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Thíasos

Em Novembro de 1991, um grupo de estudantes de estudos clássicos da FLUC juntou-se na Sé Velha de Coimbra para encenar uma peça comemorativa dos 700 anos do edifício - "Sé Velha-Pedras Vivas", um original de Delfim Leão. Esta foi a primeira encenação do grupo que, mais tarde, viria a ser o Thíasos.

Thíasos: palavra grega que designava o cortejo dos adoradores de Diónisos, Deus do vinho e do teatro. Numa determinada época do ano, o deus era convidado a entrar na cidade e era-lhe prestado culto durante 5 dias, as chamadas "Grandes Dionisíacas". As manifestações teatrais surgem durante esse tempo, da necessidade de integrar a espontaneidade do culto ao ritmo da Polís. Durante os dias do festival eram celebrados concursos de teatro: ditirambo, comédia e tragédia
Não sabemos se veneram Diónisos. Mas têm uma paixão em comum: a tragédia. Thíasos, outrora designação para o cortejo de adoração ao Deus do vinho, hoje, um grupo de teatro clássico. Desde a primeira representação nas escadas da Sé Velha, às mais recentes no auditório Paulo Quintela, muitas histórias tem o grupo para contar...

Em 1992, o grupo apresentou a encenação do professor Carlos Louro Fonseca, "O Soldado Fanfarrão" (de Plauto). Hoje, essa mesma adaptação é encenada por cerca de 13 estudantes e docentes da faculdade que dedicaram algum do seu tempo livre ao teatro clássico. Diogo e Eduardo fazem parte desse grupo.

Durante um dos ensaios da peça tivemos o prazer de conhecer estes dois alunos que nos contaram a história de como entraram no Thíasos, as dificuldades sentidas e a maneira como enquadram o teatro no seu futuro.

Diogo Duarte estuda Estudos Clássicos e está no primeiro ano de faculdade. Foi "coagido a voluntariar-se" no Thíasos pelo seu professor de latim, José Luis Brandão. Agora interpreta os papéis de Plêusicles e de Artotrogo e apesar de não ser a sua primeira experiência no teatro, sente dificuldade acrescida por se tratar de uma peça da Roma Antiga.

Diogo Duarte

Tal como o Diogo, Eduardo Miguel foi motivado pelo professor a participar na peça quando assistia a um ensaio com o seu colega de curso Rafael (Soldado Fanfarrão na peça). Hoje, Eduardo carrega também duas personagens. Aluno no 2º ano em História da Arte, confessa ver o teatro no seu futuro e encara o Thíasos como uma boa ferramenta para chegar mais longe na área.

Eduardo Miguel
Diogo e Eduardo relembram o dia em que entraram para o grupo de teatro
João Cabral - ator na peça "O Soldado Fanfarrão"

Juntos, Diogo e Eduardo vão encenar a comédia "O Soldado Fanfarrão", até 2020. Depois disso, enfrentarão o desafio de levar a palco uma tragédia. Como é habitual, cada peça principal está em cena durante dois anos, alternando entre diferentes comédias e tragédias, sempre dentro do tema Clássico.

O Thíasos deixou de ser apenas um grupo de teatro para estes dois estudantes. Os benefícios desta formação marcaram as suas vidas académicas, os laços criados dentro e fora de palco e o contacto com uma época tão diferente... Ouça as reflexões dos alunos sobre os últimos meses em palco.

Hoje, o Thíasos carrega um papel de associação cultural, que se dedica tanto ao teatro clássico como a dar a conhecer a um público alargado as lições que este carrega, que são tão clássicas quanto atuais.

A presença nas últimas edições do FESTEA (Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico) levou o Thíasos mais longe: tanto a nível nacional como internacional, várias peças clássicas desde Eurípides a Aristófanes foram encenadas pelo grupo. Um dos fatores que marca a autenticidade deste Festival e, em particular, do Thíasos, é a utilização de espaços com interesse histórico e arquitetónico para complementar a encenação - maior parte das encenações são feitas ao ar livre, em espaços como Conímbriga e o Museu Machado de Castro. Na presidência e organização do FESTEA encontramos José Luis Brandão, que nesta tarde guiava os alunos em palco.

Aceda ao facebook do FESTEA aqui.

José Luis Brandão é professor doutor na FLUC e às terças e quintas tira duas horas do seu tempo para encenar "O Soldado Fanfarrão" com os seus alunos. Com a falta de alunos para preencher personagens, o professor assume também o papel de ator quando necessário.

Antigo aluno da faculdade onde ensina, participou em 1991 na peça de Delfim Leão, seu colega de curso.. Esta foi a primeira vez que alunos de Estudos Clássicos se juntaram para encenar uma peça.

O nome "Thíasos" foi apenas apresentado pela primeira vez em 1998, com o Epídico, de Plauto. 22 anos passaram e José Luis Brandão senta-se mais uma vez nas cadeiras deste teatro. Durante a entrevista, os alunos ensaiam o Soldado Fanfarrão e o professor dá-nos um balanço dos anos que passou no Thíasos.

Veja também a lista de produções teatrais feitas pelo Thíasos desde 1992, bem como as participações no FESTEA aqui.

José Luis Brandão

No áudio seguinte, José Luis Brandão explica melhor a associação entre o grupo Thíasos e o centro de investigação teatral.

Apesar da gratificação de ver crescer este grupo de teatro, a mudança dos tempos trouxe dificuldades acrescidas aos encenadores que por aqui passam. Desde problemas com a dicção, à falta de tempo dos estudantes, José Luís Brandão aponta alguns entraves ao pleno funcionamento do Thíasos.

Apesar da adesão não ser a melhor da falta de pessoal para interpretar personagens, este pequeno grupo funciona. E muito se deve ao fator humano do teatro: o palco é um espaço de confiança e cumplicidade, onde as as paredes da faculdade são esquecidas.

Pode assistir a alguns dos trabalhos do Thíasos em Apple Podcasts, ou clique aqui.

Created By
Francisca Machado
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