vivência e a expressão do conhecimento por meio não apenas de conceitos e teorias (razão formal), mas também por meio de projetos aplicados, viagens de campo e outras experiências práticas (razão experiencial) e atividades de cunho corporal, artístico, reflexivo e contemplativo (razão sensível).

Nosso processo estrutura-se ao redor de dois eixos:

Projeto de Si Mesmo: atividades, vivências e conceitos que buscam provocar nos alunos uma percepção ampliada de si mesmos, dos outros e da realidade, ativando, expandindo e contribuindo com a apropriação do seu potencial sensível/perceptivo, reflexivo e criativo. Ao longo dos três semestres da Formação Integrada esperamos que os alunos possam:

  • Desenvolver linguagem para perceber, abordar e atuar numa realidade complexa (multirreferencial e muldimensional);
  • Integrar a dimensão subjetiva e sensível como fonte de conhecimento;
  • Incorporar o diálogo como atitude de abordagem ética;
  • Reconhecer a complexidade da realidade e identificar seus diferentes níveis e perspectivas/paradigmas.

Projeto Referência: projetos voltados a desafios reais, onde conhecimentos de gestão possam ser ampliados e aplicados sob a ótica da sustentabilidade. Os semestres I e II terão um Projeto Referência diferente, o qual será proposto e selecionado pelo próprio grupo. De maneira geral, o tema do PR deve estar relacionado à dimensão trabalhada no semestre e oferecer uma entrega prática e aplicável. Por seu caráter altamente prático e experiencial, o PR oferece uma oportunidade singular para o grupo entrar em contato direto com situações complexas, que envolvem diversas realidades, atores e variáveis, e onde não há respostas óbvias e prontas. Ao final do semestre, a entrega do projeto é apreciada por convidados externos e avaliada pelo próprio grupo e pelos professores da disciplina, conforme critérios de avaliação detalhados abaixo. Por meio do PR, esperamos que os alunos possam:

  • Ampliar sua percepção sobre a realidade e suas relações, por meio do entendimento e da busca por soluções práticas a desafios reais da sustentabilidade;
  • Conectar os conceitos e ferramentas que estão na fronteira do conhecimento em Sustentabilidade com suas práticas de gestão;
  • Integrar conhecimentos dos diferentes temas da sustentabilidade e da gestão, com visão crítica e sistêmica.
  • Atuar como agentes de mudança e transformação rumo ao desenvolvimento sustentável.

SAIBA MAIS ACESSANDO NOSSOS VÍDEOS

SOBRE ESSE RELATÓRIO

Esse relatório tem como objetivo sistematizar os conhecimentos gerados pelos Projetos Referência dos grupos que passam pela Formação Integrada para Sustentabilidade no contexto do Mestrado Profissional em Gestão para Competitividade.

  • A cada turma do Mestrado, desenvolvemos de quarto a seis projetos por semestre.
  • Cada projeto é composto por uma equipe de alunos(as) que define seu próprio desafio, identidade e processo de trabalho (stakeholders chave a serem procurados, conteúdos a serem investigados, formato da entrega final, recursos necessários etc).
  • O percurso para este processo de trabalho é baseado na Teoria U: desenvolvida por Otto Scharmer e outros pesquisadores da área de Aprendizagem e Mudança Organizacional do MIT, “a Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que obtemos em qualquer sistema social é consequência da qualidade de percepção e consciência a partir da qual operamos nestes sistemas.” (Presencing Institute) Trata-se de um framework; um método para liderar mudanças profundas; e uma maneira de ser – conectando aos aspectos mais autênticos e elevados do indivíduo.” Como processo, a Teoria U propõe três macro etapas: Observar, observar, observar ("descida do U"): investigar e compreender um sistema de dentro dele, interagir com os stakeholders chave, abrir-se à escuta, sentir; Retrair e refletir ("meio do U"): silenciar para conectar-se consigo mesmo e com sua fonte sensível de percepção e criatividade (Presencing); e Agir em um instante ("subida do U"): deixar emergir resultados inovadores colocando em prática as soluções possíveis - ainda que em forma de protótipos - e aprendendo com elas.

Criar ação de sensibilização que fomente a educação alimentar saudável para crianças de até 6 anos

Cenira Nunes, Cristiane Braune, Diego Alvarez, Luciana Rocha, Sílvia Kawassaki

Enunciado

E foi na fila do "bandeijão" da FGV que iniciamos de fato nossa jornada. Famintos, aguardando nossa vez, muitas inquietações emergiram em um grupo de pessoas que mal se conheciam, mas tinham um objetivo comum: gerar impacto positivo na alimentação infantil, promovendo hábitos saudáveis do ponto de vista nutricional e ambiental. A criança deveria ser o agente transformador e utilizaríamos um espaço público (praça, por exemplo) para uma intervenção formativa por ser democrático e reunir maior diversidade de pessoas.

Começamos pesquisando sobre a produção de alimentos, o desperdício, os hábitos alimentares das famílias brasileiras (cultura) e, principalmente , sobre o impacto dos alimentos no meio ambiente e na saúde e bem -estar da população com foco nas doenças mais comuns: sobrepeso e obesidade.

Nesta etapa não estava sendo possível nos desconectar da preocupação com o produto. Como seria? Quem participaria? Qual a dinâmica? Naquele momento, não desconfiávamos que o produto iria emergir do aprendizado e que a maior transformação ocorreria em cada um de nós ao longo do processo. O caminho seria o mais importante.

Não existia a menor indicação de que uma situação singular nos atravessaria e mudaria não só o nosso projeto , mas a forma como vivemos e nos relacionamos. A pandemia do covid-19 nos privaria de nossos sonhos iniciais , mas também traria a oportunidade de aprender como lidar com questões complexas em um ambiente de total imprevisibilidade.

Questões e inquietações iniciais

Com muita dificuldade, mas conscientes de que seria impossível cobrir tantos temas interessantes, decidimos focar somente na educação alimentar infantil para a saúde e bem-estar. Baseados nesta premissa, e com a pandemia ainda distante da realidade do Brasil, definimos nossas inquietações iniciais.

Questões e inquietações relacionadas aos hábitos alimentares e seus impactos na saúde

  • Quais hábitos alimentares contribuem para o desenvolvimento de doenças?
  • Quais doenças mais comuns em crianças que crianças em função de maus hábitos alimentares?
  • Qual a relação entre desnutrição e problemas de saúde futuros?
  • Que tipo de alimentação seria mais adequado para crianças até os 6 anos de idade?

Questões e inquietações relacionadas ao impacto de políticas públicas e renda na alimentação saudável

  • Qual a relação da má alimentação ou desnutrição com a renda familiar?
  • Qual a melhor forma de impulsionar melhorias das condições de nutrição em áreas mais vulneráveis?
  • Como o poder público atua e quais os principais desafios de programas perenes no combate a má alimentação?

Questões e inquietações relacionadas à relevância da alimentação escolar

  • Qual o papel da escola na alimentação dos alunos?
  • Qual a importância da merenda escolar na promoção de bons hábitos alimentares?
  • Quais os critérios para a preparação das refeições?
  • As políticas públicas de saúde e educação são boas referências para a preparação do alimento oferecido na escola?
  • Qual o papel das merendeiras no tipo e no preparo da alimentação?

Questões e inquietações voltadas à pandemia (como consequência da pandemia em nosso país, foi decretada a implementação do distanciamento social e o fechamento das escolas públicas e privadas de todos os segmentos)

  • Como o fechamento das escolas impacta na vida das crianças que dependem da merenda escolar?
  • O que poderá mudar na alimentação das crianças durante a pandemia?

Fontes de investigação (stakeholders envolvidos, bibliografias, dados secundários etc) e Formas de coleta de dados (kick off, entrevistas, observações)

Buscando ver além do que estava perceptível aos nossos olhos, nos dedicamos às entrevistas iniciais. Identificamos profissionais das áreas de nutrição, saúde e educação dispostos a nos guiar na jornada de conhecimento das estruturas e paradigmas relacionados à alimentação saudável infantil e sua relação com o ambiente escolar. A primeira fase das entrevistas foi realizada ainda em um momento em que a pandemia era uma ideia distante para o grupo.

Após alguns indícios de que a pandemia poderia impactar o nosso PR já na primeira fase das entrevistas, ocorreu o encontro inicial com os professores desta disciplina. A provocação que foi trazida por eles de levar o COVID19 como tema central incomodou. A primeira reação foi negar que a pandemia mudaria nosso foco original. Concordávamos que o produto não poderia acontecer em espaço público e que o acesso às famílias estaria dificultado. No entanto promover a alimentação saudável tendo a criança como agente transformador era, sem dúvida o nosso objetivo final.

Porém estávamos no início do "downloading". Era necessário descer ainda mais no U, realizar imersão em realidades muito distantes das nossas. E um pouco céticos, mas suspeitando que seria necessário suspender o julgamento inicial, iniciamos a segunda fase das entrevistas buscando aproximação com famílias e escolas mais vulneráveis à pandemia.

Na primeira quinzena de maio, lançamos uma pesquisa on-line com a intenção de sentir a realidade das famílias mais vulneráveis e seus desafios na alimentação das crianças em seus lares e na escola. O objetivo era identificar se o conceito da nutrição saudável se fazia presente nestes ambientes.

E mais uma vez a pandemia estava diante de nós, dificultando a identificação de um número de famílias vulneráveis considerado suficiente para uma análise representativa. O planejamento inicial, nesta etapa da jornada, seria estarmos presencialmente em uma escola, conhecendo as mães, as rotinas de seus filhos, as formas de preparo das refeições. O que encontramos foi uma realidade perturbadora: as próprias escolas não conseguiam entrar em contato com alguns de seus alunos. A pesquisa on-line teve baixo alcance com o público desejado, mas não deixou de trazer aprendizados.

Fontes de informação e bibliografia utilizada

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) instituído pela Organização das Nações Unidas em 2015 com a participação de 193 países é uma ambiciosa lista de metas a serem cumpridas por todos os membros até 2030, com objetivo de um mundo mais sustentável e sem deixar ninguém para trás.

Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável
Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades.

Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN) é uma associação privada, sem fins lucrativos. Trata-se de um centro de referência para a promoção da boa nutrição e prevenção, diagnóstico, tratamento, pesquisa e ensino relativos à má nutrição infanto-juvenil (subnutrição e obesidade) com foco na população em situação socioeconômica vulnerável. No CREN, a boa nutrição das pessoas atendidas é alcançada por meio de 3 Pilares: Assistência, Pesquisa e Formação e Multiplicação.

Pilares atuação CREN

Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é o programa de transferência de recursos financeiros aos estados e municípios destinados a garantir no mínimo uma refeição diária aos alunos da rede escolar instituido pela Lei Federal n. 11.947/2009.

É gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sendo considerado um dos maiores programas na área de alimentação escolar no mundo.

Em 2015 a Lei Municipal 16.140/2015 torna obrigatória a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar no Sistema Municipal de Ensino de São Paulo. Foi regulamentada pelo Decreto de Lei 56.913/2016. 

Durante a pandemia do novo coronavírus foi aprovada a Lei Federal 13.987/2020 que garante a distribuição dos alimentos da merenda escolar às famílias dos estudantes da educação básica da rede pública cujas aulas foram suspensas.

Conselho Administração Escolar (CAE) tem como função principal fiscalizar os recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que complementa os recursos dos Estados e municípios para execução do PNAE.

Currículo da Cidade
GUIA ALIMENTAR PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA

Princípios do Guia Alimentar para População Brasileira

  • Alimentação é mais que ingestão de nutrientes;
  • Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo;
  • Alimentação adequada e saudável deriva de sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável;
  • Diferentes saberes geram o conhecimento para a formulação de guias alimentares;
  • Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares;
Iceberg construído durante as aulas

Principais Aprendizados e Insights

Iniciamos o processo pensando em falar os impactos da alimentação na saúde e foi uma surpresa saber que a desnutrição não se refere unicamente a subnutrição mas também a obesidade.

COMIDA É AFETO !

Boas surpresas: A alimentação das escolas, em especial da rede municipal, é bem avaliada pelas crianças e famílias. O programa, incluindo a legislação, também foi bem avaliado pelos especialistas e gestores consultados. Imagine a falta que está fazendo....

No entanto, como apontam a Ana Elisa e a Talita, muitos pais não valorizam , pois acham melhor enviar biscoitos recheados...

Todos do grupo se emocionaram muito com a dedicação pessoal dos profissionais da saúde e da educação com cada aluno, cada família, ações que vão muito além de suas atribuições como :

  • arrecadar fundos para doar cestas básicas para as famílias;
  • telefonar a cada família de aluno de sua escola para levantar dados de saúde e bem estar e manter o vinculo;
  • oferecer cestas básicas como forma de contatar e trazer as famílias das crianças mal nutridas e gestantes para acompanhamento.

Enfim, verdadeiros heróis!

Descobrimos que seria impossível seguir sem considerar os efeitos da pandemia na vida de todos. O que nos atravessa... Era o tema de todas as conversas, a pandemia, seus impactos e os desafios de cada família para equilibrar a falta de renda, o trabalho, a rotina da alimentação das crianças e da família, as atividades escolares das crianças em casa, a ansiedade...

Entendemos que a alimentação saudável é a alimentação que pode ser seguida com o que está disponível...

Foram tantas as questões que se apresentaram que gostaríamos de realizar um projeto para cada uma , ou um mega projeto que pudesse auxiliar a todos. Sabendo desta impossibilidade, concordamos em buscar um projeto possível.

Presencing: retrair e refletir

Em algum momento na descida do U, com todas as observações e insights na nossa frente, incentivados pelas atividades da micro imersão, do iceberg e da análise do projeto e impactados pelas sínteses estéticas alcançamos a base do nosso U.

Sentimentos, sensações e insights individuais (depoimentos de cada membro do grupo narrando sua percepção nesta etapa do percurso)

Depoimento Cristiane
Depoimentos Silvia
Depoimento Diego
Depoimento Luciana
Depoimento Cenira
Atividade desenvolvida durante as aulas

Desenvolvimento do produto final: agir em um instante

Processos de prototipagem

E, com a certeza de que esse mergulho nos propiciou conhecermos melhor um ao outro e a nós mesmos, foi possível a conexão com o que realmente importa e o produto estava pronto para emergir e tornou-se necessário tomar decisões assertivas.

Depois de diversas entrevistas e conversas, resolvemos concentrar nossos esforços na EMEI Francisco Manoel da Silva, no Jardim Campo Grande SP. Fomos muito sinceros e perguntamos à diretora como poderíamos ajudar neste momento, quais eram as maiores urgências desta escola. Juntamos, então, as necessidades da instituição e a viabilidade de implementar um projeto no tempo que tínhamos disponível.

E deixamos ir a ideia de mudar o mundo da alimentação escolar e criar um modelo em que as crianças não seriam desnutridas e comeriam menos carne, em que as famílias incluiriam mais vegetais, orgânicos e frutas em suas refeições e todos seriam felizes para sempre...

E deixamos vir que nós, membros do grupo, não sabíamos o que é fome. Entendemos o significado de não ser possível garantir uma refeição para um filho que depende da alimentação escolar e depende da doação de cesta básica para sobreviver. Poder ter um alimento, saudável ou não, pode ser a única opção possível.

Na conversa com a Márcia, diretora da escola municipal EMEI ( crianças de 4 a 6 anos) , ela comentou que algumas crianças da escola receberiam cestas básicas ( 45 de um total de 240) do governo municipal, por estarem no cadastro único do bolsa família e que o Ministério público estava tentando judicialmente estender o benefício para todos os alunos.

Nos expôs que iriam providenciar "kits pedagógicos" com materiais escolares básicos para que as crianças pudessem fazer atividades em casa durante período de fechamento da escola.

Produto Final

E assim nasceu o nosso produto que tem como principal intuito ajudar a reconectar as famílias e os alunos com a rotina de alimentação saudável que era disponível na alimentação escolar, antes das restrições impostas pela pandemia. Seria importante lembrar as famílias que as crianças não estejam na escola neste momento, o aprendizado sobre uma refeição balanceada não se perde.

O produto também é uma alternativa de atividade para as crianças durante a quarentena que não envolve celular, tablet, computador ou TV.  Com as crianças isoladas em casa e seus pais ocupados trabalhando, a tendência é que o tempo à frente das “telas” aumente muito. Atividades “analógicas” devem ser incentivadas sempre que possível.

1. Encarte com dicas de alimentação

Este encarte foi preparado com muito carinho e recomendações relacionadas a alimentação saudável. Uma importante fonte de referência e inspiração para o grupo foi o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que recebeu diversos prêmios internacionais. O produto reconecta as famílias com a escola através de uma receita saudável, de dicas de como preparar o alimento disponível e no cuidado na limpeza dos alimentos tão necessária nestes tempos de pandemia.

Folha 1
Folha 2

2. Quebra-cabeça

E para as crianças um carinho especial! Enviamos aprendizado em forma de brincadeira, esperando que de alguma forma eles resgatem um pouco do vínculo adormecido com o fechamento da escola e, principalmente, se sintam especiais. Além do divertimento, que afasta as crianças da frente das "telas", contém informações importantes das frutas, legumes e verduras da época.

Quebra-cabeça com imã de geladeira

3. Kit pedagógico

Segundo a diretora da EMEI, Márcia Simões, somente as famílias registradas no Cadastro Único do Bolsa Família receberiam as cestas básicas do governo municipal (45 de um total de 240). O Ministério Público buscava judicialmente que todos os alunos da escola pudessem ter acesso a este auxílio. A ideia original da diretora era enviar o nosso produto com as cestas básicas, o que não iria abranger todas as crianças.

A equipe pedagógica da escola já havia iniciado uma série de atelies, com atividades para se fazer em casa, mas não tinham certeza de que todas as crianças tinham materiais disponíveis. Durante uma das conversas que tivemos com a diretora, soubemos que as professoras gostariam de enviar um "Kit Pedagógico" para cada aluno com materiais básicos, porém não disponham de itens suficientes.

O nosso grupo teve a ideia então, de realizar uma vaquinha virtual para arrecadar recursos para a compra do material indicados para a faixa etária das crianças, que é de 4 a 6 anos. Esta seria uma intervenção com impacto real, positivo e muito bem-vindo naquele momento.

Cada aluno matriculado na escola receberá um kit com uma caixa com 12 gizes de cera, um tubo de cola líquida branca e uma caixa com doze massinhas de modelar coloridas para serem utilizados pelas crianças em casa enquanto as escolas estão fechadas por conta da pandemia do COVID-19. Também receberão duas folhas com desenhos com o tema da alimentação saudável para colorir.

Avaliação do produto pelos stakeholders

O produto é um recado de acolhimento destes heróis que trabalham nas escolas e que desejavam transmitir um recado as famílias, mas que absortos em tantas outras atividades pelo turbilhão da pandemia, não conseguiam encontrar a forma de expressar um conteúdo relevante, seu amor e sua preocupação. Com esse simples gesto lembraremos da importância de manterem a alimentação saudável e as 240 crianças poderão sentir-se mais próximas de seus educadores e realizar atividades divertidas e educativas.

Os stakeholders escolhidos para a apresentação do nosso produto foram: professora da escola (Silvana), mãe de uma das alunas (Fábia Pereira) e voluntária do CAE (Talita Marciano). Todos gostaram muito do produto e os "feedbacks" foram muito emocionantes e tocantes. A professora da escola nos contou que estavam planejando enviar uma cartinha para cada aluno e que não tínhamos ideia de como seria importante para as famílias receberem esse carinho. Fomos ainda surpresos com a notícia de que pediriam para cada família gravarem as crianças recebendo o presente e nos enviariam como forma de agradecimento.

Depoimentos durante a apresentação de para os "stackholders".

O nosso produto teria inclusive inspirado os professores a enviarem uma carta para cada aluno acompanhando os materiais.

Frase da Professora Silvana " Vocês trouxeram Amor em forma de material".

E nada melhor do que demonstrar através das crianças, a quem desde o início deste projeto desejávamos sensibilizar, o quanto se sentiram felizes, especiais e envolvidos com o nosso produto:" Amor em forma de material".

Verônica, filha da Fábia e irmã da Elisabeth. Ex-aluna do EMEI.
Elisabeth, filha da Fábia e irmã da Verônica. Aluna do EMEI.

Bibliografia

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. AGENDA 2030 da ONU. Acessado em 23/06/2020: https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

STOCKHOLM RESILIENT CENTRE. Contributions to agenda 2030. Acessado em 23/06/2020: https://www.stockholmresilience.org/images/18.36c25848153d54bdba33ec9b/1465905797608/sdgs-food-azote.jpg

CEBDS CONSELHO EMPRESARIAL BRASILEIRO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. The Good Life Goals by Futerra Sustainability Communications Ltd and 10-Year Framework of Programmes on Sustainable Lifestyles and Education Programme is licenced under CC BY-ND 4.0. Acessado em 26/06/2020: https://biblioteca.cebds.org/objetivos-para-a-vida-que-queremos-obrigado

CENTER FOR ECOLITERACY. Acessado em 26/06/2020: https://www.ecoliteracy.org/

FNDE FUNDO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. PNAE PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR. Acessado em 26/06/2020: http://www.fnde.gov.br/programas/pnae

CAE CONSELHO DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR. FNDE. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. https://www.fnde.gov.br/programas/pnae/controle-social-cae/sobre-cae

SECRETARIA MUNICIPAL DE SÃO PAULO. https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/educacao-infantil/

SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO. DE SÃO PAULO. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da cidade: Educação Infantil. – São Paulo: SME / COPED, 2019. http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Main/Page/PortalSMESP/PublicacoesInstitucionaisDIEI

CREN Centro de Recuperação e Educação Nutricional. ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL SEM FUNS LUCRATIVOS ONG São Paulo. http://www.cren.org.br/

MINISTERIAO DA SAÚDE. GUIA ALIMENTAR DA POPULAÇÃO BRASILEIRA. 2014. http://saude.gov.br/artigos/782-alimentacao-e-nutricao/40408-guia-alimentar-para-a-populacao-brasileira

FBSSAN FÓRUM BRASILEIRO DE SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL.Segundo eixo da campanha: Comida é memória, afeto e identidade. 2015. https://fbssan.org.br/2015/06/comida-a-mema%C2%B3ria-afeto-e-identidade/

Credits:

Criado com uma imagem de Brian McGowan - "N95 Surgical Mask"