Reconhecer a alteridade Benefícios do trabalho nos grupos sociais
Aula 02
Performance na relação entre o indivíduo e o grupo
Objetivo de aprendizagem:
Descrever as condições em que a presença dos outros é provável que resulte em facilitação social, inibição social e loafing social.
POR DENTRO DO TEMA
Assim como nossos ancestrais primitivos viveram juntos em pequenos grupos sociais, incluindo famílias, tribos e clãs, as pessoas ainda hoje gastam uma grande quantidade de tempo em grupos. Estudamos juntos em grupos de estudo, trabalhamos juntos em linhas de produção e decidimos o destino dos outros em tribunais. Nós trabalhamos em grupos, porque grupos podem ser benéficos. A banda de rock que está escrevendo uma nova música ou uma equipe cirúrgica no meio de uma operação complexa pode coordenar seus esforços tão bem que, é claro que o mesmo resultado não poderia ter ocorrido se os indivíduos trabalhassem sozinhos. Mas o desempenho do grupo só será melhor do que o desempenho individual na medida em que os membros do grupo estejam motivados para cumprir efetivamente os objetivos do grupo, compartilhar informações e eficientemente coordenar seus esforços.
Mas, por que estas coisas nem sempre acontecem? Por que muitas vezes o desempenho do grupo não é tão bom como seria de esperar? Muitas vezes dado o número de indivíduos no grupo, o resultado pode até, em alguns casos, ser inferior ao que poderia ter sido feito por um ou mais membros o grupo de trabalho sozinho. Como explicar essa ocorrência?
Em um estudo psicossocial, Norman Triplett [1] descobriu que competidores de bikecross que estavam competindo com outros ciclistas na mesma pista montaram significativamente mais rápido do que ciclistas que estavam correndo sozinhos, contra o relógio. Isto levou Triplett a formulação de uma hipótese de as pessoas realizam melhor suas tarefas quando há outras pessoas que auxiliam esse desenvolvimento. Isso parece óbvio, mas o que você pensa a respeito?
Bem, as pesquisas de Triplett mostraram que a presença de outros pode aumentar o desempenho em muitos tipos de tarefas, incluindo corrida, tiro associação, levantar pesos, e resolução de problemas.
A tendência para executar tarefas de melhor ou mais rapidamente na presença de outros é conhecido como facilitação social.
No entanto, embora as pessoas às vezes têm melhor desempenho quando estão em grupos que eles fazem por si só, a situação não é tão simples. Talvez você se lembre de uma experiência de quando você executou uma tarefa (tocar piano, tiro de basquete lances livres, dando uma apresentação pública) muito bem sozinho, mas mal com, ou em frente, outros. Assim, parece que a conclusão de que estar com os outros aumenta o desempenho não pode ser inteiramente verdade.
Essa tendência para executar pior as tarefas ou de forma mais lenta na presença de outros é conhecido como inibição social.
Robert Zajonc explicou a influência dos outros observada no desempenho de tarefas usando o conceito de excitação fisiológica. De acordo com Zajonc, quando estamos com outros experimentamos mais excitação do que quando estamos trabalhando sozinhos. Essa excitação aumenta a probabilidade de que vamos realizar a resposta dominante à ação que estamos mais propensos a emitir em qualquer situação.
O aspecto mais importante da teoria de Zajonc é que a experiência de excitação e o aumento resultante na ocorrência da resposta dominante pode ser utilizado para prever se a presença de outros produz facilitação social ou inibição social. Zajonc argumentou que quando a tarefa a ser executada era relativamente fácil, ou se o indivíduo tinha aprendido a executar a tarefa muito bem (uma tarefa, como pedalar uma bicicleta), a resposta dominante era provavelmente a correta e o aumento da excitação causada pela presença de outros criaria facilitação social. Por outro lado, quando a tarefa era difícil ou não bem aprendida (uma tarefa, tal como dando um discurso em frente dos outros) a resposta dominante era provavelmente incorreta, e assim, porque o aumento da excitação aumenta a ocorrência da resposta dominante (incorreta), o desempenho é prejudicado.
O quanto a presença do outro influencia sua atitude no cotidiano?
A capacidade para um bom desempenho do grupo é determinada pelas características dos membros do grupo (por exemplo, eles são experientes e qualificados?). Quando o resultado de desempenho do grupo é melhor do que seria de esperar tendo em conta os indivíduos que formam o grupo, nós chamamos o resultado um ganho de processo de grupo, e quando o resultado do grupo é pior do que teríamos esperado dadas as pessoas que formam o grupo, chamar o resultado de uma perda de processo de grupo.
O vídeo que assistimos revela perda no processo de grupo?
Não necessariamente, pois para avaliarmos a perda no processo precisamos compreender bem os tipos de tarefa desempenhadas e os resultados esperados.
A classificação de tarefas foi proposta por Aronson, Wilson e Akert e compreende três tipos de tarefas unitárias: aditiva, conjuntiva e disjuntiva.
Aditiva: aquela em que todos os membros do grupo realizam basicamente o mesmo trabalho e o produto final é a soma de todas essas contribuições, como quando três pessoas fazem força para tirar o carro da vala. Se ocorrer, entretanto, indolência social, o desempenho do grupo pode não ser melhor do que o de um indivíduo que trabalha sozinho.
Conjuntiva: o desempenho do grupo é definido pelas habilidades do membro menos capaz do grupo ou pelo elo mais fraco da corrente Por exemplo, uma equipe de alpinistas só pode escalar à velocidade do seu membro mais lento.
Disjuntiva: o desempenho total do grupo é definido pela maneira como trabalha o melhor membro. Esse indivíduo pode elevar para o seu próprio nível o nível de desempenho dos demais indivíduos que estão na média ou abaixo da média. Acredita-se que os grupos conseguem melhor resultado se trabalham em uma tarefa disjuntiva e confiam na pessoa que tem mais conhecimentos. Mas há fatores que podem fazer com que o trabalho de grupos seja inferior ao de indivíduos em tarefas disjuntivas entre eles a perda de processo e a falha na transmissão de informações exclusivas.
A perda no processo de grupo revela os fatores que podem fazer com que o trabalho de grupos seja inferior ao de indivíduos em tarefas disjuntivas, por exemplo, o grupo não se esforça o suficiente para descobrir quem é o membro mais competente, porque o mais competente tem baixo status ou porque o mais competente não aceita pressões normativas ou, ainda, por falha de comunicação em que ninguém escuta o colega e deixa-se que um domine a discussão enquanto os outros desligam a atenção.
Sintetizando o tema
A presença de outras pessoas produz:
1º aumento do nível de ativação ou de motivação do organismo (reação inata/com base biológica)
2º o aumento do grau de ativação aumenta a probabilidade de se manifestarem respostas dominantes (comportamentos com fortes probabilidades de serem adotados numa determinada situação pelo indivíduo: comportamentos simples, bem aprendidos e muito praticados)
3º estas repostas dominantes podem ser boas ou más
4º se a resposta dominante for boa a presença de outrem aumenta a resposta dominante logo o efeito é positivo (o rendimento melhora com a presença de outrem)
5º se a resposta dominante for negativa, o efeito de outrem é negativo (porque aumenta sempre a resposta dominante)
O QUE VEM POR AÍ?
Na próxima aula compreenderemos o conceito e os efeitos do Groupthink. Vamos conferir?
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