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Mercados, feiras e seus sabores Revista Comida com História

Olá!

Seja bem-vindo à revista digital Comida com História, um universo de pessoas, tradições e boas histórias em torno da mesa.

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Através do programa Inovatur, com apoio da Setur (antiga Santur) e da Fapesc, 6 edições levarão você a diversos cantos de Santa Catarina através de pequenos produtores de comida artesanal e profissionais que fazem do turismo gastronômico uma experiência inesquecível.

Nesta 4ª edição, você vai viajar através das histórias deliciosas de persongens que dão vida a alguns mercados públicos e feiras livres de santa catarina.

Boa viagem e bom apetite!

Então vamos botar a mesa?
Veja o cardápio dessa edição:
Mercado público de florianópolis

As mudanças de um dos pontos turísticos da cidade são contadas através de uma história que já atravessa gerações.

Feira da Agricultura Familiar de Içara

Conheça a “mulher faladeira” e o “velhinho de suspensório” que, juntos, alegram a feira com bom humor e pastéis deliciosos!

Mercado público de curitibanos

O que começou como apenas um sonho virou uma história linda de superação que inspira quem passa hoje pelo Mercado.

Mercado público de itajaí

Conheça a família que, através de uma história de amor, luto e superação, transformou o mercado num pedacinho da própria casa.

Boa leitura!

Mercado Público de Florianópolis

Uma amostra do Brasil em Floripa

Foi quando um jovem soube de algo que mudou sua vida.

Nessa época, Inácio Silvino da Silva ouviu a notícia que a prefeitura estava vendendo espaços no Mercado Público de Florianópolis.

Naquele tempo o Mercado ainda estava longe de se tornar o ponto turístico e boêmio que é hoje.
Inaugurado em 1899, durante quase todo o século 20 o local funcionou como um mercadão de carnes e hortifruti.

Era um importante centro de abastecimento da população local.

Inácio achou uma boa ideia investir ali, plantando sementes que nem ele sabia que se perpetuariam por tanto tempo.

Assim nasceu o famoso Açougue da Família nas bancas 4 e 5, conhecidíssimo dos frequentadores do mercado até meados dos anos 2000.

O vaivém de gente e de histórias entrelaçadas ao Mercado Público formou parte das memórias de infância dos filhos de Inácio e da esposa.
UM DELES, NELSON, GOSTAVA DE AJUDAR NO ATENDIMENTO DESDE MUITO JOVEM, APRENDENDO A REPRODUZIR UMA DAS MARCAS REGISTRADAS DO PAI: A SIMPATIA!
"APRENDI COM MEU PAI O RESPEITO AO CLIENTE. ESSE ATENDIMENTO É PRIMORDIAL, ALÉM DA ORGANIZAÇÃO DA LOJA. TEM QUE ESTAR SEMPRE BEM BONITA PRO CLIENTE GOSTAR, NÉ?"

Nelson Luiz da Silva, comerciante.

Mas COM A CHEGADA DO SÉCULO 21, UMA TRANSFORMAÇÃO URBANA COMEÇOU A IMPACTAR OS PEQUENOS COMERCIANTES.

ENTRE ELES, A FAMÍLIA DONA DO AÇOUGUE.

As grandes redes de supermercados chegavam à cidade com a promessa de preços mais baixos, obrigando os pequenos negócios a se reinventar. Inácio e a esposa já tinham seis filhos, alguns trabalhando com ele no Mercado.

Decidiram ousar: o açougue virou um empório de variedades, com uma enorme oferta de produtos brasileiros.
O Empório Mania da Ilha é uma mescla de dendê, farinhas do norte, doces finos e erva-mate do sul .

uma verdadeira amostra do Brasil.

Em 2013, quando o Mercado foi revitalizado e uma nova licitação foi aberta para ocupar os boxes, a família seguiu firme e forte fazendo parte da história.
O Empório segue por ali, agora na banca 3, com um amor redobrado para receber o novo público.

"Hoje o mercado é um misto de tudo: restaurantes, peixarias, empórios, bares. Eu gosto da confusão de todo tipo de gente, aqui vem pobre, rico, não tem diferença. É uma energia muito boa", diz Nelson, que hoje conta com a ajuda do filho que deve seguir o legado do avô Inácio.

"O progresso é obrigado a acontecer, as coisas vão mudando, se desenvolvendo.”

“O mais importante é que o mercado tá aqui firme, fazendo parte dessa nova história", diz Nelson, com orgulho do atual momento do Mercado.
Um lugar democrático, onde artistas, políticos, boêmios e famílias se encontram num só lugar…
E com o mesmo propósito: comprar peixes e produtos típicos, respirar cultura, saboreando delícias locais como o pastel de berbigão, brindando com um chopp bem geladinho.

O Mercado Público de Florianópolis abre todos os dias. De segunda a sexta, das 7h às 22h. E aos finais de semana das 7h às 17h.

Feira da Agricultura Familiar de Içara

Alegria garantida ou seu dinheiro de volta

Fotos: Willian Mariot

Eles são crocantes…
Quentinhos…
E fritos na hora!

Assim dão um sabor especial às feiras brasileiras!

Um dos alimentos mais famosos das feiras, o pastel é um pouquinho do aconchego familiar no momento das compras.
E na Feira da Agricultura Familiar de Içara, em Santa Catarina, não é diferente.
Só que aqui o pastel vem acompanhado de muita falação e do bom humor de Dona Angélica.

Junto com o marido Mingo, formam o casal da “mulher faladeira” e do “velhinho de suspensório”, como eles mesmos se denominam em tom divertido.

“Eu grito muito. Chamo as pessoas pra virem comprar pastel e ajudar os velhinhos”, conta ela, rindo.
Maria Angélica Morotescoski da Silva, desde 2014 anima a feira, que acontece ao lado da rodoviária da cidade.

Composta por nove boxes de diversos produtos da agricultura familiar.

Entre eles carnes, hortaliças, queijos, panificados e méis, a feira é a alegria de Dona Angélica e Mingo, como é chamado desde criança Domingos Gonçalves da Silva.

“É uma satisfação muito grande vender produtos que a gente faz”.

Dona Angélica, com 62 anos, e Mingo, com 64, até cansam de tanto trabalho pra produzir tudo o que vendem, mas o contato com os clientes compensa, e eles continuam firmes semanalmente fazendo a alegria de quem passa pela feira.

A produção dos Produtos Nhack, marca que eles carregam desde os tempos que vendiam morangos, é toda feita no sítio deles, a apenas quatro quilômetros do centro de Içara.

Em uma unidade que foi construída com a ajuda da Vigilância Sanitária pra garantir a sanidade dos produtos.

“Começamos com chimia de frutas. Eu queria fazer algo bem natural, caseiro.

E ele fazia a paçoca de pilão”, relata Dona Angélica.

Com novas demandas de quem passava pela feira, foram introduzindo pães sem lactose e sem farinha, biscoitos, e salgadinhos…

Até que chegaram ao pastel, hoje carro-chefe deles.

“É um pastelão!”
“São 250 gramas de recheio. Às vezes às nove da manhã não tem mais”, fala, orgulhosa, Dona Angélica.
Ela diz que muitas pessoas vão tomar café da manhã na feira e que o pastel é o salgado mais pedido.

Como gosta de criar receitas novas, inova nos recheios. Além dos tradicionais frango e requeijão e carne e ovo, vendem pastel de pinhão, milho e queijo, siri e até pastel de arroz negro.

A alegria do casal é contagiante, e o carinho que eles têm por tudo o que produzem é saboreado em cada um dos mais de 20 produtos que levam para vender na feira.

“O segredo do sabor é uma pitada de amor”, fala Mingo.
E esse amor também é compartilhado em forma de degustação.

Eles oferecem uma rodada de salgadinhos fritos na hora pra quem estiver passando na feira, além de um licor de frutas para as mulheres. “É a nossa estratégia”, fala Mingo. A clientela fiel, também conquistada no boca a boca, não tem nada a reclamar.

Mingo e Dona Angélica fazem parte da COOPAFI (Cooperativa da Agricultura e Pesca Familiar de Içara), responsável pela Feira da Agricultura Familiar de Içara.

A feira tem dois convênios com a prefeitura da cidade que ajudam a movimentar os boxes.
Um deles, chamado Reciclou, Levou, permite que lixo reciclável seja trocado por crédito para ser gasto na feira.

Uma iniciativa inovadora que une sustentabilidade com alimentação natural e segura, já que todos os produtos ofertados na feira são registrados.

E tem mais: Dona Angélica e Mingo vendem também a histórica e tradicional bijajica.

É um doce centenário que nasceu nos engenhos de farinha de Santa Catarina.

Feito de massa de farinha de mandioca crua, açúcar, canela, cravo e amendoim, é mais um motivo para visitar essa feira cheia de vida e conhecer esse casal alegre!

A Feira da Agricultura Familiar de Içara funciona nas quartas, das 16h às 19h, e nas sextas-feiras, das 7h às 13h.

Mercado público de curitibanos

Um sonho que virou realidade

Essa história poderia até virar livro…

Era uma vez uma pAISAGEM DE Campos verdes e araucárias centenárias…

É nesse cenário, em Curitibanos, município do planalto catarinense, que nossa história começa.

Palco das Revoluções Farroupilha e Federalista e da Guerra do Contestado, o destino guarda fazendas históricas.

Uma delas, inclusive, teve o casal Giuseppe e Anita Garibaldi liderando uma batalha.

Mas a verdadeira força motora do município é seu povo.
É o que comprova o casal Luiz Fracaro e Zilma Rebelatto Fracaro, responsável pela criação da primeira agroindústria da agricultura familiar de Curitibanos.
A Didio & Zilma Embutidos e Defumados é um sonho de mais de 20 anos. Uma trajetória que traz muita realização!
Integrantes do Assentamento 1° de Maio junto com outras 29 famílias, o casal sempre trabalhou na roça.

E ainda hoje mantém o plantio de alimentos de subsistência como feijão, mandioca, frutas, milho, entre outros.

Da produção de leite, quando quase tiveram que descartar tudo o que produziram, Didio e Zilma passaram a fazer queijos para vender de porta em porta.

“Era sofrido gastar com o gado e depois ver o leite ser jogado fora. No meio da crise, achamos um caminho”, conta Zilma.

Mas a dificuldade em encontrar mão de obra fez com que os dois dessem o primeiro passo para a realização de um sonho em comum: a produção de embutidos.

De origem italiana, o casal lembrava direitinho como os pais faziam esse tipo de produto em casa. Além do mais, Didio já havia trabalhado com embutidos em uma cooperativa.

“AMO FAZER ESSE TIPO DE PRODUTO”.

Mais uns cursos de aperfeiçoamento e pronto! Nascia a Didio & Zilma Embutidos e Defumados, no assentamento onde tiveram a oportunidade de iniciar uma vida nova, com muito trabalho e esperança de um futuro promissor.

“Nossas duas filhas cresceram aqui. Caminhavam sete quilômetros para ir à escola. Hoje uma é professora e a outra trabalha em banco”, conta a mãe orgulhosa.
APESAR DOS PERÍODOS DIFÍCEIS ESTAREM SEMPRE PRESENTES NA VIDA DE DIDIO E ZILMA, O CASAL SEMPRE ACHOU UMA SOLUÇÃO PARA SEGUIR EM FRENTE.

Com a agroindústria montada com a ajuda de crédito do governo estadual, surgiu a oportunidade de entrar no Mercado Público Municipal Atecir Guidi, que estava sendo aberto em Curitibanos.

A obra foi entregue à população em fevereiro de 2022 com o objetivo de valorizar a agricultura familiar, muito forte na região.

O espaço vem ganhando adeptos pouco a pouco.

A POPULAÇÃO AQUI AINDA NÃO TEM A CULTURA DE MERCADO”, DIZ ZILMA.
Ela acredita que logo vai virar um local aonde as pessoas vão em busca de produtos direto do produtor.

Atualmente, o Mercado possui restaurantes, floricultura, boxes de produtos orgânicos e da agricultura familiar, além de oferecer happy hours animados, com música e petiscos deliciosos.

UMA FORMA QUE A PREFEITURA ENCONTROU DE ALIAR LAZER COM A OFERTA DE PRODUTOS FRESCOS E DE EXCELENTE QUALIDADE.

“A GENTE RECEBE SÓ ELOGIOS”, CONTA DIDIO.

Os clientes sabem que os produtos são naturais, somente com carne e temperos. Salame italiano, linguiça colonial defumada, banha e torresmo são só alguns deles.

E com um ingrediente que faz tudo ficar ainda mais especial…

“fazemos tudo com muito carinho”.

Um casal no box 2 do Mercado Público Municipal de Curitibanos levando para quem quiser experimentar produtos que carregam amor, tradição, cuidado e uma lição de que os sonhos existem para serem concretizados.

“Nossas filhas dizem que têm orgulho do pai e da mãe que não tinham o que comer e hoje estão fazendo comida para outras pessoas”, diz Zilma.

O Mercado Público Municipal Atecir Guidi funciona diariamente das 8h30 às 19h.

Mercado Público de itajaí

uma Grande casa de família

Centro de Abastecimento Paulo Bauer (Mercado do Peixe) e Mercado Público de Itajaí.

Dois mercados, lado a lado!

Às vezes, parecem um só.

Como se fossem parte de uma grande casa.

A casa onde Maria José de Oliveira viveu boa parte de seus 56 anos.
O mercado não é apenas o lugar onde a comerciante trabalhou toda a sua vida.

É também onde criou as filhas, os netos, bisnetos, onde viveu um grande amor, um luto difícil, e onde ainda hoje segue escrevendo a própria história.

"O mercado se torna uma grande família, a gente vai convivendo, formando laços. Eu passo a maior parte do tempo ali, mais que em casa", conta Maria José.
A comerciante, que foi mãe, avó e bisavó nova, hoje torce pras futuras gerações seguirem o negócio familiar.

Não por acaso, ela conheceu o marido nos corredores do Mercado. Ele tinha uma banca de pescado, assim como ela. Maria, na época, era mãe solo de quatro meninas, que sustentava com dificuldade através da renda tirada das vendas da banca 9.

A história de amor foi longa e inspiradora, vivida praticamente dentro do prédio histórico.

Até que o marido morreu de covid-19 em 2022.

Um episódio que Maria supera a cada dia enquanto continua o legado dos dois na venda de pescado, que agora conta com várias bancas.

Lembrando do passado, a comerciante conta que o Mercado surgiu em sua vida por acaso: muito jovem, trabalhava como enfermeira quando os pais se mudaram para Itajaí, vindos do Paraná.

Quando chegou na cidade catarinense, percebeu que muitas oportunidades giravam em torno daquele prédio histórico e imponente.

Havia agito, compra e venda, movimentação: a fama do pescado local ia longe!
A jovem resolveu participar e comprou uma banca para começar seu negócio no prédio.

O Mercado do Peixe fica bem ao lado do Mercado Público de Itajaí, tanto que a população costuma confundir um com o outro. As histórias se entrelaçam.

Construído em 1917 com arquitetura eclética, o Mercado de Itajaí começou como um grande centro de vendas de secos e molhados, um ponto de encontro de comerciantes e clientes.

Após um incêndio em 1936, a fachada ficou diferente, seguindo uma linha estética art-déco.

Mas a essência do mercado seguiu a mesma.

o local foi se tornando símbolo de efervescência cultural e lugar favorito para o happy hour.
Há as bancas de comércio local, produtos artesanais, os restaurantes e bares.

As bancas de pescado, como a de Maria, ainda são a parte mais tradicional. A qualidade é uma preocupação constante da vendedora, que conta seguir a mesma rotina de toda a vida…

De peixes grande, como meca e cação, aos pequenos de época, como corvina e tainha, é possível encontrar de tudo na banca de Maria - tudo, claro, se estiver dentro do período de pesca.

Pra ela, o respeito ao mar é inegociável.

"Claro que temos que respeitar as épocas de defeso. Respeitar as espécies, senão elas vão acabar."

Mas vender peixe não é a única especialidade de Maria. Ela também ama cozinhar para a família e fazer um peixinho em datas especiais!

E a forma favorita de preparo ela revela pra gente - e pros clientes do Mercado, quando precisam de uma dica de ouro na cozinha…
"A gente faz como se fosse churrasco na grelha...”
“Eu tempero com sal, limão e pronto, muito simples. Eu adoro reunir a família e fazer meca assim. Eu chamo de Churrasco do mar!"

O Mercado Público de Itajaí abre de segunda a sábado, das 9h à meia-noite. E aos domingos das 11h às 17h.

Esperamos que você tenha gostado de acompanhar essas histórias cheias de sabor neste novo formato.

Até a próxima edição!