Imagine uma situação fictícia: em um happy hour, na companhia dos colegas de trabalho de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, um deles revela que ouviu o relator dizer que pretende convocar uma determinada testemunha ou investigado. Sem perceber, acabam falando um pouco mais alto e na mesa ao lado encontra-se um repórter, ou um amigo de um jornalista, que acaba divulgando a informação no noticiário e prejudicando tanto a atividade do parlamentar, quanto o trabalho da investigação. Isto não ocorreu, é ficção, mas é uma situação que mostra a importância do sigilo de dados e da segurança da informação.
E foi pensando em garantir a proteção informacional e física de tudo e de todos, que integram a comunidade chamada Senado Federal, que o Serviço de Inteligência Policial (Seinte), da Secretaria de Polícia Legislativa, decidiu ministrar palestras de Sensibilização em Segurança Orgânica para todos os setores da Casa. Para participar, as áreas devem manifestar interesse pelo telefone 3303- 4699 ou seinte@senado.leg.br, conforme explica o chefe da unidade, Gabriel Dias.
— A ideia surgiu há alguns anos com a identificação do aumento de fraudes financeiras envolvendo servidores do Senado Federal. Então, percebemos a possibilidade de implementar mecanismos de educação sobre o tema com o objetivo de incrementar a segurança tanto de informações sensíveis da Casa quanto a proteção de informações pessoais do corpo funcional – relata o chefe do Seinte.
Gabriel explica que, além dos valiosos ativos físicos que estão presentes no interior dos edifícios do Parlamento (tais como equipamentos informáticos sofisticados e caixas eletrônicos de diferentes agências bancárias), deve haver um cuidado especial com o tratamento de informações sensíveis, já que a Casa Legislativa reúne decisões e deliberações estratégicas que podem afetar interesses de agentes diversos.
— Nesse sentido, algumas informações podem ser alvo de vazamento ou chegarem ao conhecimento de agentes não autorizados devido a fatores diversos, como a não utilização de critérios seguros para a contratação de colaboradores ou até mesmo descuidos comuns como compartilhamento de senhas, exposição de assuntos sensíveis em redes sociais, tratamento de assuntos sigilosos em ambientes inadequados, dentre outras falhas geradas pela ausência de uma mentalidade de segurança — destacou.
Por estes motivos, afirma o gestor, torna-se imprescindível e urgente fortalecer, no âmbito do Senado Federal, a cultura de proteção do conhecimento sensível, visando ao estabelecimento de procedimentos de segurança de simples execução, mas com alta efetividade na salvaguarda deste tipo de conhecimento: “Nosso intuito é auxiliar na disseminação dessa cultura como forma de evitar ou minimizar prejuízos ao Parlamento advindos de eventual acesso não autorizado a dados, informações ou conhecimentos sensíveis”.
Abaixo Gabriel Dias e o colega Diego Fontes dão alguns outros detalhes sobre a iniciativa:
Gabriel complementa que a expectativa é de treinar 10 áreas do Senado Federal até o fim deste ano.
Experiência aprovada – Jorge Porcaro, da Coordenação de Ensino Superior, assistiu à palestra na companhia de sua equipe e definiu a experiência como enriquecedora: “Serviu como um alerta para cuidarmos com mais atenção das nossas informações pessoais e principalmente do setor em que trabalhamos no Senado. Nos orientaram a ter atenção com as fotos que podemos vir a tirar a postar em nossas redes sociais, o fundo dessas fotos pode revelar informações sensíveis. Importante também estarmos atentos a possíveis golpes e manipulações usados para obter informações do setor”.
Leandro Cunha Bueno, coordenador de Comissões Especiais, Temporárias e Parlamentares, também aprovou o conteúdo da palestra. Segundo ele, seu setor já conta com alguns procedimentos de segurança ligados ao recebimento e tratamento de informação sigilosa, mas sempre há o que precise ser aperfeiçoado.
— Houve reforço sobre a cautela quanto à manipulação de documentos sigilosos e, em especial, sobre a possibilidade de materiais sensíveis serem fotografados por câmeras de altíssima resolução, violando-se o sigilo (a esse respeito, houve exemplo de episódio com o chefe da inteligência britânica que, em um descuido, deixou de colocar um documento em uma pasta). Houve alerta quanto à utilização de engenharia social para violar segurança e sigilo de documentos — afirmou.
Credits:
Criado com uma imagem de standret - "The young dangerous hacker breaks down government services by downloading sensitive data and activating viruses. A man uses a laptop computer with many monitors"